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O governo federal definiu em reunião no Palácio do Planalto, nesta terça-feira, as prioridades legislativas da semana de esforço concentrado no Congresso. Na Câmara, a meta é votar o PL da Misoginia, que equipara a misoginia ao crime de racismo, e destravar seis medidas provisórias com a instalação das comissões especiais. No Senado, o governo quer avançar com a PEC do fim da escala 6x1, a PEC da Segurança Pública e o projeto das terras raras. Deputados e senadores têm apenas dois períodos de sessões presenciais antes das eleições gerais.
Com apenas dois períodos de sessões presenciais antes das eleições, o Executivo reuniu ministros e líderes no Planalto para escolher o que tenta aprovar agora. A lista inclui o projeto que equipara misoginia ao crime de racismo, a proposta que encerra a escala 6x1 e seis medidas provisórias sem comissão instalada.
O governo federal definiu, em reunião no Palácio do Planalto na manhã desta terça-feira, a lista de prioridades legislativas para a semana de esforço concentrado no Congresso Nacional. Participaram do encontro os ministros da Secretaria de Relações Institucionais, da Fazenda e do Planejamento e Orçamento, além dos líderes do governo e do partido do presidente na Câmara e no Senado. O objetivo declarado é destravar seis medidas provisórias e aprovar o Projeto de Lei 896/2023, conhecido como PL da Misoginia, que equipara condutas motivadas por ódio ou discriminação contra mulheres ao crime de racismo, tornando a prática inafiançável e imprescritível, com pena de dois a cinco anos de prisão.
As seis medidas provisórias tratam de crédito extraordinário para a defesa civil em áreas atingidas por desastres, redução de alíquotas de imposto de importação sobre remessas postais internacionais, alteração do Código de Trânsito para moto-frete e mototáxi, redução de prazo para inclusão de processos no programa de gerenciamento de benefícios do INSS, criação do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica e adicional de fronteira para servidores em localidades estratégicas. O governo pretendia definir nesta quarta-feira a instalação e a composição das comissões especiais que analisarão os textos, com indicações próprias para presidência e relatoria, de modo a viabilizar a votação em setembro. No Senado, a lista prioritária tem a proposta de emenda que põe fim à escala de trabalho 6x1, a PEC da Segurança Pública e o projeto de lei das terras raras.
A cobertura de centro relatou o quadro pelo lado da engrenagem parlamentar: reproduziu a lista de participantes da reunião, a numeração de cada medida provisória, o horário do encontro com o colégio de líderes da Câmara e o registro de que a bancada evangélica resiste ao PL da Misoginia, o que dificulta o acordo para a votação. Essa mesma cobertura situou o esforço concentrado no calendário eleitoral, lembrando que deputados e senadores terão apenas dois períodos de sessões presenciais antes das eleições gerais, o desta semana e o de 31 de agosto a 3 de setembro, e registrou que o líder do governo na Câmara classificou o projeto complementar dos combustíveis como cheio de jabutis, defendendo mais diálogo antes da votação.
Veículos de esquerda destacaram sobretudo a redução de jornada. Em entrevista, o ministro da articulação política afirmou que o fim da escala 6x1 é a prioridade das prioridades do governo, sustentou que o tema já teria consenso na sociedade brasileira e disse que, mesmo tendo partido do Executivo, virou conquista coletiva. Nessa leitura, o PL da Misoginia e o pacto contra o feminicídio aparecem como resposta do Estado à violência de gênero, e a pressão pública pelo avanço do texto na Câmara é tratada como legítima. O mesmo ministro admitiu que, se a proposta de jornada não for votada, ela integrará o programa de governo para a disputa presidencial.
