Na noite de quinta-feira, 16 de julho, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursou à nação para acusar a China de ter interferido nas eleições americanas de 2020, quando ele foi derrotado pelo democrata Joe Biden. Segundo Trump, o governo chinês obteve ilegalmente dados de cerca de 220 milhões de eleitores americanos, tentou fabricar cédulas em favor de Biden e omitiu informações da CIA e da Agência de Segurança Nacional sobre a suposta interferência. Ele também afirmou que o FBI identificou fraudes em formulários de registro eleitoral em Michigan e pediu que o Congresso aprove o Save America Act, projeto que exige comprovação de cidadania e documento com foto para votar. A Casa Branca publicou em seu site documentos organizados em quatro áreas: vulnerabilidades dos sistemas de votação, suposta exploração de dados eleitorais pela China, uma investigação sobre registros em Michigan e a presença de não cidadãos em cadastros eleitorais. Nem os textos nem o discurso, porém, apresentaram provas de que votos tenham sido alterados ou manipulados. Vários tribunais e recontagens já haviam concluído, em anos anteriores, que não houve fraude em larga escala nas eleições de 2020. A embaixada da China nos Estados Unidos classificou a acusação de infundada. A cobertura de centro relatou o discurso de forma factual, contextualizando que o pronunciamento ocorre poucos meses antes das eleições de meio de mandato de novembro e citando reações dos dois partidos: a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, garantiu que as falas seriam respaldadas por fatos, enquanto o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, e a deputada Alexandria Ocasio-Cortez alertaram que Trump repetiria alegações já desmentidas e pediram que as emissoras não transmitissem o discurso ao vivo. Veículos de direita enfatizaram o teor da denúncia contra a China e a convocação de Trump ao Congresso para endurecer as regras de identificação e cidadania no voto, tratando a resposta como legítima diante de uma ameaça de segurança nacional, sem aprofundar o histórico de acusações anteriores já rejeitadas por tribunais. Já a cobertura de esquerda enquadrou o episódio como mais um capítulo de discurso conspiratório, destacando a contradição entre o pedido de Trump por mais segurança eleitoral e o fato de sua própria gestão ter esvaziado a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura e desmontado a Comissão de Assistência Eleitoral, órgãos federais que ajudavam estados a proteger o processo de votação. Essa cobertura também citou críticos da proposta de lei, que temem que as novas exigências de identificação dificultem o voto de minorias, e registrou a ameaça de Trump de cassar a licença de emissoras que não transmitiram o pronunciamento. O que ainda não se sabe é o conteúdo integral e verificável dos documentos apresentados pela Casa Branca, já que trechos e nomes foram ocultados, nem se o Congresso americano vai de fato avançar com o Save America Act antes das eleições de meio de mandato em novembro.