O deputado federal Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), ex-ministro de Portos e Aeroportos do governo Lula, foi escolhido para assumir a liderança da Maioria na Câmara dos Deputados. A indicação foi feita pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), em conjunto com os líderes partidários, e coloca o parlamentar à frente de um bloco multipartidário que reúne cerca de 300 dos 513 deputados, formado por siglas como MDB, PSD, PSDB, Republicanos, Podemos e PP. A posse oficial deve ocorrer na próxima semana, após reunião de líderes.
Costa Filho substitui Arlindo Chinaglia (PT-SP) no posto, que é considerado estratégico para a condução dos trabalhos legislativos. A troca faz parte do rodízio interno entre os partidos para o comando da bancada da Maioria, e o PT perdeu a vaga nessa rotação. Antes de Chinaglia, a liderança já havia passado por André Figueiredo (PDT-CE) e Agnaldo Ribeiro (PP-PB).
A cobertura de centro relatou com precisão a mecânica do cargo. O posto de líder da Maioria não se confunde com o de líder do Governo: enquanto o líder governista defende os interesses do Palácio do Planalto, o líder da Maioria representa o maior bloco partidário da Câmara, hoje formado por siglas do Centrão e da centro-direita. Na prática, a função dá ao parlamentar assento no Colégio de Líderes, onde se definem as pautas que vão a voto, além de prerrogativas para encaminhar votações em plenário e mais tempo de fala na tribuna.
Em entrevista e em publicação na rede social X, Costa Filho enfatizou o diálogo como marca de sua atuação. Ele afirmou que pretende aproximar o Parlamento da sociedade civil, do Judiciário e do Senado, e que buscará construir convergências entre as diferentes correntes políticas. Entre as prioridades, citou um esforço concentrado para votar pautas estratégicas antes do recesso parlamentar, como a regulamentação da escala de trabalho 6x1, o projeto relacionado ao combate à misoginia, mudanças nas regras do Microempreendedor Individual e o novo marco legal da inteligência artificial.
Veículos de esquerda destacaram que o episódio expõe o avanço do Centrão e da centro-direita sobre o comando das pautas da Câmara, justamente quando o PT perde a vaga no rodízio. Nessa leitura, o arranjo reforça a dependência do governo Lula em relação a blocos suprapartidários para destravar votações de interesse social, ainda que o próprio Costa Filho, ex-ministro de Lula, prometa contribuir com a agenda de desenvolvimento social.
Veículos de direita enfatizaram o protagonismo do Legislativo frente ao Planalto e o tom de eficiência do novo líder, que falou em limpar a pauta em 15 a 20 dias para garantir um segundo semestre mais tranquilo. Nessa chave, ganham relevo as pautas de modernização, como o marco da inteligência artificial e as mudanças no MEI, e a promessa de reduzir o tensionamento político dos últimos meses por meio do diálogo entre os Poderes.
A cobertura também situou o movimento no tabuleiro eleitoral de Pernambuco. Costa Filho havia deixado o ministério em abril, dentro do prazo de desincompatibilização, para disputar uma vaga ao Senado na chapa do ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao governo estadual João Campos (PSB). Acabou ficando de fora: os indicados ao Senado ao lado de Campos são Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT). Sem espaço na disputa majoritária, o ex-ministro optou pela reeleição à Câmara e indicou o irmão, Carlos Costa, para a vaga de vice na chapa de João Campos, selando o alinhamento do Republicanos com a centro-esquerda no estado.
O que ainda não se sabe é como a nova liderança vai se traduzir, na prática, em resultados de votação para a base do governo, nem quais pautas serão de fato priorizadas no esforço concentrado antes do recesso. Também permanece em aberto o efeito do arranjo sobre a relação entre o Planalto e o Centrão ao longo do segundo semestre.