O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, saiu em defesa da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Em evento de lançamento de pré-candidaturas do partido em Goiás, no fim de junho de 2026, Valdemar afirmou que o nome de Flávio partiu do ex-presidente Jair Bolsonaro. "Flávio foi escolhido pelo presidente Jair Messias Bolsonaro. Bolsonaro sempre faz a melhor escolha", declarou o dirigente.
A declaração veio num momento delicado para o campo bolsonarista. Dias antes, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou vídeos no Instagram dizendo ter sido desrespeitada e maltratada por Flávio em uma conversa por telefone, depois de criticar a articulação do PL para fechar palanque com Ciro Gomes no Ceará. Segundo Michelle, Flávio teria dito que ela deveria ficar fora das decisões do partido. O atrito expôs uma divisão dentro da família e do próprio PL.
A cobertura de centro relatou os fatos com paridade entre as versões. Veículos como o Poder360 e o g1 registraram que Valdemar antecipou sua volta de Miami ao Brasil por considerar o episódio "muito sério" e que pretende conversar tanto com Michelle quanto com Flávio para conter a crise. Esses veículos também destacaram a fala de Valdemar segundo a qual Flávio estaria "com a eleição quase empatada com Lula", a cerca de cem dias do primeiro turno, e registraram que Michelle voltou às redes para dizer que "não há briga, nem competição" entre aliados.
Veículos de direita enfatizaram a reafirmação da candidatura e a organização eleitoral do PL. A cobertura ligada ao campo conservador reproduziu sem ressalvas a avaliação positiva de Valdemar sobre o governo Bolsonaro e destacou o lançamento de chapas estaduais, como a de Goiás, contornando o conflito familiar e tratando-o como episódio a ser superado em nome da unidade da direita.
Veículos de esquerda, por sua vez, deram peso a outro desdobramento: a denúncia protocolada por parlamentares do PSOL na Procuradoria-Geral da República. A vereadora Mariana Conti, de Campinas, e a deputada federal Sâmia Bomfim pediram a apuração de condutas de Flávio e do irmão, Eduardo Bolsonaro, em razão de reuniões reservadas realizadas em Washington com autoridades dos Estados Unidos, entre elas o presidente Donald Trump, o vice J.D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio. A petição invoca o artigo 359-K do Código Penal, que pune a entrega não autorizada de documentos secretos a governo estrangeiro que possa colocar em risco a soberania nacional, e cita um ofício enviado por Flávio a Rubio agradecendo a designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos EUA. O recorte adotado por essa cobertura enfatiza soberania, segurança nacional e accountability penal, sem trazer a defesa dos Bolsonaros, que afirmaram aguardar posicionamento.
O que ainda não se sabe é como a PGR tratará a denúncia do PSOL e se haverá abertura formal de investigação. Também permanece em aberto se Valdemar conseguirá costurar a reconciliação entre Michelle e Flávio e qual será o impacto eleitoral da crise sobre a pré-candidatura, num cenário em que o próprio PL admite começar a disputa "perdendo em casa" caso o atrito não seja resolvido.