Ministério Público do Trabalho soma 946 denúncias de assédio eleitoral entre turnos
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A explosão de denúncias entre os turnos mostra trabalhadores pressionados a votar de acordo com a vontade do patrão ou do chefe político, e expõe como poder econômico e máquina pública foram usados para constranger o voto. Casos como a convocação de servidores da Prefeitura de São Paulo para ato de Flávio Bolsonaro, a viagem paga para afastar eleitores de Lula das urnas em Goiás e deputadas eleitas do PL pregando a demissão de quem votou no PT reforçam a necessidade de proteção ao trabalhador.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 1.937 denúncias de assédio eleitoral até 26 de outubro, dia seguinte ao segundo turno, das quais 946 chegaram entre as duas votações; contagem atualizada no fim da tarde do mesmo dia apontou 2.009 em 2026.
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3 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: viés de centro.
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Ponto cego: esse lado ficou de fora.
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O Ministério Público do Trabalho recebeu 1.937 denúncias de assédio eleitoral até o dia seguinte ao segundo turno, 946 delas entre as duas votações. O órgão ajuizou 59 ações civis públicas e obteve 52 liminares, incluindo decisões contra a Prefeitura de São Paulo e um frigorífico em Goiás.
O Ministério Público do Trabalho, o MPT, recebeu 1.937 denúncias de assédio eleitoral até a segunda-feira, 26 de outubro, dia seguinte ao segundo turno das eleições de 2026. Desse total, 946 chegaram no intervalo entre o primeiro e o segundo turno, o que equivale a quase metade do balanço. Uma contagem atualizada no fim da tarde do mesmo dia já apontava 2.009 denúncias no ano. Segundo o órgão, a maior parte das queixas diz respeito à disputa para presidente da República.
A cobertura de centro relatou que, só em outubro, foram 1.190 relatos, alta de 115,6% em relação a setembro. São Paulo concentra 350 denúncias, seguido por Minas Gerais, com 212, e Rio de Janeiro, com 169. Mesmo com a alta, o número ficou abaixo do registrado em 2022, quando houve mais de 3,3 mil denúncias. Dados da Justiça do Trabalho mostram 863 processos sobre o tema desde maio de 2023, 233 deles em 2026. Para estas eleições, o Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, passou a proibir expressamente a propaganda e o assédio eleitoral em locais de trabalho públicos e privados.
Todas as coberturas convergem nos resultados da atuação do MPT: 59 ações civis públicas, 52 liminares, que são decisões provisórias e urgentes, e 53 termos de ajuste de conduta, acordos em que empregadores se comprometem a não interferir no voto dos funcionários. Também há acordo sobre dois casos. Em Goiás, a Justiça do Trabalho barrou a oferta do empresário Leandro Batista Nóbrega, dono do Frigorífico Goiás, de uma viagem com despesas pagas a Caldas Novas para mil apoiadores de Lula, com o objetivo de afastá-los da votação. A multa fixada foi de R$ 100 mil por trabalhador encontrado na situação. Na Bahia, a rede Total Atacado foi obrigada a adotar escala que garantisse aos empregados o direito de votar.
As ênfases variam. Veículos de esquerda destacaram a decisão que proibiu a Prefeitura de São Paulo, do prefeito Ricardo Nunes, do MDB, de coagir servidores a participar de atos políticos, após denúncia de convocação para um ato de Flávio Bolsonaro, do PL, com cobrança de fotos e ameaça de perda de cargo. A multa por descumprimento é de R$ 50 mil por dia. Na mesma linha, houve destaque para as postagens de duas deputadas estaduais eleitas pelo PL, Índia Armaleu, no Rio de Janeiro, e Jéssica Ramos Moreno, no Paraná, que sugeriram a empresários demitir funcionários apoiadores de Lula ou do PT. A demissão por orientação política é vedada pela Constituição e pela Consolidação das Leis do Trabalho. A cobertura de centro preferiu o tom de serviço, com a série histórica, a explicação das normas e o caminho para denunciar, e ressalvou que processo cadastrado não significa assédio comprovado. Veículos de direita não cobriram o balanço até o momento.
Ainda não se sabe quantas denúncias serão confirmadas, nem como os casos se dividem entre os campos políticos. Também não há registro de resposta da Prefeitura de São Paulo, do empresário de Goiás ou das deputadas citadas.
Pressão pelo voto, ameaças de demissão e exigência de participação em campanhas podem caracterizar a prática, que também ocorre por WhatsApp e redes sociais.

Balanço do MPT reúne 1.937 denúncias de assédio eleitoral. Atuação durante a campanha resultou em 59 ações e 52 liminares.

Em todo o país, o MPT ajuizou 59 ações civis públicas durante o período das eleições.