O candidato do Partido Novo à Presidência da República, Romeu Zema, afirmou na quarta-feira, 19 de agosto de 2026, que defende o impeachment e a prisão de ministros do Supremo Tribunal Federal. A declaração foi dada durante sabatina transmitida por um canal de televisão, em que o governador licenciado de Minas Gerais chamou parte dos integrantes da Corte de frutas podres e disse que eles prestam um desserviço ao tribunal e ao Brasil.
Segundo Zema, o país está ficando mal visto no exterior, e a percepção de corrupção teria aumentado por causa do Partido dos Trabalhadores e de ministros do Supremo que ele não nomeou. O candidato vinculou o desfecho a um resultado eleitoral: disse esperar renovação do Senado, depois impeachment desses ministros e, nas palavras dele, prisão, se depender de sua vontade. Em nenhum momento registrado pela cobertura ele apontou qual conduta, processo ou dispositivo legal sustentaria a prisão de um integrante da Corte.
Na mesma sabatina, Zema reiterou duas propostas de mudança nas regras de acesso ao Supremo. A primeira é fixar idade mínima de 60 anos para ocupar uma cadeira no tribunal. A segunda é adotar lista tríplice, em que o presidente da República escolheria um nome entre três previamente selecionados, no lugar da indicação direta que existe hoje. Ele também criticou as escolhas feitas por Luiz Inácio Lula da Silva, a quem atribuiu a nomeação de advogados ligados a si mesmo e ao partido.
Os três relatos disponíveis convergem no essencial: o autor da fala, a data, o local e o teor das citações são idênticos, e todos registram as duas propostas sobre indicações. A cobertura de centro foi a que acrescentou o contraste institucional, ao lembrar que a Constituição determina hoje indicação pelo presidente da República e aprovação pelo Senado, entre cidadãos com mais de 35 e menos de 65 anos, e que alterar esses critérios exige mudança constitucional a ser discutida pelo Congresso Nacional. Esse dado permite ao leitor medir a distância entre a proposta de campanha e a regra vigente.
Veículos de direita deram tratamento diferente ao mesmo material. Abriram pela crítica ao tribunal, adotaram a expressão frutas podres já na narração e encadearam as citações sem intervalo de contexto, além de registrar um elemento ausente do restante da cobertura: a intenção declarada de conceder indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro caso seja eleito. A ênfase recai sobre a responsabilização de autoridades e sobre o poder de indicação concentrado no presidente da República.
Veículos de esquerda não registraram o episódio no material reunido até aqui. A lacuna importa porque é justamente desse lado que costumam aparecer o contraditório sobre limites entre Executivo e Judiciário e a avaliação de juristas sobre a viabilidade jurídica do que foi proposto. Sem isso, a acusação circula sem resposta do tribunal citado.
O que ainda não se sabe é o núcleo da história. Nenhum ministro foi identificado pelo candidato, nem por quem o entrevistou. Não há informação sobre qual crime justificaria a prisão, quem a decretaria e em que processo. Também não se sabe se as propostas de idade mínima e lista tríplice serão apresentadas como projeto formal, quem as apadrinharia no Congresso e qual seria o rito. O Supremo Tribunal Federal não se manifestou na cobertura disponível, e não há registro de reação dos demais candidatos à Presidência.