Lula tenta virar contra Flávio Bolsonaro no segundo turno de 25 de outubro
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Na leitura de veículos de esquerda, o segundo turno é uma disputa contra a extrema direita em que a mobilização social decide. Um artigo de opinião defende que o setor cultural, com sua capilaridade, pode levar o debate para além das bolhas e ajudar a virar o resultado.
O segundo turno da eleição presidencial de 2026, marcado para 25 de outubro, opõe Lula e o senador Flávio Bolsonaro. Lula teve 45,16% no primeiro turno, menos de dois pontos atrás do adversário, e a abstenção foi a maior desde 1998.
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O segundo turno da eleição presidencial de 2026 será em 25 de outubro. Lula teve 45,16% dos votos no primeiro turno e ficou menos de dois pontos atrás de Flávio Bolsonaro, em meio à maior abstenção desde 1998. A cobertura compara os desafios do petista e o papel de setores como a cultura na mobilização.
O segundo turno da eleição presidencial de 2026 está marcado para 25 de outubro e coloca frente a frente o presidente Lula, do PT, e o senador Flávio Bolsonaro, do PL. No primeiro turno, Lula obteve 45,16% dos votos e ficou menos de dois pontos percentuais atrás do adversário, o que representa cerca de 2,2 milhões de votos de diferença.
A cobertura de centro relatou que o resultado de Lula ficou aquém do de 2022. O petista recebeu 3,5 milhões de votos a menos do que naquele pleito, enquanto Flávio teve 5 milhões de votos a mais do que o pai, Jair Bolsonaro, no primeiro turno da eleição passada. A abstenção foi a maior desde 1998: 21% dos eleitores não compareceram, ou 33,4 milhões de pessoas, mais de dez vezes a diferença entre os dois candidatos. Desde a redemocratização, nunca houve virada entre o primeiro e o segundo turno de uma eleição presidencial, e analistas ouvidos descrevem a situação de Flávio como relativamente confortável.
Segundo essa cobertura, Lula precisará reverter a abstenção entre os eleitores mais pobres, recuperar os votos perdidos em todos os estados do Nordeste e melhorar o desempenho em São Paulo e Minas Gerais, onde foi derrotado. Também terá de disputar os votos dados no primeiro turno a Augusto Cury, do Avante, Renan Santos, do Missão, Ronaldo Caiado, do PSD, e Romeu Zema, do Novo.
Veículos de esquerda trataram o segundo turno como uma disputa de mobilização e de narrativa. Em artigo de opinião, a deputada federal Jandira Feghali, do PCdoB do Rio de Janeiro e vice-líder do governo Lula na Câmara, defendeu que o setor cultural pode ser decisivo. Para ela, artistas, produtores e agentes culturais têm capilaridade para levar o debate político para além das bolhas ideológicas. A parlamentar lembrou vitórias do campo cultural desde 2016, como a ocupação do Ministério da Cultura em 2017, a Lei Aldir Blanc, a Lei Paulo Gustavo e a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, que, segundo ela, garante 3 bilhões de reais por ano para estados e municípios. O texto alerta para o risco de uma hegemonia da extrema direita e inclui, entre as ameaças, o sistema de saúde pública, a Petrobras, os empregos e a Amazônia.
A diferença de enfoque é nítida. A cobertura de centro concentra-se em números, na geografia do voto e na abstenção como obstáculos objetivos para o presidente. A esquerda, no texto analisado, desloca o debate para a convocação de setores sociais e para a defesa do legado do governo. Não havia, neste conjunto de reportagens, cobertura de veículos de direita, e por isso nenhum enquadramento desse lado pode ser atribuído a texto publicado. O que os dados do primeiro turno indicam é que Flávio Bolsonaro cresceu em relação ao desempenho do pai em 2022.
O que ainda não se sabe é para onde irão os votos de Cury, Renan Santos, Caiado e Zema, se a abstenção cairá no segundo turno entre os eleitores mais pobres e se a mobilização do setor cultural defendida por Jandira Feghali terá efeito mensurável. As reportagens analisadas também não trazem pesquisa de intenção de voto para o segundo turno.
Artistas, produtores e agentes culturais têm uma capilaridade capaz de levar o debate político para além das bolhas ideológicas

Desde a redemocratização, em 1988, nunca houve uma virada entre o primeiro e o segundo turno da eleição presidencial.
