A campanha eleitoral de 2026 foi liberada pela Justiça Eleitoral no domingo, 16 de agosto, e o primeiro dia da disputa pelo governo de São Paulo colocou os dois principais candidatos na região metropolitana, com estratégias opostas. Tarcísio de Freitas, do Republicanos, abriu a corrida pela reeleição em Osasco. Fernando Haddad, do PT, não realizou ato próprio: participou, em São Bernardo do Campo, do comício que marcou o início da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência, no Estádio 1º de Maio.
Em Osasco, o governador cumpriu duas agendas. Pela manhã, reuniu cerca de 200 mulheres do setor produtivo em uma roda de conversa e apresentou propostas de segurança, empreendedorismo e saúde, entre elas o uso de tornozeleiras eletrônicas para agressores, o programa Patrulha SP Mulher Segura, linhas de crédito e ações voltadas a mães atípicas. À tarde, participou do lançamento da candidatura do ex-prefeito Rogério Lins a deputado estadual, cerimônia que reuniu nove prefeitos, entre eles Ricardo Nunes, da capital, e representantes dos dez partidos da coligação. Ao município, prometeu uma unidade do Corpo de Bombeiros, a integração de serviços municipais ao Poupatempo, um restaurante Bom Prato e avanços na Linha 22 do Metrô, que ligaria Cotia à região de Sumaré passando por Osasco.
A cerca de trinta quilômetros dali, Fernando Haddad dividiu o palco com Lula e com o vice-presidente Geraldo Alckmin. Em um discurso de aproximadamente cinco minutos, dedicou a maior parte da fala à trajetória do presidente e aos resultados dos governos petistas, citando retomada do crescimento e do emprego, fortalecimento do SUS e ampliação do acesso ao ensino superior por Prouni e Fies. O lançamento oficial da própria candidatura ficou para a segunda-feira seguinte, em uma caminhada no centro da capital ao lado de Marina Silva e Simone Tebet, candidatas ao Senado pela chapa.
A cobertura de centro relatou os dois palanques com espaço equivalente e concentrou-se na mecânica da disputa. Registrou que as dez legendas aliadas ao governador somam 336 deputados federais, ou 65% da Câmara dos Deputados, o que deve lhe garantir mais que o dobro do tempo do adversário na propaganda de rádio e televisão. Anotou também que Tarcísio de Freitas começou a campanha sem Jair Bolsonaro e sem Flávio Bolsonaro, candidato do bolsonarismo à Presidência, que abriu sua corrida em Copacabana, no Rio, e que o governador evitou nacionalizar o discurso, ao contrário de 2022. Esses veículos trouxeram ainda os números da pesquisa Genial/Quaest divulgada em 29 de julho, com 41% para o governador e 26% para o candidato petista no primeiro turno, e 48% a 32% em eventual segundo turno, além do levantamento presidencial divulgado na sexta-feira anterior, com Lula em 43% e Flávio Bolsonaro em 40%, empate técnico pela margem de erro de dois pontos. Foi também na cobertura de centro que apareceram o protesto de moradores na entrada do evento em Osasco, com rojões e palavras de ordem contra o governador e o aliado local, e a resposta do governo à denúncia de perseguição da Polícia Militar ao motorista do candidato petista: segundo o governador, o rastreamento por GPS das viaturas descarta perseguição e o caso pode ser falsa comunicação de crime, com apuração pela Polícia Civil e depoimento do motorista.
Veículos de esquerda deram tratamento diferente ao mesmo dia. Priorizaram a mensagem de lançamento do candidato petista publicada em rede social, na qual ele afirma que São Paulo pode e merece muito mais, que o estado perdeu posições na educação, enfrenta problemas na segurança e nos serviços públicos e vem crescendo menos do que o Brasil. Nessa cobertura, o diagnóstico do candidato aparece reproduzido em bloco, sem dados independentes que o sustentem ou contestem e sem reação do governo estadual, e a agenda do governador em Osasco é mencionada apenas de passagem. O eixo é a promessa de mudar prioridades e colocar as pessoas no centro das decisões, além do registro de que a candidatura foi oficializada em convenção estadual em 25 de julho, em Campinas, com Márcio França como vice.
Não houve, no conjunto de matérias reunidas sobre este primeiro dia, cobertura de veículos de direita.