Mais de 384 mil eleitores de Roraima voltaram às urnas no domingo, 21 de junho de 2026, para escolher o governador que comandará o estado em um mandato-tampão até janeiro de 2027, quando toma posse o vencedor das eleições gerais marcadas para outubro. A votação ocorreu das 8h às 17h, no horário local, em 350 locais distribuídos por todo o estado. Trata-se de uma eleição suplementar, convocada depois que o Tribunal Superior Eleitoral cassou os mandatos do governador Edilson Damião, do União Brasil, e do ex-governador Antonio Denarium, do PP.
A cobertura de centro relatou que o TSE, por seis votos a um, concluiu que a chapa usou de forma indevida a máquina pública na campanha de reeleição de 2022, incluindo a ampliação de programas sociais, a distribuição de cestas básicas e repasses de recursos a municípios em período eleitoral. Denarium foi declarado inelegível por oito anos. Ele havia renunciado ao governo em março para tentar uma vaga no Senado, levando o vice Edilson Damião a assumir; com a cassação, o presidente da Assembleia Legislativa, Soldado Sampaio, do Republicanos, passou a governar interinamente e também entrou na disputa.
Três candidatos concorreram ao Palácio Senador Hélio Campos: Arthur Henrique, do PL, ex-prefeito de Boa Vista apoiado pelo grupo de Denarium; Soldado Sampaio, do Republicanos; e a socióloga Nelita Frank, do PT, pela oposição de esquerda. A disputa foi marcada por forte judicialização. Uma liminar do ministro Flávio Dino, do STF, questionou as regras do Tribunal Regional Eleitoral de Roraima e determinou que se aplicassem os prazos tradicionais de desincompatibilização, de três a seis meses antes da votação. A Primeira Turma do STF confirmou o entendimento na sexta-feira, 19 de junho.
Veículos de esquerda destacaram que a punição imposta pela Justiça Eleitoral restabelece a integridade do processo, ao responsabilizar uma chapa que teria abusado do poder econômico e político, e enfatizaram que as regras rígidas de desincompatibilização protegem a igualdade entre os concorrentes. Já a leitura possível a partir de veículos de direita enfatiza o peso da judicialização: a sucessão de decisões cassou gestores eleitos pelo voto, mudou as regras às vésperas do pleito e gerou insegurança jurídica, com indeferimento de registros e candidatura concorrendo sub judice.
Com a nova orientação do Supremo, o TRE-RR indeferiu os registros de Arthur Henrique e da então candidata petista Antonia Pedrosa. A defesa de Arthur Henrique recorreu e conseguiu manter seu nome na urna na condição de sub judice, de modo que seus votos seriam contabilizados, mas sua situação dependeria do desfecho dos processos. O PT, por sua vez, substituiu Antonia Pedrosa por Nelita Frank. Como a troca ocorreu depois da preparação das urnas, os eleitores ainda viram o nome e a foto de Antonia Pedrosa na tela, embora os votos fossem computados para Frank.
A cobertura de centro também ressaltou os desafios logísticos do pleito: em diversas regiões o acesso se dá apenas por rios ou pistas de pouso precárias, e as chuvas intensas da época dificultam os deslocamentos. Ainda assim, o TRE informou que a distribuição das urnas seguiu dentro do cronograma.
O que ainda não se sabe é o resultado final da votação e, sobretudo, o destino da candidatura de Arthur Henrique, cujo registro pode ser anulado em instâncias superiores mesmo após a apuração. Permanece em aberto se a eleição encerrará de fato a crise política do estado ou se novas decisões judiciais voltarão a alterar o comando do Executivo estadual até as eleições gerais.