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O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, propôs a criação do Selo Acurácia Eleitoral para reconhecer os institutos de pesquisa que mais se aproximarem dos resultados oficiais das eleições de outubro. A ideia surgiu em reunião com representantes de 16 institutos, após o TSE suspender uma pesquisa presidencial da AtlasIntel. A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) criticou a proposta, argumentando que pesquisas medem intenção de voto no momento da coleta, e não fazem previsões de resultado.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, propôs nesta terça-feira (14) a criação do Selo Acurácia Eleitoral, um reconhecimento aos institutos de pesquisa que mais se aproximarem dos resultados oficiais das eleições de outubro. A sugestão foi apresentada durante reunião com representantes de dezesseis institutos de pesquisa, convocada para discutir novas regras de divulgação de levantamentos depois que o TSE suspendeu uma pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República feita pela AtlasIntel. Segundo o ministro, o selo busca valorizar boas práticas e o aperfeiçoamento técnico das pesquisas, reconhecendo publicamente as empresas com maior aderência aos resultados nas urnas. Após o anúncio, o TSE abriu prazo até esta sexta-feira (17) para receber sugestões sobre os critérios que vão definir os vencedores.
A cobertura de centro relatou o episódio de forma factual, apresentando tanto a justificativa do TSE quanto a reação imediata do setor de pesquisa. A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) criticou publicamente a proposta, argumentando que pesquisas eleitorais medem a intenção de voto no momento em que são realizadas, e não fazem previsões nem promessas de resultado. Para a entidade, cobrar que um levantamento 'acerte' o resultado final é confundir ciência com adivinhação, já que entre a entrevista e a votação eleitores mudam de opinião, deixam de votar ou alteram o comportamento.
Veículos de esquerda destacaram um ângulo adicional: o próprio ministro Nunes Marques é alvo de acusações de ter suspendido a pesquisa da AtlasIntel que apontava queda de Flávio Bolsonaro (PL), o que levanta dúvidas sobre a neutralidade da iniciativa. Essa cobertura deu peso especial ao argumento da ABEP de que seria preocupante a Justiça Eleitoral assumir o papel de 'árbitro' da qualidade técnica das pesquisas, defendendo que essa avaliação deveria caber à comunidade científica e aos próprios institutos, com base em metodologia, desenho amostral e transparência, não em acerto do resultado depois do fato. Também foi ressaltado o risco de um 'incentivo perverso': institutos com menos rigor metodológico poderiam ajustar seus números na reta final da campanha para se aproximar do consenso e concorrer ao selo, distorcendo a própria pesquisa.
Não houve, até o fechamento desta reportagem, cobertura direta de veículos de direita sobre o episódio. A leitura mais provável desse espectro seguiria em direção parecida à crítica da esquerda quanto à neutralidade do TSE, mas por outro caminho: valorizaria a lógica de mercado embutida na ideia de premiar institutos mais precisos, ao mesmo tempo em que desconfiaria de o Judiciário eleitoral ampliar sua influência sobre a atividade privada dos institutos de pesquisa, tema recorrente nas críticas de direita ao tribunal.
O que ainda não se sabe é como serão definidos, na prática, os critérios técnicos do Selo Acurácia Eleitoral, quem participará da comissão avaliadora e se a proposta será de fato votada e implementada antes do pleito de outubro. Também não está claro se o TSE vai rever os parâmetros que levaram à suspensão da pesquisa da AtlasIntel em paralelo à discussão do novo selo.
Esquerda e centro convergem nos fatos centrais: o TSE propôs um selo de acurácia para institutos de pesquisa e a ABEP reagiu, defendendo que pesquisas medem intenção de voto e não são previsões, além de alertar contra a Justiça Eleitoral atuar como árbitro da qualidade técnica das pesquisas.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
O relato da proposta e da crítica da ABEP é factual, mas o mesmo texto embute, junto à matéria, apelos editoriais do veículo ('a ameaça bolsonarista não foi derrotada', 'avanço da extrema-direita') e concentra mais espaço na voz crítica da ABEP do que na justificativa do TSE, configurando enquadramento de esquerda.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
O texto expõe a proposta do ministro Nunes Marques com a justificativa oficial e, na sequência, dedica espaço equivalente à réplica da ABEP, sem adjetivar nenhum dos lados — enquadramento típico de cobertura de centro.
Perspectivas omitidas
Ponto cego: esse lado ficou de fora.
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.


Exigir que um levantamento 'acerte' o resultado é confundir ciência com bola de cristal, criticou associação
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