Uma investigação da Polícia Federal aponta o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara, como um dos nomes usados para dar aparência de legalidade a um esquema de desvio de R$ 119 milhões em emendas parlamentares supostamente comandado por Valdemar Costa Neto, presidente do PL. Segundo os investigadores, Valdemar teria direcionado a destinação de 21 emendas parlamentares mesmo sem exercer mandato no Congresso, usando servidores da Câmara e nomes de deputados como solicitantes formais dos recursos, que saíram do Orçamento da União em 2024 e 2025.
Até o momento, apenas o veículo Diário do Centro do Mundo cobriu o caso, relatando que Sóstenes colocou seu nome em R$ 94 milhões das emendas, direcionando recursos a municípios de São Paulo, Paraná, Bahia, Pará e Rio de Janeiro, inclusive fora de sua base eleitoral fluminense. A maior emenda citada, de R$ 25 milhões, foi destinada a Porto Seguro, na Bahia. Os deputados Luiz Carlos Motta (PL-SP) e Capitão Alden (PL-BA) também aparecem como solicitantes de emendas das comissões de Saúde e Turismo, em valores de R$ 22,8 milhões e R$ 2,4 milhões, respectivamente.
A reportagem relata que documentos apreendidos com Mariângela Fialek, ex-assessora do ex-presidente da Câmara Arthur Lira, levaram a Polícia Federal a apontar Valdemar como o verdadeiro responsável pelas emendas. Com base nesse material, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou o bloqueio de até R$ 119 milhões em bens de Valdemar. Em relatório citado pela matéria, a PF afirma que, mesmo no cenário mais conservador, a consolidação do desvio das emendas já pagas chega a R$ 104 milhões.
O texto também traz as respostas dos citados. A defesa de Valdemar nega qualquer crime e classifica a decisão do STF como baseada em premissas frágeis e inferências subjetivas, destacando que a Procuradoria-Geral da República foi contrária às medidas cautelares. Luiz Carlos Motta afirma que seu nome aparece nos registros apenas porque foi relator do Orçamento em 2024, sem que isso implique escolha pessoal sobre os recursos. Capitão Alden diz que não participou da execução financeira nem da contratação de fornecedores, atribuindo sua presença nos documentos a um procedimento institucional. Sóstenes não comentou o caso. Já o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, saiu em defesa de Valdemar e classificou a atuação da Polícia Federal como seletiva contra um adversário do governo atual.
O que ainda não se sabe é se Sóstenes, Motta e Alden serão formalmente investigados ou processados, qual o cronograma das próximas etapas do inquérito no STF e se novos bloqueios ou indiciamentos devem ocorrer à medida que a apuração avança.