O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta segunda-feira bombardear Omã caso o país interfira nos planos de Washington para o Estreito de Ormuz. A declaração foi feita em entrevista por telefone à emissora americana Fox News e relatada pelo repórter Trey Yingst; a emissora não divulgou o áudio da conversa. Segundo os relatos, Trump disse que, se Omã "entrar no caminho", as forças americanas atacariam o país, que é aliado dos Estados Unidos no Golfo Pérsico e cumpre há décadas o papel de mediador entre Washington e Teerã.
A ameaça chega no momento em que Irã e Omã avançam em uma negociação paralela sobre a navegação no estreito. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que os dois países chegaram a um entendimento sobre o mapa da rota de trânsito e que agora finalizam os detalhes de uma declaração conjunta. Pelo desenho divulgado, os navios entrariam por uma rota próxima à costa iraniana e sairiam pelo lado omanense, sem pagamento de tarifas ou pedágios durante um período provisório. As conversas incluem ainda segurança da navegação, proteção ambiental, serviços marítimos e combate ao crime.
Há um núcleo de fatos que atravessa toda a cobertura. A guerra começou em 28 de fevereiro, com bombardeios de Estados Unidos e Israel contra o Irã, e rompeu um processo diplomático que era mediado por Omã. Antes do conflito, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo passava por Ormuz. Washington mantém bloqueio naval contra portos e embarcações iranianas e condiciona sua suspensão a um entendimento sobre a passagem de navios. O memorando firmado entre americanos e iranianos em 17 de junho previa a normalização do trânsito, mas desmoronou semanas depois, e o prazo de 60 dias das negociações terminou nesta segunda-feira sem acordo. Na mesma entrevista, Trump confirmou manter canal direto de comunicação com a Guarda Revolucionária Islâmica, afirmou não ter prazo para encerrar a guerra e negou que sua condução esteja ligada às eleições legislativas americanas.
As ênfases mudam conforme o lado. Veículos de esquerda concentraram o relato na assimetria do episódio: um país aliado, que negou repetidamente qualquer plano de cobrar pedágio de embarcações, é ameaçado de destruição por negociar com o vizinho; deram espaço às exigências iranianas de fim do bloqueio, retirada das forças americanas e reparações pelos danos da guerra, e registraram a fala em que o presidente pede que Teerã levante uma "bandeira branca de rendição", três dias depois de dizer que declararia o estreito território americano. A cobertura de centro tratou o caso sobretudo como impasse diplomático e energético: detalhou o desenho técnico da rota, o calendário do cessar-fogo rompido, a redução do tráfego marítimo e o custo interno da guerra, incluindo a gasolina 35% mais cara nos Estados Unidos do que antes do conflito. Parte dessa cobertura acrescentou a leitura, atribuída a autoridades iranianas e americanas, de que um acordo bilateral formalizaria o controle de Teerã sobre uma via que antes era internacional e aberta, resultado descrito como derrota estratégica para a Casa Branca. Veículos de direita não apareceram no material analisado desta story, e a leitura habitual desse campo, de que a pressão é resposta legítima ao fechamento do estreito por um regime sancionado, chega ao leitor apenas pelas falas oficiais reproduzidas nas demais coberturas.
O que ainda não se sabe é se o entendimento negociado diretamente entre Teerã e Mascate atende às condições impostas pelo governo americano, já que o próprio Irã indicou que um acordo com Omã, sozinho, não bastaria para reabrir a passagem. Não há resposta pública de Omã à ameaça, nem prazo definido para a declaração conjunta entre os dois países. Também segue em aberto se a fala será convertida em ação militar ou se permanece como instrumento de pressão, e quem está por trás dos ataques com drones registrados nesta segunda-feira contra autoridades no norte do Iraque, que nenhum grupo reivindicou.