O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, marcou uma reunião para esta terça-feira, 30 de junho, com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, em um encontro que pode definir o papel dela na pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro em 2026. O objetivo declarado é pacificar a crise aberta depois que Michelle divulgou, em 24 de junho, um vídeo de 26 minutos com críticas públicas ao enteado.
A cobertura de centro, baseada em despachos da Agência O Globo e da CNN Brasil, relatou que Valdemar antecipou o retorno de férias nos Estados Unidos para assumir pessoalmente a condução da crise. Segundo esses veículos, o ponto central da divergência está na formação da chapa do PL no Ceará e na disputa por uma vaga ao Senado. No vídeo, Michelle afirmou ter sido tratada com hostilidade por Flávio, dito ter sido orientada a não interferir nas decisões do partido e relatado ter se sentido humilhada.
Todos os lados convergem em alguns fatos. A reunião acontece dias antes do início das convenções partidárias, e há consenso de que Michelle é considerada um ativo importante junto ao eleitorado feminino, segmento em que pesquisas apontam maior dificuldade para a candidatura de Flávio. Também é ponto comum que Valdemar reafirmou, em evento do PL em Goiás, a candidatura presidencial do senador, lembrando que Flávio foi escolhido por Jair Bolsonaro. Após a divulgação do vídeo, Flávio fez um apelo pela união da direita e pediu desculpas à madrasta, e Michelle afirmou depois não guardar raiva de ninguém.
As ênfases de cobertura, porém, divergem. Veículos de direita, como O Antagonista, destacaram a fala de Valdemar de que, se o partido perder Michelle, a eleição ficará muito difícil, enquadrando a articulação como esforço legítimo para manter a direita unida e fortalecer a candidatura escolhida por Bolsonaro. A cobertura de centro relatou os mesmos fatos de forma mais distanciada, detalhando os bastidores da reunião e o contexto eleitoral, inclusive a menção a Romeu Zema como possível vice e a pesquisas que mostram cenários apertados no segundo turno. Já uma leitura de esquerda tende a enfatizar a instrumentalização de Michelle como ativo eleitoral, a centralização das decisões em torno do clã Bolsonaro e de Valdemar, e os relatos da ex-primeira-dama de ter sido silenciada dentro do partido.
O que ainda não se sabe é o resultado da conversa. Não há confirmação de que Michelle participará da reunião de Flávio com lideranças femininas conservadoras, e os próprios aliados admitem que, sem um gesto de reaproximação, a crise pode permanecer aberta justamente no segmento mais estratégico para 2026. O conteúdo exato das tratativas sobre a vaga ao Senado no Ceará também segue sem detalhamento público.