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Rumble e Trump Media pediram à Justiça da Flórida que rejeite o pedido da AGU para encerrar o processo movido contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, numa disputa sobre os limites da jurisdição americana sobre decisões judiciais brasileiras.
Rumble e Trump Media, duas empresas de tecnologia ligadas a apoiadores de Donald Trump, protocolaram nesta terça-feira (14) uma petição de 24 páginas no tribunal federal da Flórida pedindo que a Justiça americana rejeite o pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) para encerrar o processo movido contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A manifestação é a resposta mais recente numa disputa iniciada em fevereiro, quando as companhias acusaram o ministro de censurar ilegalmente perfis de usuários brasileiros alinhados à direita, entre eles o influenciador Allan dos Santos.
Segundo as empresas, Moraes enviou ordens de bloqueio e remoção de conteúdo diretamente a companhias sediadas nos Estados Unidos, sem utilizar os canais formais de cooperação jurídica internacional previstos em tratados como o MLAT e a Convenção da Haia. Esse seria, segundo a petição, um caso de atuação ultra vires: o ministro teria agido além dos limites de sua autoridade judicial e, portanto, em caráter pessoal, o que afastaria a proteção da imunidade soberana. A AGU, que assumiu a defesa de Moraes depois de a Justiça americana negar, em 23 de junho, um pedido de revelia contra o ministro, sustenta o contrário: as decisões do STF seriam atos de um Estado soberano, protegidos pelo Foreign Sovereign Immunity Act, lei americana que impede tribunais dos Estados Unidos de revisarem decisões de outros países. Para a AGU, o verdadeiro interessado na disputa é o próprio Estado brasileiro, e o Brasil "não consentiu e não consentirá" com a revisão de decisões de sua Suprema Corte por cortes estrangeiras.
A cobertura de centro relatou que o ponto mais sensível do embate é um ofício enviado em junho de 2025 pelo Ministério da Justiça brasileiro ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos, no qual o governo afirmou que decisões judiciais do país "operam estritamente" dentro do território nacional. As empresas usam esse documento para acusar a AGU de contradição: o mesmo governo que garantiu aos americanos que suas decisões não têm efeito além-fronteira agora pede que a Justiça da Flórida trate essas decisões como atos soberanos intocáveis.
Veículos de esquerda enquadraram o caso como uma tentativa de plataformas ligadas a Trump de driblar o controle do Judiciário brasileiro sobre discurso de ódio e desinformação, lembrando que o Rumble está fora do ar no Brasil desde fevereiro de 2025. Já veículos de direita destacaram o argumento de liberdade de expressão amparado pela Primeira Emenda americana e a alegação de que Moraes agiu de forma pessoal e sem respaldo diplomático, o que tornaria o ministro passível de ser julgado individualmente nos Estados Unidos.
Ainda não se sabe se Moraes vai apresentar resposta própria ao processo, nem qual será a decisão final da juíza Mary S. Scriven sobre manter ou arquivar a ação. Os prazos para eventual resposta variam entre 21 e 60 dias, a depender de como o ministro for enquadrado no processo. O desfecho pode estabelecer um precedente sobre até onde a imunidade soberana protege autoridades estrangeiras que atuam, segundo a acusação, fora dos canais diplomáticos formais, num cenário em que jurisdições nacionais se sobrepõem cada vez mais no ambiente digital.
Esquerda, centro e direita reconhecem que Rumble e Trump Media protocolaram petição em 14 de julho contestando o pedido da AGU de arquivar o processo, e que o cerne da disputa é se um tribunal americano pode revisar ordens de um ministro do STF enviadas diretamente a empresas dos EUA.
3 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial esquerda.
Recontagem factual do pedido das empresas, com citações diretas da petição e cronologia do caso; falta desenvolvimento equivalente da defesa da AGU, mas sem linguagem valorativa própria do veículo.
Perspectivas omitidas
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial esquerda.
Cobertura extensa que detalha tanto os argumentos das empresas (ultra vires, contradição do ofício do Ministério da Justiça) quanto a defesa da AGU (imunidade soberana, Foreign Sovereign Immunity Act), com citação nomeada do advogado Martin De Luca.
Veículos com viés ao centro
Reportagem estritamente factual, com caixa explicativa sobre a AGU e sobre a imunidade de ministros do STF, sem linguagem valorativa; apresenta ambos os lados com equilíbrio.
Ponto cego: esse lado ficou de fora.
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.

Rumble e Trump Media pedem à Justiça dos EUA que rejeite pedido da AGU para arquivar ação contra Alexandre de Moraes.

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