O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na noite de domingo, 14 de junho de 2026, que Washington e Teerã chegaram a um acordo para encerrar o conflito iniciado em 28 de fevereiro. A declaração foi feita em postagem na rede Truth Social, da qual Trump é dono. Nela, o presidente autorizou a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio mundial de petróleo, e a retirada imediata do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos. "Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!", escreveu.
O anúncio foi precedido pela manifestação do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou como principal mediador das negociações. Sharif informou que a cerimônia oficial de assinatura está marcada para sexta-feira, 19 de junho, em Genebra, na Suíça, e que ambos os lados declararam o fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano. Catar, Arábia Saudita e Turquia também participaram dos esforços diplomáticos. Do lado iraniano, o vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, confirmou pela TV estatal que o texto do memorando foi finalizado e que a assinatura ocorrerá na data prevista.
A cobertura de centro, de veículos como BBC, CNN Brasil, Metrópoles e Poder360, relatou os fatos com paridade de fontes e ressalvas explícitas: nem Trump nem Sharif detalharam os termos do acordo, e Teerã levou horas para se manifestar. Esses veículos registraram ainda o efeito imediato nos mercados, com o preço do petróleo Brent recuando cerca de 4% diante da perspectiva de redução das tensões geopolíticas. A cobertura central também noticiou que o tráfego marítimo no Golfo passaria a ser regulamentado pelo Irã, em coordenação com Omã, e que a assinatura chegou a ser adiada após um ataque israelense a um subúrbio de Beirute, episódio que, segundo Trump, o deixou "insatisfeito" com o premiê israelense Benjamin Netanyahu.
Veículos de direita, como Revista Oeste, Jovem Pan e InfoMoney, enfatizaram o feito diplomático de Trump e reproduziram sua fala de que "muitos presidentes tentaram fazer a paz com o Irã, e todos falharam antes de mim". Nessa leitura, a firmeza da pressão americana aparece como motor do acerto, e a reabertura de Ormuz é tratada como ganho concreto para a economia global. Esses veículos destacaram as concessões obtidas, como a preservação da integridade territorial do Líbano, o recuo de Israel da fronteira libanesa e o levantamento imediato do bloqueio marítimo ao Irã, conforme relatado pela agência iraniana Fars.
Já veículos de esquerda, como Revista Fórum e Diário do Centro do Mundo, contextualizaram o anúncio de forma mais crítica e cética. Lembraram que Trump abandonou, em 2018, o pacto nuclear firmado sob Barack Obama, decisão que levou o Irã a elevar o enriquecimento de urânio, e que o próprio presidente americano autorizou novos bombardeios em parceria com Israel antes de buscar a via diplomática. Essa cobertura ressaltou que o anúncio surpreendeu observadores internacionais, que fontes iranianas apresentaram versão divergente dos acontecimentos e que o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã ainda precisaria oficializar sua posição.
O que ainda não se sabe é o conteúdo detalhado do memorando, que nenhuma das partes divulgou integralmente. Permanecem em aberto o cronograma técnico das reuniões prévias à implementação, o alcance das garantias sobre o programa nuclear iraniano e se a assinatura de sexta-feira ocorrerá sem novos sobressaltos, dada a fragilidade demonstrada pelo adiamento provocado pelo ataque a Beirute.