Veículos de direita não publicaram cobertura própria sobre esta reunião. A leitura habitual desse campo, a partir dos mesmos fatos, enfatizaria o custo da agenda e a sobreposição entre governo e campanha: a mudança de jornada pesa sobre empregadores em ano eleitoral, a compensação tributária dos combustíveis compromete receitas extraordinárias do petróleo, e o próprio líder do governo reconhece jabutis no relatório. Também ganharia relevo a fragilidade da base, já que a retomada da articulação ocorreu depois de um jantar entre o presidente da República e o presidente do Senado, que passaram quase três meses sem se falar desde a rejeição da indicação do advogado-geral da União ao Supremo Tribunal Federal. Segundo o líder do partido do governo na Câmara, o encontro foi extremamente amistoso e institucional.
O que ainda não se sabe é o essencial. Não há confirmação de que o PL da Misoginia será pautado nesta semana, nem acordo fechado com a bancada que resiste ao texto. A pauta do Senado dependia de reunião com o presidente da Casa, e o próprio governo admite risco na sessão remota, que dispensa a presença física do parlamentar. Também não estão públicos os nomes indicados para presidir e relatar as comissões das seis medidas provisórias, nem qualquer estimativa oficial de impacto econômico do fim da escala 6x1 ou do custo fiscal da desoneração dos combustíveis.
O PL da Misoginia torna crimes de ódio contra mulheres inafiançáveis e imprescritíveis, com pena de dois a cinco anos. As medidas provisórias em jogo mexem no imposto de importação de remessas postais, no prazo de análise de benefícios do INSS, nas regras de moto-frete e mototáxi e na avaliação da formação médica. A PEC da escala 6x1 muda a jornada de quem trabalha seis dias por um de folga.
A cobertura de esquerda trata o fim da escala 6x1 como pauta com consenso social e conquista coletiva, dando a palavra apenas ao governo. A cobertura de centro descreve a mesma agenda como negociação em aberto, registra a resistência da bancada evangélica ao PL da Misoginia e os jabutis apontados no projeto dos combustíveis, obstáculos ausentes da versão governista.
As duas coberturas convergem em que o governo concentrou a articulação numa reunião no Planalto, que o PL da Misoginia é a prioridade na Câmara e que a PEC do fim da escala 6x1, a PEC da Segurança e o projeto das terras raras encabeçam a lista no Senado. Também há acordo de que a janela de votação é curta por causa do calendário eleitoral.
Não há confirmação de que o PL da Misoginia entrará na pauta nem acordo com a bancada que resiste ao texto. A pauta do Senado dependia de reunião com o presidente da Casa e da viabilidade da sessão remota. Também não foram divulgados os nomes para presidência e relatoria das comissões das medidas provisórias, nem estimativas oficiais de impacto do fim da escala 6x1.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
O material é uma entrevista sem contraditório, com enquadramento de conquista coletiva do trabalhador: a redução de jornada é apresentada como 'prioridade das prioridades' e 'conquista de toda a sociedade', vocabulário típico de direitos do trabalho e proteção social. O veículo intercala apelos de apoio financeiro ao próprio jornalismo e caixas de campanha ao longo do texto, reforçando o alinhamento editorial. As afirmações do ministro sobre viabilidade da votação são reproduzidas sem checagem junto ao comando das Casas.
Perspectivas omitidas
Falácias identificadas
Veículos com viés ao centro
O texto descreve a agenda do Executivo sem vocabulário valorativo: enumera as seis medidas provisórias por número e objeto, lista os presentes na reunião e atribui as avaliações políticas a quem as fez ('cheio de jabutis' aparece entre aspas, atribuído ao líder do governo na Câmara). O trecho sobre a distensão entre Lula e o presidente do Senado é relatado com a causa do afastamento (rejeição da indicação ao STF) sem tomar partido. O enquadramento eleitoral aparece como contexto ('de olho nas eleições'), não como acusação.
Veículos com viés à direita
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.

Prioridades da gestão petista foram definidas durante reunião com ministros e líderes no Palácio do Planalto na manhã desta terça (11/8)

Governo Lula vai pressionar, em reunião com Alcolumbre, pela votação do fim da escala 6x1, da PEC da Segurança e do PL das Terras Raras. Na Câmara, a prioridad…
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Perspectivas omitidas



