O governo brasileiro enviou neste sábado (27 de junho) um terceiro voo da Força Aérea Brasileira com ajuda humanitária à Venezuela, em resposta aos terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 que atingiram o país vizinho na quarta-feira (24) e deixaram cerca de 920 mortos e milhares de feridos, segundo as autoridades venezuelanas. A aeronave decolou da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, transportando kits de medicamentos e o módulo complementar para a instalação de um hospital de campanha. A operação foi autorizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação, vinculada ao Ministério das Relações Exteriores.
A cobertura de centro relatou que, ao todo, o Brasil prevê enviar cinco kits de calamidade, somando 111,8 mil medicamentos e insumos, quantidade suficiente para atender cerca de 1.500 pessoas durante um mês. O governo federal fez questão de afirmar que as doações ao país vizinho não comprometem os estoques do Sistema Único de Saúde. O primeiro voo brasileiro pousou na noite de sexta-feira (26) na Base Militar da Força Aérea Venezuelana El Libertador, em Maracay, levando médicos, cães farejadores e uma equipe de Busca e Resgate Urbano. Um segundo voo, também neste sábado, transportou um hospital de campanha e purificadores de água.
A força-tarefa brasileira reúne 36 militares especializados em busca e salvamento, vindos dos corpos de bombeiros de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, além de técnicos da Defesa Civil Nacional e da Agência Nacional de Telecomunicações, que utilizam equipamentos para localizar sinais de celulares sob os escombros. Reportagens destacaram o histórico das equipes brasileiras em missões anteriores, como o terremoto do Haiti, em 2010, o rompimento da barragem de Brumadinho, em 2019, e o terremoto na Turquia e na Síria, em 2023.
Veículos de esquerda enfatizaram o caráter solidário e a coordenação da resposta do governo Lula, apresentando a mobilização como expressão do papel do Estado brasileiro e da cooperação entre os povos da América Latina. O enquadramento valorizou a determinação imediata de uma força-tarefa ao Itamaraty e a capacidade do aparato público de salvar vidas além das fronteiras. Veículos de direita, por sua vez, tenderam a enfatizar a eficiência operacional das Forças Armadas e dos bombeiros estaduais, com governadores como Tarcisio de Freitas, de São Paulo, colocando suas equipes à disposição de forma imediata, e a importância da garantia de que a ajuda não afetaria o abastecimento de medicamentos para os brasileiros.
A Venezuela, sob a presidente encarregada Delcy Rodríguez, decretou estado de emergência nacional e pediu assistência à comunidade internacional. Os tremores, seguidos de cerca de 20 réplicas, provocaram desabamentos de edifícios em Caracas e em outras cidades, com a área de La Guaira declarada zona de desastre. O que ainda não se sabe é o número final de vítimas, que pode crescer à medida que avançam as buscas, nem o tempo total de permanência das equipes brasileiras no país, inicialmente previsto em torno de 15 dias. Também não há, no material divulgado, detalhamento sobre o custo total da operação para os cofres públicos brasileiros.