Ricardo Salles desiste do Senado em São Paulo a seis dias do primeiro turno
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Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
5 fontes políticas
Como decidimos →Ponto cego: esse lado ficou de fora.
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Veículos com viés ao centro
- CNN BrasilMarina e Tebet reagem após Salles desistir da disputa pelo Senado em SPDeputado abandonou corrida pelas cadeiras de São Paulo e anunciou apoio a Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), candidatos apoiados pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos)(abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
- Jovem PanTarcísio não negociou cargos para convencer Salles a desistir do SenadoAliados afirmam que decisão do ex-ministro o reaproxima do "alto escalão da direita", com quem tinha rompido em 2024(abre em nova aba)
Nesta matéria: falácia identificada.
- Pleno NewsApós Salles desistir, Tarcísio defende “gesto” de Zema e CaiadoGovernador de São Paulo defendeu união para derrotar Lula(abre em nova aba)
Nesta matéria: falácia identificada.
- O Estado de S.PauloTarcísio não prometeu cargos, mas fez aceno ao Novo em reunião que selou desistência de SallesGovernador quer sigla mais próxima do Palácio dos Bandeirantes, enquanto candidato do Novo topou unir a direita, mas avisou que não gravará vídeo para André do Prado (PL)(abre em nova aba)
Nesta matéria: viés de centro.
Briefing
O que importa para você
- O eleitor de São Paulo escolhe dois nomes para o Senado no dia 4 de outubro, e o voto já declarado a Ricardo Salles perde efeito prático com a retirada.
- A disputa pelas duas vagas paulistas ficou entre Marina Silva, Simone Tebet, Guilherme Derrite e André do Prado, que apareciam entre 12% e 15% no último Datafolha.
- A pressão sobre Romeu Zema e Ronaldo Caiado pode reduzir o número de candidaturas na eleição presidencial antes do primeiro turno.
Onde os lados divergem
- Veículos de direita descrevem o gesto como altruísta e de responsabilidade com o país, e o apresentam como exemplo a ser seguido por Romeu Zema e Ronaldo Caiado na disputa presidencial.
- A cobertura de centro registra as objeções do campo progressista: Marina Silva fala em desrespeito ao eleitor abandonado às vésperas da votação e Simone Tebet em rendição ao Centrão, o mesmo grupo que Salles atacava no debate de 23 de setembro.
- Sobre cargos, o relato de bastidores da direita afirma que não houve nenhuma negociação, enquanto a apuração mais detalhada registra que o governador disse querer o Partido Novo mais próximo do governo paulista num eventual segundo mandato.
Onde os lados concordam
Toda a cobertura converge em três pontos: a retirada foi articulada pessoalmente por Tarcísio de Freitas ao longo da última semana e fechada no sábado, 26; o objetivo declarado é concentrar votos da direita em Guilherme Derrite e André do Prado para evitar a eleição de Marina Silva ou Simone Tebet; e Ricardo Salles estava em quinto lugar, com 4% no Datafolha, sem chance competitiva.
O que ainda está incerto
- Não está definido se o Partido Novo terá espaço no secretariado num eventual segundo mandato de Tarcísio de Freitas; os envolvidos dizem que o assunto ficou para depois da eleição.
- Não há medição do efeito real da transferência de votos, e Ricardo Salles avisou que não gravará vídeos pedindo apoio a André do Prado.
- Romeu Zema afirmou por sua assessoria que não desistirá e a campanha de Ronaldo Caiado não se manifestou.
A seis dias do primeiro turno, o deputado federal Ricardo Salles abriu mão da disputa pelas duas vagas do Senado por São Paulo e passou a apoiar Guilherme Derrite e André do Prado, nomes da chapa do governador Tarcísio de Freitas. O objetivo declarado é concentrar os votos da direita; Marina Silva e Simone Tebet criticaram a manobra.
O deputado federal Ricardo Salles, do Partido Novo, anunciou na manhã desta segunda-feira, 28 de setembro, a desistência da candidatura ao Senado por São Paulo, a seis dias do primeiro turno. O comunicado foi feito em entrevista coletiva no comitê de campanha do governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, ao lado dos candidatos ao Senado Guilherme Derrite, do PP, e André do Prado, do PL, que integram a chapa do governador. Ao deixar a corrida, Salles pediu votos para os dois. O eleitor paulista escolhe dois nomes para o Senado nesta eleição.
