Os candidatos à Presidência da República cumpriram agendas separadas em 18 de agosto de 2026, segundo dia de campanha, com compromissos concentrados em Brasília, São Paulo e Belo Horizonte. O evento que reuniu o maior número de presidenciáveis foi a sabatina promovida pela União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços, a Unecs, na capital federal. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, e a candidata Samara Martins, da UP, não tiveram agenda pública no dia.
Na sabatina, Ronaldo Caiado, do PSD, criticou o modelo aprovado da Contribuição sobre Bens e Serviços, a CBS, que a partir do ano que vem substitui os impostos federais PIS, Cofins e parte do IPI, e disse que, se eleito, apresentará uma proposta de emenda à Constituição para limitar o gasto público a um percentual do Produto Interno Bruto, hoje, pela conta dele, entre 40% e 50%. Renan Santos, do Missão, apresentou um corte de R$ 200 bilhões em despesas públicas como condição para a queda dos juros e afirmou ser contrário ao fim da escala de trabalho 6x1, projeto que, na avaliação dele, elevaria custos e provocaria fechamento de empresas. Augusto Cury, do Avante, defendeu ajustes na reforma tributária sob o argumento de que comércio e serviços respondem por 70% da economia brasileira.
Flávio Bolsonaro, do PL, não compareceu à sabatina e foi representado pelo candidato a vice, Alfredo Gaspar, e pelo coordenador da campanha, Rogério Marinho. Ele passou a manhã em um adesivaço em Belo Horizonte, ao lado do deputado Nikolas Ferreira, e anunciou em entrevista de rádio a redução do número de ministérios de 39 para 23, além de corte de cargos comissionados. O candidato também prometeu reduzir tarifas sobre a exportação de petróleo e sobre as peças usadas na construção de data centers, hoje tributadas em 25%. Romeu Zema, do Novo, esteve em São Paulo com famílias de pessoas viciadas em apostas e afirmou que seu primeiro ato como presidente seria acabar com as plataformas de apostas online.
A cobertura de centro tratou o dia como agenda de serviço, com horário, endereço e evento de cada compromisso, e restringiu a corrida a cinco nomes: o presidente candidato à reeleição, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos. Veículos de esquerda fizeram o caminho oposto e publicaram um retrospecto com doze candidaturas, dando espaço equivalente às propostas de Edmilson Costa, do PCB, que defende revogar as reformas trabalhista e previdenciária e auditar a dívida pública, de Hertz Dias, do PSTU, que quer controle público sobre energia, infraestrutura e tecnologia, e de Rui Costa Pimenta, do PCO, que propõe reestatizar empresas privatizadas e reduzir a jornada para 35 horas semanais sem corte de salário. Nessa cobertura entraram ainda Clariana Barão, da Democracia Cristã, com pautas de igualdade salarial e combate ao feminicídio, Pablo Marçal, do PRTB, com descentralização do poder econômico, e Wilson Grassi, do Democrata, com filas do SUS e causa animal.
A divergência entre os dois registros não está nos fatos, e sim em quem conta como parte da disputa e em qual dimensão da campanha merece manchete: o calendário dos favoritos ou o conteúdo programático do conjunto dos candidatos. Veículos de direita não publicaram cobertura própria deste dia de campanha no material reunido, de modo que as propostas de redução do Estado, do teto de gasto atrelado ao Produto Interno Bruto ao enxugamento de ministérios, aparecem aqui apenas como declaração dos candidatos, sem a leitura editorial que esse campo costuma dar ao tema.
O que ainda não se sabe é o essencial. Nenhum dos candidatos que prometeu cortar despesa indicou quais programas, órgãos ou benefícios seriam atingidos, e o corte de R$ 200 bilhões e a fusão de dezesseis ministérios não vieram acompanhados de cálculo. Também não há detalhamento sobre o instrumento legal que extinguiria as plataformas de apostas online, nem sobre como ficaria a arrecadação hoje gerada pelo setor. Por fim, as campanhas não explicaram por que o presidente candidato à reeleição e a candidata da UP ficaram sem agenda pública, e não há confirmação de que todos os eventos anunciados na véspera tenham de fato ocorrido.