Mais de 384 mil eleitores de Roraima voltaram às urnas neste domingo, 21 de junho, para escolher o próximo governador do estado em uma eleição suplementar. A votação ocorreu em 350 locais, das 8h às 17h no horário local, e o vencedor cumprirá um mandato-tampão até 5 de janeiro de 2027, quando toma posse quem for eleito nas eleições gerais de outubro.
O pleito extraordinário foi convocado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Em maio, por maioria de seis votos a um, a Corte cassou o mandato do governador Edilson Damião, do União Brasil, e declarou inelegível por oito anos o ex-governador Antonio Denarium, do PP. Ambos foram condenados por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Segundo a decisão, houve uso indevido da máquina pública durante a campanha de reeleição, incluindo ampliação de programas sociais, distribuição de cestas básicas e repasses de recursos a municípios em período eleitoral. O TSE rejeitou a alternativa de uma eleição indireta pela Assembleia Legislativa e determinou um novo pleito direto.
Três candidatos disputaram o comando do Palácio Senador Hélio Campos: Arthur Henrique, do PL, ex-prefeito de Boa Vista e apoiado pelo grupo de Antonio Denarium; Soldado Sampaio, do Republicanos, presidente da Assembleia Legislativa que assumiu o governo interinamente após a cassação; e Nelita Frank, do PT, socióloga e representante da oposição.
A cobertura de centro relatou os dados do pleito de forma factual: número de eleitores, horários, locais de votação e a cadeia de decisões que levou à nova eleição, tratando as três candidaturas com paridade. Veículos de esquerda enfatizaram o caráter de punição ao abuso de poder, destacando que o TSE coibiu o uso da máquina pública para reeleição e que a decisão do ministro Flávio Dino, do STF, fechou uma brecha que favorecia ocupantes de cargos. Para esse enquadramento, a judicialização reforçou o papel das instituições em proteger a lisura do processo.
O mesmo conjunto de fatos comporta a leitura, presente na cobertura que enfatiza ordem e segurança jurídica, de que as decisões de última hora geraram imprevisibilidade. A liminar de Flávio Dino, concedida no fim de maio e confirmada pela Primeira Turma do STF na sexta-feira, 19, mudou as regras de desincompatibilização que o Tribunal Regional Eleitoral de Roraima havia fixado. O TRE permitia que candidatos deixassem cargos até 24 horas após as convenções; Dino determinou a aplicação dos prazos das eleições regulares, de três a seis meses. Com isso, o TRE-RR indeferiu os registros de Arthur Henrique e da então candidata petista Antônia Pedrosa. Arthur Henrique recorreu e conseguiu manter o nome na urna como candidato sub judice, com os votos contabilizados, mas a situação definitiva dependendo do julgamento dos recursos.
A disputa também foi marcada por uma troca de candidatura. Após o indeferimento de Antônia Pedrosa, a federação formada por PT, PCdoB, PV e Psol-Rede apresentou Nelita Frank como nova representante. Como a substituição ocorreu depois da preparação das urnas, os eleitores viram na tela o nome e a fotografia de Antônia Pedrosa, embora os votos, segundo o TRE-RR, sejam contabilizados para Nelita Frank.
O que ainda não se sabe é o desfecho do recurso de Arthur Henrique nas instâncias superiores, que pode alterar a validade de sua candidatura mesmo após a votação, e o resultado final do pleito, que definirá quem governa Roraima no curto período até a posse dos eleitos nas eleições gerais.