O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na terça-feira, 25 de agosto de 2026, que todas as minas navais instaladas nas águas internacionais do estreito de Ormuz foram detonadas ou removidas. Em publicação na rede social Truth Social, ele disse ter sido informado pela Marinha norte-americana e advertiu que o Irã foi notificado de que qualquer navio ou embarcação que colocar novos explosivos será destruído de forma imediata e sistemática. Segundo o presidente, a Força Espacial dos Estados Unidos monitora por satélite cada centímetro quadrado da passagem, e está em vigor uma política de tolerância zero à instalação de minas.
O estreito de Ormuz é o gargalo por onde passa parte decisiva do petróleo consumido no mundo, e o anúncio não devolveu normalidade à rota. A cobertura de centro relatou que, na segunda-feira, 24 de agosto, apenas dois cargueiros transitaram pela passagem, o menor número desde maio, enquanto a média antes da guerra era de 120 a 140 navios por dia, a maioria petroleiros. O fluxo de petróleo caiu para cerca de 5 milhões de barris diários, ante mais de 20 milhões registrados antes do conflito, o equivalente a aproximadamente um em cada cinco barris consumidos globalmente. Para fechar a passagem, o governo iraniano teria empregado um arsenal de cerca de 2.000 minas navais, de contato ou ancoradas, algumas acionadas por variação de campo magnético, pressão da água ou ruído de motores, tipo de explosivo usado na região desde a guerra entre Irã e Iraque, nos anos 1980.
Os dois lados não trocam ataques aéreos contra forças militares há semanas, mas as investidas contra embarcações prosseguem. As autoridades iranianas sustentam que o estreito não será plenamente reaberto enquanto a Casa Branca não atender a exigências que incluem suspender o bloqueio naval, retirar as sanções sobre o petróleo iraniano e descongelar ativos no exterior. Na mesma terça-feira, o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr al-Busaidi, reuniu-se em Teerã com o chanceler iraniano Abbas Araghchi para discutir um plano em etapas, com a criação de um corredor temporário conjunto de navegação e um projeto conjunto de desminagem, segundo comunicado divulgado pela diplomacia omanense.
Veículos de direita enfatizaram o eixo da dissuasão. Nessa cobertura, o centro da história é a ameaça de retaliação contra quem instalar novas minas, o monitoramento por satélite e a manutenção da opção militar. Na segunda-feira, o secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, declarou que de forma alguma o governo descarta ataques cinéticos em qualquer ponto do estreito ou nos arredores do Irã, e sustentou que Teerã não conseguiria suportar a pressão econômica a que está submetido. No mesmo dia, Washington anunciou nova rodada de sanções e advertiu países e empresas que mantiverem determinadas relações econômicas com o regime iraniano. Essa cobertura também deu destaque a outra publicação do presidente norte-americano, que acusa o governo iraniano de deixar de pagar contingentes das Forças Armadas e de matar manifestantes em níveis inéditos, situação classificada por ele como crise humanitária que precisa ser interrompida.
A divergência entre as coberturas está menos no tom e mais no que cada uma coloca sobre a mesa. A cobertura de centro tratou o anúncio como um lance dentro de uma negociação ainda aberta, registrando as condições iranianas, a mediação de Omã e os números que medem o efeito prático do bloqueio. Os veículos de direita apresentaram o mesmo anúncio como demonstração de força bem-sucedida, sem a posição de Teerã, sem a via diplomática em curso e sem dados de navegação. Veículos de esquerda não cobriram o episódio no conjunto analisado, de modo que o ângulo do custo humano das sanções e da pressão sobre preços de energia em países fora do conflito ficou ausente do noticiário disponível.
O que ainda não se sabe é o essencial. A alegação de desminagem completa parte de um dos beligerantes e não foi confirmada por autoridade marítima independente. Nada foi dito sobre minas eventualmente remanescentes em águas territoriais iranianas, fora do trecho internacional citado. Também não há prazo para o corredor temporário discutido em Teerã, nem sinal de que Washington considere suspender bloqueio, sanções ou congelamento de ativos, as três exigências que o Irã coloca como condição para reabrir a passagem.