Tribunal Superior Eleitoral rejeita Foro Madrid entre 15 pedidos de observação
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Briefing
O que importa para você
- Oito missões, entre elas a Organização dos Estados Americanos e a União Europeia, acompanham o primeiro turno de 4 de outubro.
- O credenciamento exige acordo prévio com o tribunal, segundo a resolução nº 23.678, de 2021.
Onde os lados concordam
- O Tribunal Superior Eleitoral negou 15 pedidos de observação, incluindo Foro Madrid e Alternativa Democrática Nacional.
- O Foro Madrid tem ligação com o Vox, com Eduardo Bolsonaro e com Ernesto Araújo.
O que ainda está incerto
- Os motivos específicos de cada negativa, salvo o caso da Eurolat.
- Se alguma entidade barrada vai recorrer ou se manifestar.
O Tribunal Superior Eleitoral barrou 15 entidades estrangeiras que queriam observar as eleições de 2026, entre elas o Foro Madrid, ligado ao Vox e a Eduardo Bolsonaro. Oito missões, como a Organização dos Estados Americanos e a União Europeia, foram aprovadas.
O Tribunal Superior Eleitoral negou 15 pedidos de entidades estrangeiras que queriam acompanhar as eleições brasileiras de 2026 como observadoras internacionais. Entre os barrados estão o Foro Madrid, organização anticomunista ligada ao partido espanhol Vox, e a Alternativa Democrática Nacional, legenda ultranacionalista de Portugal. As negativas vieram a público na quarta-feira, 30 de setembro, a quatro dias do primeiro turno.
A lista inclui ainda a Transparencia Electoral, sediada na Argentina, a Eurolat Global Democracy Forum, a Brazilian Studies Association e um observatório eleitoral da Universidad Nacional de La Plata, entre outras. As decisões se baseiam na resolução nº 23.678, de 2021, que condiciona a presença de missões estrangeiras a um acordo prévio com o tribunal. Os critérios analisados incluem experiência em observação eleitoral, estrutura, equipe técnica, finalidade institucional ligada à democracia e o prestígio dos dirigentes.
As coberturas convergem nos vínculos do Foro Madrid com o bolsonarismo. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro está entre os signatários do manifesto de criação da entidade, lançado em 2020. O ex-chanceler Ernesto Araújo foi contratado em 2024 como assessor internacional da organização, que integra a Fundação Dissenso, do Vox.
A cobertura de centro trouxe a lista completa dos barrados e detalhou o caso da Eurolat. Segundo o tribunal, a entidade tem como chefe de missões um ex-vice-presidente das Maldivas condenado por corrupção em seu país. Outro integrante é o brasileiro Maurício Galante, vereador republicano em Arlington, no Texas, que defendeu sanções dos Estados Unidos contra empresas brasileiras após o tarifaço. A cobertura de centro também descreveu as bandeiras da Alternativa Democrática Nacional, como a deportação imediata de imigrantes ilegais.
Veículos de esquerda destacaram o caráter de extrema direita dos grupos barrados e acrescentaram as oito missões aprovadas: a Organização dos Estados Americanos, o Parlamento do Mercosul, a União Europeia, a Liga dos Estados Árabes, o Carter Center, a rede de órgãos eleitorais dos países de língua portuguesa, a União Interamericana de Organismos Eleitorais e a Rede Mundial de Justiça Eleitoral. Esses veículos lembraram que as missões acompanham preparação, votação e apuração e publicam relatórios ao final.
Até o momento, nenhum veículo de direita publicou cobertura própria sobre a decisão, o que configura um ponto cego desse lado do espectro.
Ainda não se sabe quais foram os motivos específicos de cada negativa, além do caso da Eurolat. Nenhuma das entidades barradas se manifestou nas reportagens, e não há informação sobre eventual recurso contra as decisões.
Fontes

Lista de pedidos negados pelo tribunal abrange partido ultranacionalista português e organização espanhola que tem Eduardo Bolsonaro como signatário de manifesto

Negativa do TSE atinge credenciamento de organizações estrangeiras para observar as eleições. Lista inclui grupos da Espanha e de Portugal.