A reconstituição da articulação é convergente em toda a cobertura. As conversas foram conduzidas pelo próprio governador ao longo da última semana, com participação de Derrite, que tem proximidade com Salles, e a decisão foi acertada no sábado, 26. O café da manhã de segunda-feira, que reuniu os envolvidos e dirigentes do partido, selou o acordo. O argumento apresentado publicamente foi evitar que a divisão de votos no campo conservador abrisse caminho para a eleição de Simone Tebet, do PSB, ou Marina Silva, ambas ex-ministras do governo Lula. No levantamento do Datafolha divulgado na semana anterior, Salles aparecia em quinto lugar, com 4% das intenções de voto, atrás de Marina Silva, com 15%, Simone Tebet, com 14%, e André do Prado e Guilherme Derrite, com 12% cada.
Veículos de direita enfatizaram o caráter de unidade do gesto e trataram a retirada como decisão de cálculo eleitoral legítimo, não de troca. Interlocutores do governador afirmaram que não houve oferta de cargos e que esse tipo de negociação não faz parte do perfil de Tarcísio de Freitas, já criticado por atuação considerada pouco política. Nessa leitura, o deputado sai fortalecido e volta a integrar o primeiro escalão da direita, de quem se afastara ao deixar o PL em 2024, quando o partido optou por apoiar a reeleição do prefeito Ricardo Nunes. A mesma cobertura registrou o uso do episódio na disputa presidencial: o governador disse que a matemática se impõe e pediu que Romeu Zema e Ronaldo Caiado avaliem gesto semelhante para derrotar o PT já no primeiro turno. A assessoria de Zema respondeu que ele não desistirá, e a campanha de Caiado não se manifestou.
A cobertura de centro relatou o mesmo episódio com mais atenção aos efeitos e às contradições. Na reunião, o governador não prometeu cargos, mas afirmou querer o Partido Novo mais próximo do Palácio dos Bandeirantes em um eventual segundo mandato, o que deixou no ar a hipótese de a sigla ocupar espaço no secretariado; um integrante do partido se mostrou cético quanto a isso. Essa cobertura também registrou a reação das candidatas atingidas pelo rearranjo. Marina Silva afirmou que a desistência desrespeita os eleitores ao abandoná-los às vésperas da votação, num vale-tudo para conter o avanço de duas candidatas do campo progressista. Simone Tebet disse que Salles se rendeu ao Centrão e apresentou a própria candidatura como a única com independência para representar São Paulo. A crítica tem lastro no histórico recente: no debate de 23 de setembro, o então candidato chamava André do Prado de marionete do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o acusava de não ter identificação com a pauta conservadora.
Veículos de esquerda não haviam publicado cobertura própria do episódio até o momento; as objeções do campo progressista chegaram ao noticiário pelas falas das duas candidatas reproduzidas na cobertura de centro. A divergência de enquadramento, portanto, opõe quem descreve a retirada como gesto de responsabilidade coletiva do campo conservador e quem a descreve como arranjo de cúpula que anula a escolha já feita por parte do eleitorado.
O que ainda não se sabe é se o Partido Novo de fato ocupará espaço em um eventual segundo mandato do governo paulista, assunto que os envolvidos dizem ter ficado para depois da eleição, e qual será o efeito real da transferência de votos, já que Salles avisou que não gravará vídeos pedindo apoio a André do Prado. Também permanece em aberto se a pressão sobre Romeu Zema e Ronaldo Caiado produzirá desistências na disputa presidencial antes do primeiro turno.
Fontes

Aliados afirmam que decisão do ex-ministro o reaproxima do "alto escalão da direita", com quem tinha rompido em 2024

Governador de São Paulo defendeu união para derrotar Lula

Governador quer sigla mais próxima do Palácio dos Bandeirantes, enquanto candidato do Novo topou unir a direita, mas avisou que não gravará vídeo para André do Prado (PL)

Na última pesquisa Datafolha, Salles tinha 4% das intenções de voto

Deputado abandonou corrida pelas cadeiras de São Paulo e anunciou apoio a Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), candidatos apoiados pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos)