O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, antecipou o retorno de uma viagem aos Estados Unidos, onde acompanhava a Copa do Mundo, para tentar apagar o incêndio dentro da família Bolsonaro. Em 30 de junho de 2026, ele se reuniu separadamente com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e com o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República. O objetivo, segundo a cobertura de centro, era pacificar a relação depois que Michelle divulgou vídeos afirmando ter sido humilhada, apunhalada e desrespeitada pelo enteado em uma conversa sobre articulações do partido.
As reuniões tiveram um desdobramento inesperado. Ao fim do encontro, Michelle comunicou a Valdemar que deixaria a presidência do PL Mulher, cargo que ocupava desde o início de 2023. Em nota, disse que a decisão foi tomada após refletir com Jair Bolsonaro e que pretende se dedicar integralmente aos cuidados do ex-presidente e da filha. Valdemar, por sua vez, publicou uma nota afirmando que as divergências não enfraquecem o partido, mas o tornam mais maduro, e que o PL segue focado em retirar o governo atual.
Sobre os fatos centrais há convergência entre os veículos. A cobertura de centro, como a do Poder360, relatou de forma factual a reunião, o pedido de desculpas de Flávio e a tentativa de Valdemar de reduzir a tensão, registrando também que Michelle chegou a voltar a defender a união e a negar desentendimento com o enteado. Todos os lados reconhecem que a saída de Michelle do PL Mulher ocorreu no auge da crise e às vésperas das convenções partidárias.
As divergências aparecem no enquadramento. Veículos de esquerda, como o ICL Notícias e o Brasil 247, destacaram que a renúncia deixa Flávio sem palanque feminino no momento em que precisa unificar a direita e conquistar as eleitoras conservadoras e evangélicas. Esses veículos deram peso à fala do aliado Paulo Figueiredo, que afirmou que mulheres votam estatisticamente mal, e à reação da petista Gleisi Hoffmann, que classificou a declaração como desrespeitosa e ligada a um projeto de submissão das mulheres. A esquerda também lembrou os problemas judiciais dos filhos de Jair Bolsonaro, com Eduardo foragido nos Estados Unidos e Flávio respondendo a processos, para sustentar a leitura de que Michelle surge como herdeira natural do espólio eleitoral da família. Um dos artigos ainda conectou o episódio a uma ofensiva jurídica: o PT protocolou ações contra Flávio e o PL após uma carta do secretário de Estado americano Marco Rubio.
Um enquadramento mais favorável ao campo bolsonarista, ecoado pela cobertura de direita, tende a ler os mesmos fatos como uma divergência familiar contornável: Flávio pediu desculpas, Valdemar agiu com rapidez, e Michelle apresentou sua saída como decisão pessoal, não como rompimento. Nessa leitura, o PL mantém a unidade e a pré-candidatura presidencial de pé.
O que ainda não se sabe é o alcance real do estrago eleitoral e as intenções de Michelle. As matérias levantam a hipótese de que ela pode mirar 2026, preservar capital para 2030 ou apenas recusar o papel de cabo eleitoral do enteado, sem que nenhuma fonte confirme o rumo. Também permanecem sem resposta os desdobramentos das ações movidas pelo PT sobre a carta de Rubio e a real dimensão das tensões envolvendo o nome de Daniel Vorcaro e o Banco Master, mencionadas por um dos veículos.