O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, reúne-se nesta terça-feira (30), em Brasília, com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, numa tentativa de conter a crise interna que se abriu no partido às vésperas da campanha presidencial de 2026. O encontro ocorre após a divulgação de um vídeo, no dia 24 de junho, em que Michelle afirmou ter sido maltratada pelo senador Flávio Bolsonaro ao questionar a composição da chapa da legenda no Ceará.
A fala mais contundente partiu do próprio Valdemar. "Não sei o que vai dar a conversa. Só sei que, se perdermos a Michelle, a eleição vai ficar muito difícil para nós", declarou o dirigente, que avalia que a saída da ex-primeira-dama da campanha comprometeria o desempenho do partido diante do presidente Lula.
Há convergência entre as coberturas sobre os fatos centrais. A cobertura de centro, representada pela coluna Painel, da Folha de S. Paulo, e os veículos de direita relataram que a reunião acontece na sede do PL e que o atrito nasceu da disputa pela formação da chapa cearense. Ambos os lados registraram que auxiliares de Flávio buscam minimizar o episódio, sustentando que sondagens internas não apontam queda nas intenções de voto ao senador nem entre mulheres nem entre o eleitorado evangélico, dois segmentos considerados estratégicos.
As coberturas também concordam sobre as hipóteses em jogo para a vice. Entre as possibilidades cogitadas está oferecer a Michelle a vaga de candidata a vice-presidente, embora a ideia ainda não tenha recebido o aval de Flávio. Hoje, o nome preferido do senador é o da ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, filiada ao Republicanos, mas há dúvidas dentro do PL sobre seu potencial de ampliar a base. Valdemar, por sua vez, defende que Michelle dispute uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal, e relata que a definição caberá a Flávio e ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
É no enquadramento que as coberturas se distinguem. Veículos de direita enfatizaram o esforço de unidade do campo conservador e o reconhecimento, por Valdemar, do peso eleitoral de Michelle como ativo contra Lula, tratando o atrito como episódio pontual de uma pré-campanha que segue firme. Por outro ângulo, a leitura de uma cobertura de esquerda tenderia a destacar a fragilidade do projeto bolsonarista, exposta pela admissão pública de que a campanha pode naufragar sem a ex-primeira-dama, e a instrumentalização de mulheres e evangélicos como segmentos a capturar. A cobertura de centro manteve o registro factual do bastidor, sem aderir a nenhum desses enquadramentos.
Da Argentina, onde cumpriu agenda ao lado do presidente Javier Milei nesta segunda-feira (29), Flávio fez uma transmissão voltada ao público feminino. O senador afirmou que as brasileiras sustentam mais de 70% dos lares, enfrentam diferentes formas de violência e defendeu que o tema seja tratado como pauta econômica, e não ideológica.
Ainda não se sabe o resultado da conversa entre Valdemar e Michelle, se a oferta de vice será de fato formalizada, nem qual será a decisão final de Flávio e Jair Bolsonaro sobre a composição da chapa. Também não foram divulgados os números das sondagens internas mencionadas pelos aliados do senador.