A disputa pelas duas cadeiras de São Paulo no Senado Federal chega ao início da campanha de 2026 sem favorito definido. Levantamento do instituto Paraná Pesquisas divulgado em 19 de agosto de 2026 aponta Simone Tebet com 31,1% das intenções de voto, Marina Silva com 30,1% e Guilherme Derrite com 28,2%. Como a margem de erro é de 2,4 pontos percentuais, para mais ou para menos, os três estão tecnicamente empatados. Na sequência aparecem Ricardo Salles, com 19,7%, André do Prado, com 16,8%, e Soninha Francine, com 5,8%. Outros 9,3% dos entrevistados afirmaram que votariam em branco, nulo ou em nenhum dos nomes, e 6,3% não souberam ou não quiseram responder.
A ficha técnica é convergente em todas as coberturas do caso. Foram ouvidos 1.680 eleitores em 80 municípios paulistas, entre 16 e 18 de agosto de 2026, com nível de confiança de 95%. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número SP-08913/2026, custou 50 mil reais e foi bancado pelo próprio instituto com recursos próprios. Um detalhe metodológico explica por que a soma dos percentuais ultrapassa 100%: como São Paulo elege dois senadores neste pleito, cada eleitor pode citar até dois nomes.
Há um segundo número que muda o tamanho do empate. Quando a pergunta é feita de forma espontânea, sem apresentar a lista de candidatos, 77,4% dos entrevistados não souberam ou não quiseram citar nenhum nome. Nesse cenário, Simone Tebet fica com 6,8%, Guilherme Derrite com 5,8% e Marina Silva com 5,1%. Ou seja: a corrida está embolada entre três nomes que a ampla maioria do eleitorado ainda não associa espontaneamente à disputa.
A cobertura de centro tratou o levantamento no registro de ficha técnica. Concentrou-se nos percentuais de cada candidato, na margem de erro, no tamanho da amostra, no período de campo, no registro na Justiça Eleitoral e na regra dos dois votos por eleitor, sem interpretar o resultado nem hierarquizar candidaturas. Foi também a cobertura de centro que trouxe os dados de transparência do estudo, como o custo e a origem do financiamento, e que registrou o cenário espontâneo.
Veículos de esquerda cobriram o mesmo momento eleitoral por outro ângulo, o da corrida presidencial. Destacaram a rodada nacional do instituto Quaest, primeira divulgada após as convenções partidárias de agosto, que mostra Lula com 43% e Flávio Bolsonaro com 40% no segundo turno, e 38% contra 31% no primeiro. A vantagem do presidente, que chegou a ser de oito pontos em julho, virou empate técnico de três pontos. Essa cobertura deu espaço a pesquisadores do laboratório de opinião pública da FESPSP, que atribuem a aproximação sobretudo à percepção econômica: o total de eleitores que dizem que a situação piorou nos últimos doze meses subiu de 43% para 49% em apenas nove dias. Os mesmos analistas sustentam que a rejeição acima de 50% para os dois nomes cria pisos altos e tetos baixos, comprime o espaço de uma terceira via e tende a empurrar a campanha para discursos mais emocionais e polarizadores.
Não houve, até o fechamento desta análise, cobertura de veículos de direita sobre o levantamento paulista. A leitura que costuma organizar esse campo parte de outros mesmos números: Guilherme Derrite, estreante na disputa majoritária estadual, empata com duas ex-ministras de projeção nacional; somados a Ricardo Salles e André do Prado, o campo de centro-direita ocupa fatia expressiva de um pleito em que cada eleitor tem dois votos; e, no plano nacional, a avaliação do governo federal voltou ao saldo negativo, com 48% de reprovação contra 46% de aprovação.
O que ainda não se sabe é considerável. Nenhuma das coberturas informa quem contratou o levantamento paulista além do próprio instituto, nem apresenta série histórica que permita dizer se o empate é estável ou movimento recente. Há divergência entre as coberturas sobre a legenda atual de Simone Tebet, ponto que nenhuma delas esclarece. Também não há dado sobre transferência de voto entre os dois nomes que cada eleitor pode escolher, informação decisiva num pleito de duas vagas, nem medição do efeito da propaganda eleitoral, que ainda não havia começado quando o campo foi a rua.