Juros futuros despencam com Flávio Bolsonaro à frente de Lula no 1º turno
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Resumo da cobertura
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Como decidimos →Os juros futuros abriram a segunda-feira, 5 de outubro, em forte queda depois que o senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, terminou o primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores. O Tesouro Direto atrasou a abertura das negociações, e o mercado projeta recuo das taxas, sobretudo nos vencimentos longos.
O mercado reagiu com otimismo à vantagem de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, vendo maior chance de um governo comprometido com responsabilidade fiscal, controle de gastos e agenda favorável ao setor privado. A retirada de prêmio de risco na ponta longa da curva indica que a política fiscal do governo Lula era vista como o principal entrave à queda dos juros.
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Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Nesta matéria: perspectiva omitida.
As coberturas concordam que os juros futuros caíram com força após o primeiro turno, sobretudo nos vencimentos longos, e que o mercado associa Flávio Bolsonaro a maior disciplina fiscal.
Os juros futuros abriram em forte queda no primeiro pregão após o primeiro turno, em que Flávio Bolsonaro teve 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula. O Tesouro Direto atrasou a abertura, e o mercado projeta corte maior da Selic em novembro.
Os juros futuros abriram a segunda-feira, 5 de outubro, em forte queda no primeiro pregão após o primeiro turno da eleição presidencial. O senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, terminou a votação de domingo à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, com 47,03% dos votos válidos contra 45,16%, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. Os dois voltam a se enfrentar no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
O movimento foi mais intenso nos contratos longos. A taxa do Depósito Interfinanceiro, o DI, para janeiro de 2035 caía 97 pontos-base, para 13,16%. O contrato de janeiro de 2028 recuava 77 pontos-base, para 12,735%. No mesmo dia, o Tesouro Direto, plataforma de venda de títulos públicos a pessoas físicas, não havia iniciado as negociações até as 11h05, embora normalmente abra pouco depois das 9h. Na sexta-feira anterior, o Tesouro Prefixado 2032 pagava 14,21% ao ano, e o Tesouro IPCA+ 2050, inflação mais 7,08%.
As coberturas convergem na explicação. O trecho longo da curva concentra o prêmio de risco ligado à trajetória da dívida pública e aos déficits, e o mercado vê Flávio Bolsonaro como mais propenso a priorizar o ajuste das contas. Há também expectativa de que o Banco Central corte a taxa Selic, hoje em 13,75% ao ano, em 25 ou até 50 pontos-base em novembro, caso o senador seja eleito.
A cobertura de centro relatou os números com a ressalva de que os planos de Flávio Bolsonaro para a área fiscal não estão claros, e atribuiu ao mercado a desconfiança em relação à política do atual governo. Veículos de direita enfatizaram a avaliação de gestores de que o resultado aumenta as chances de um governo mais comprometido com responsabilidade fiscal, controle de gastos e uma agenda favorável ao setor privado, ouvindo apenas profissionais do mercado financeiro. Não houve, até o momento, cobertura de veículos de esquerda sobre a reação dos juros. A leitura provável desse lado tenderia a destacar que a euforia se apoia em expectativa, não em programa apresentado, e a questionar quem arcaria com o ajuste prometido.
Um ponto técnico aparece como contrapeso. Um gestor ouvido observou que há um movimento mundial de alta nos juros, ligado ao endividamento dos governos, o que cria resistência à queda das taxas no Brasil mesmo depois de dados de emprego mais fracos nos Estados Unidos. O rendimento do título de dez anos do Tesouro americano estava estável, em 5,275%.
O que ainda não se sabe é o motivo do atraso na abertura do Tesouro Direto, quais medidas fiscais Flávio Bolsonaro de fato propõe e se a queda dos juros se sustenta até o segundo turno, cujo resultado segue em aberto.
Percepção do mercado é favorável a eleição do senador, que é visto como um nome mais propenso a priorizar o ajuste das contas públicas, ainda que seus planos não apontem claramente para isso

Analistas esperam queda das taxas, principalmente nos vencimentos longos, após Flávio Bolsonaro terminar na frente no primeiro turno, mas alertam para volatilidade e para a pressão dos juros globais.
