Nossa Senhora Aparecida vira centro da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro
2 veículos de centro · 1 veículo de direita

Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
3 fontes políticas
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Circulou nas redes, a partir de 24 de setembro, a informação falsa de que Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Não há projeto dele nesse sentido; a proposta usada como base é de 2007 e foi arquivada. O caso mobilizou Lula, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal, com decisões conflitantes de André Mendonça e Flávio Dino sobre a remoção de publicações, e repercutiu na disputa pelo governo de São Paulo.
Pelo prisma da responsabilidade institucional, a principal fake news da eleição teria partido da esquerda e sido repetida pelo próprio presidente Lula, que antes defendia punir quem espalha mentiras. A decisão de Flávio Dino é vista pela campanha de Flávio Bolsonaro como interferência do Supremo na Justiça Eleitoral, e a fala de Lula contra a Igreja Batista da Lagoinha provocou reação de líderes evangélicos.
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Nesta matéria: falácia identificada.
A informação falsa de que Flávio Bolsonaro retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil levou a CNBB a soltar nota, opôs os ministros André Mendonça e Flávio Dino sobre a remoção de publicações e chegou à disputa entre Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad em São Paulo.
A informação falsa de que o senador Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal (PL) à Presidência, pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil virou um dos principais episódios da reta final do primeiro turno. O boato começou a circular nas redes sociais na noite de 24 de setembro e, em poucos dias, envolveu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF).
As fontes concordam que não há projeto do candidato nesse sentido. A proposta usada como origem da associação foi apresentada em 2007 pelo então deputado Victorio Galli e arquivada no ano seguinte. Mesmo assim, a história viralizou. Um levantamento citado pela cobertura indicou que 37% das mensagens analisadas tratavam a narrativa como verdadeira. A primeira-dama Janja publicou uma foto de Lula segurando uma imagem da santa, e o vice-presidente Geraldo Alckmin divulgou um vídeo em defesa das tradições católicas.
Flávio gravou vídeos negando a informação e, em 27 de setembro, acusou, sem apresentar provas, integrantes da CNBB de ajudar a espalhá-la. A entidade respondeu em nota que não produziu nem divulgou informações falsas e que "a mentira não se combate com outra mentira". Depois, o senador recuou das críticas aos bispos.
O caso chegou à Justiça. Em 25 de setembro, o ministro André Mendonça, no TSE, mandou derrubar publicações que apresentavam a associação como verdadeira, entre elas uma do humorista Antonio Tabet que falava em "família miliciana". O ministro Flávio Dino, do STF, cassou a decisão. Para ele, não se podia presumir que a expressão se referia a Flávio, e a remoção feria a liberdade de expressão. A defesa do senador recorreu ao Supremo e acusou Dino de invadir a competência da Justiça Eleitoral.
O episódio também chegou à disputa pelo governo de São Paulo. O governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, defendeu a tolerância religiosa e ergueu uma imagem de Nossa Senhora ao lado de Flávio. O petista Fernando Haddad classificou como "nojento" o uso da fé pelo bolsonarismo.
A cobertura de centro relatou o caso com ênfase no conflito institucional entre Mendonça e Dino, apresentando as duas leituras sobre até onde a Justiça pode ir para conter informações falsas, e registrou que a pesquisa Quaest de 28 de setembro mostrou alta de Lula entre católicos e evangélicos. Veículos de direita enfatizaram que a maior notícia falsa da eleição teria partido da esquerda e do próprio presidente, apontando contradição entre o discurso de Lula contra a desinformação e sua resposta de que o tema estava "muito forte" nas redes. Essa cobertura também destacou a fala de Lula contra a Igreja Batista da Lagoinha, a reação dos pastores André Valadão e Silas Malafaia e dados que sugerem efeito eleitoral modesto, como a queda da aprovação de Lula entre evangélicos na pesquisa AtlasIntel. Entre as fontes reunidas, não houve cobertura de veículos de esquerda, que até agora não apresentaram leitura própria do episódio.
Ainda não se sabe quem produziu o conteúdo original do boato nem qual será o desfecho do recurso de Flávio no Supremo. O efeito real sobre o voto também segue em aberto: as pesquisas citadas trazem sinais contraditórios a poucos dias do primeiro turno.
Fake news sobre Aparecida divide a sociedade, mas tem efeito marginal nas pesquisas

Dino derrubou a decisão de Mendonça que mandava remover posts sobre Flávio e Nossa Senhora, alegando que a medida atingia a liberdade de expressão

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