Roraima escolhe governador em eleição para mandato-tampão
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A eleição suplementar de Roraima expõe os efeitos do abuso de poder econômico e político na democracia brasileira. O TSE puniu uma chapa que, segundo a Corte, usou a máquina pública, ampliou programas sociais e distribuiu cestas básicas para se reeleger em 2022, restabelecendo a integridade do processo eleitoral. A atuação do STF, pela voz do ministro Flávio Dino, reforçou a aplicação de regras rígidas de desincompatibilização para impedir que ocupantes de cargos usem a estrutura estatal em benefício próprio.
Veículos deste lado: Brasil 247
Mais de 384 mil eleitores de Roraima votaram no domingo em uma eleição suplementar para governador, com mandato-tampão até janeiro de 2027. O pleito foi convocado depois que o TSE cassou os mandatos do governador Edilson Damião (União Brasil) e do ex-governador Antonio Denarium (PP) por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
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Todos os lados reconhecem que a eleição suplementar decorre da cassação de Denarium e Damião pelo TSE por abuso de poder em 2022, que três candidatos disputaram o governo e que a candidatura de Arthur Henrique seguiu sub judice por decisão do STF sobre desincompatibilização.
Mais de 384 mil eleitores de Roraima voltaram às urnas no domingo, 21 de junho de 2026, para escolher o governador que comandará o estado em um mandato-tampão até janeiro de 2027, quando toma posse o vencedor das eleições gerais marcadas para outubro. A votação ocorreu das 8h às 17h, no horário local, em 350 locais distribuídos por todo o estado. Trata-se de uma eleição suplementar, convocada depois que o Tribunal Superior Eleitoral cassou os mandatos do governador Edilson Damião, do União Brasil, e do ex-governador Antonio Denarium, do PP.
A cobertura de centro relatou que o TSE, por seis votos a um, concluiu que a chapa usou de forma indevida a máquina pública na campanha de reeleição de 2022, incluindo a ampliação de programas sociais, a distribuição de cestas básicas e repasses de recursos a municípios em período eleitoral. Denarium foi declarado inelegível por oito anos. Ele havia renunciado ao governo em março para tentar uma vaga no Senado, levando o vice Edilson Damião a assumir; com a cassação, o presidente da Assembleia Legislativa, Soldado Sampaio, do Republicanos, passou a governar interinamente e também entrou na disputa.
Três candidatos concorreram ao Palácio Senador Hélio Campos: Arthur Henrique, do PL, ex-prefeito de Boa Vista apoiado pelo grupo de Denarium; Soldado Sampaio, do Republicanos; e a socióloga Nelita Frank, do PT, pela oposição de esquerda. A disputa foi marcada por forte judicialização. Uma liminar do ministro Flávio Dino, do STF, questionou as regras do Tribunal Regional Eleitoral de Roraima e determinou que se aplicassem os prazos tradicionais de desincompatibilização, de três a seis meses antes da votação. A Primeira Turma do STF confirmou o entendimento na sexta-feira, 19 de junho.
Veículos de esquerda destacaram que a punição imposta pela Justiça Eleitoral restabelece a integridade do processo, ao responsabilizar uma chapa que teria abusado do poder econômico e político, e enfatizaram que as regras rígidas de desincompatibilização protegem a igualdade entre os concorrentes. Já a leitura possível a partir de veículos de direita enfatiza o peso da judicialização: a sucessão de decisões cassou gestores eleitos pelo voto, mudou as regras às vésperas do pleito e gerou insegurança jurídica, com indeferimento de registros e candidatura concorrendo sub judice.
Com a nova orientação do Supremo, o TRE-RR indeferiu os registros de Arthur Henrique e da então candidata petista Antonia Pedrosa. A defesa de Arthur Henrique recorreu e conseguiu manter seu nome na urna na condição de sub judice, de modo que seus votos seriam contabilizados, mas sua situação dependeria do desfecho dos processos. O PT, por sua vez, substituiu Antonia Pedrosa por Nelita Frank. Como a troca ocorreu depois da preparação das urnas, os eleitores ainda viram o nome e a foto de Antonia Pedrosa na tela, embora os votos fossem computados para Frank.
A cobertura de centro também ressaltou os desafios logísticos do pleito: em diversas regiões o acesso se dá apenas por rios ou pistas de pouso precárias, e as chuvas intensas da época dificultam os deslocamentos. Ainda assim, o TRE informou que a distribuição das urnas seguiu dentro do cronograma.
O que ainda não se sabe é o resultado final da votação e, sobretudo, o destino da candidatura de Arthur Henrique, cujo registro pode ser anulado em instâncias superiores mesmo após a apuração. Permanece em aberto se a eleição encerrará de fato a crise política do estado ou se novas decisões judiciais voltarão a alterar o comando do Executivo estadual até as eleições gerais.
Pleito define o novo comando do Executivo estadual até 5 de janeiro de 2027. A votação ocorre das 8h às 17h em 350 locais distribuídos por todo o estado.

Eleitores escolhem governador e vice até 2027 em votação marcada por decisões do STF e do TSE que mantêm impasse sobre nomes nas urnas