Irã mantém Estreito de Ormuz fechado após Trump reivindicar a rota para os EUA
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O prazo de 60 dias do memorando de entendimento assinado por Estados Unidos e Irã em 17 de junho terminou em 17 de agosto sem acordo definitivo. No dia seguinte, o presidente do Parlamento iraniano e principal negociador de Teerã, Mohammad Baqer Qalibaf, disse que o Estreito de Ormuz só será reaberto quando Washington encerrar o bloqueio naval aos portos iranianos, retirar as sanções sobre o petróleo, liberar ativos congelados e suspender operações militares. Horas depois, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou na Truth Social um mapa marcando o estreito como novo território americano e afirmou que a rota está aberta e operacional, sem negociações em curso. Dados de navegação mostram tráfego muito abaixo do normal.
A reivindicação de Donald Trump sobre o Estreito de Ormuz é lida como um gesto de anexação simbólica que atropela a soberania alheia e o direito internacional. Publicar um mapa em que uma rota marítima partilhada por Irã e Omã aparece como território dos Estados Unidos repete o roteiro das montagens sobre Groenlândia e Canadá divulgadas em janeiro de 2026, agora aplicado à artéria por onde circulam petróleo, gás natural e fertilizantes que abastecem países pobres e emergentes.
O que mantém o petróleo circulando não é retórica, e sim presença naval. Desde maio, a Marinha dos Estados Unidos escolta petroleiros pelo corredor sul do Estreito de Ormuz, próximo a Omã, e já auxiliou mais de mil navios, elevando o volume escoado de cerca de 4 milhões de barris por dia em junho para aproximadamente 5 milhões em julho e evitando um choque maior no preço da commodity.
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Todos os lados registram os mesmos fatos: o memorando de 17 de junho venceu em 17 de agosto sem acordo definitivo; Mohammad Baqer Qalibaf condicionou a reabertura do estreito ao fim do bloqueio naval, das sanções ao petróleo e ao desbloqueio de ativos; Donald Trump publicou um mapa tratando a rota como território americano sem qualquer ato formal correspondente; e o tráfego de navios segue muito abaixo do padrão anterior à guerra.
O prazo do acordo entre Estados Unidos e Irã terminou e o Estreito de Ormuz seguiu fechado. Teerã condiciona a reabertura ao fim do bloqueio naval e das sanções sobre o petróleo; Donald Trump afirma que a rota está aberta e publicou um mapa que a apresenta como território americano. A seguir, o que cada lado da cobertura enfatizou e o que segue sem resposta.
O Estreito de Ormuz, rota por onde passava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, voltou ao centro do confronto entre Estados Unidos e Irã depois que o prazo de 60 dias do memorando de entendimento assinado pelos dois países em 17 de junho se esgotou na segunda-feira, 17 de agosto, sem acordo definitivo. Na terça-feira, 18, o presidente do Parlamento iraniano e principal negociador de Teerã, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que a passagem só será reaberta quando Washington cumprir todos os termos combinados: fim do bloqueio naval aos portos iranianos, retirada das sanções sobre as exportações de petróleo, liberação dos ativos do país congelados no exterior e interrupção das ameaças e operações militares em todas as frentes.
Horas depois, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou na rede Truth Social uma imagem em que o estreito aparece circulado com a inscrição novo território dos EUA, sem qualquer texto acompanhando o mapa. Na sexta-feira anterior, 14, ele já havia dito em um comício em Long Island que declararia a área território americano depois de derrotar o Irã. Até agora, nenhum ato formal alterou o status jurídico da região.
A cobertura de centro relatou os dois lados do impasse sem aderir a nenhum: registrou as condições apresentadas por Qalibaf e a resposta de Trump de que não há negociações em andamento nem agendadas, que o bloqueio naval segue em pleno vigor e que a rota está aberta e operacional, com todas as minas removidas ou detonadas. Essa cobertura também lembrou que o memorando previa suspensão das operações militares e retirada do bloqueio aos portos iranianos em até 30 dias, que Trump declarou o acordo encerrado em 7 de julho e que os dois governos se acusam mutuamente de descumprimento. E contrapôs a afirmação americana aos números: apenas seis navios de commodities cruzaram a passagem na terça-feira, contra nove na segunda e uma média recente de 11 por dia, enquanto o volume de petróleo bruto e derivados caiu de 21,6 milhões de barris diários no quarto trimestre de 2025 para 4,9 milhões no segundo trimestre deste ano, segundo a agência americana de informação de energia. O petróleo Brent chegou nesta quarta-feira ao maior nível em três semanas.
Os dois lados da cobertura convergem nos fatos centrais: o memorando venceu sem substituto, o tráfego segue muito abaixo do normal, empresas de navegação evitam a região e a disputa gira em torno de quem manda na rota. Também há acordo sobre o quadro jurídico. O estreito é dividido entre águas sob soberania do Irã e de Omã, e tanto a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar quanto a Organização Marítima Internacional sustentam que países ribeirinhos não podem suspender a passagem por estreitos usados na navegação internacional. Pelo mesmo direito, uma declaração unilateral não transfere soberania a terceiros, e a Carta da ONU proíbe ameaça ou uso da força contra a integridade territorial de outros países.
A divergência começa no que cada lado escolhe iluminar. Veículos de esquerda enquadraram a publicação do mapa como provocação e escalada retórica, ligando o episódio às montagens em que Groenlândia e Canadá apareciam sob a bandeira americana em janeiro de 2026, e trataram a reivindicação como pressão sobre o comércio internacional e sobre a soberania alheia, com destaque para o papel da rota no transporte de petróleo, gás e fertilizantes. Veículos de direita foram para outro ângulo: em vez da retórica, detalharam a operação militar que, desde maio, escolta petroleiros pelo corredor sul do estreito, junto ao litoral de Omã. Segundo essa cobertura, mais de mil navios já foram auxiliados e o volume escoado subiu de cerca de 4 milhões de barris diários em junho para aproximadamente 5 milhões em julho, resultado descrito por analistas ouvidos como eficaz. A mesma reportagem mede o custo: pelo menos 15 embarcações atingidas desde junho, com dois mortos e 16 feridos, a base naval em Manama inutilizada por ataques iranianos, reabastecimento partindo de Diego Garcia a mais de cinco dias de viagem e uma frota de porta-aviões no limite da manutenção.
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