O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, protagonizaram um atrito público que rapidamente virou incidente diplomático. Em entrevista por telefone ao canal italiano La7 e, depois, em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que Meloni teria implorado por uma fotografia com ele durante a cúpula do G7, realizada na França. Segundo o presidente americano, ele nem queria tirar a foto, mas teria ficado com pena dela. A primeira-ministra reagiu com indignação, classificou a versão como totalmente inventada e disse, em vídeo nas redes sociais, que nem ela nem a Itália imploram.
O episódio não ficou no terreno verbal. O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, que também é vice-primeiro-ministro, anunciou o cancelamento de uma viagem oficial aos Estados Unidos prevista para os dias 21 e 22 de junho, afirmando que as palavras graves e ofensivas de Trump ofendem toda a Itália. O presidente italiano, Sergio Mattarella, telefonou a Meloni para oferecer apoio, e figuras de todo o espectro político se manifestaram em defesa da primeira-ministra.
A cobertura de centro, como a da BBC e da CNN, relatou os fatos com paridade: reproduziu as falas de Trump, a negativa de Meloni, a reação de Tajani e o contexto do desgaste recente. Esses veículos lembraram que o relacionamento, antes próximo, se deteriorou desde que Trump foi à guerra contra o Irã. A Itália recusou autorizar o uso de uma base aérea na Sicília em operações militares americanas, e Meloni saiu em defesa do papa Leão XIV, criticado por Trump por ser, nas palavras do presidente, fraco no combate ao crime e péssimo em política externa.
Veículos de esquerda enfatizaram que Trump voltou a atacar uma aliada, destacando o que descrevem como um padrão de arrogância do presidente americano, mais conciliador com líderes adversários do que com parceiros democráticos. Para essa leitura, a provocação sobre a foto é um ato de humilhação sem provas, e a retaliação está ligada à recusa italiana de apoiar a ofensiva contra o Irã. Já veículos de direita e a cobertura próxima ao governo italiano enfatizaram a firmeza de Meloni, apresentando-a como uma líder conservadora que defende a dignidade e o interesse nacional da Itália e que conta com apoio transversal, inclusive da própria base, com Matteo Salvini afirmando que quem ataca Giorgia ataca a todos.
O que ainda não se sabe é qual versão sobre a foto corresponde aos fatos, já que nenhuma imagem divulgada confirma de forma inequívoca quem propôs o registro. Também permanece em aberto se o cancelamento da viagem de Tajani terá desdobramentos concretos na relação bilateral entre Roma e Washington ou se ficará restrito ao gesto simbólico.