O vereador de São Paulo Senival Pereira de Moura, do PT, pediu afastamento do partido após ser preso na Operação Última Parada, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo. Em seu sexto mandato na Câmara Municipal, onde ocupa os cargos de primeiro-secretário da Mesa Diretora e de presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica, ele é apontado pelos investigadores como uma das figuras centrais de um suposto esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital, o PCC.
Segundo a investigação, a empresa de ônibus Transunião Transportes, que presta serviço à capital paulista, teria sido usada para ocultar patrimônio e movimentar recursos da facção criminosa. O próprio diretório municipal do PT confirmou, em nota, que recebeu neste sábado o pedido de afastamento da filiação. O vereador justificou o pedido pela necessidade de se dedicar à defesa e de não vincular os últimos acontecimentos ao partido.
A cobertura de centro, representada pelo G1, detalhou a mecânica da operação e a trajetória do parlamentar. A reportagem relatou que Senival construiu sua atuação política na Zona Leste após trabalhar com antigos operadores de transporte alternativo, os chamados perueiros, durante a regularização do setor no início dos anos 2000, e que sua relação com o transporte de passageiros remontaria a linhas clandestinas exploradas ainda na década de 1970. Veículos de esquerda, como o Brasil 247, deram amplo espaço às notas oficiais: enfatizaram que se trata de prisão temporária em investigação em curso, sem condenação, e reproduziram a manifestação da defesa, que recebeu a decretação da prisão com profunda indignação e afirma que ficará demonstrada a inexistência de qualquer conduta ilícita.
Os ângulos de cobertura divergem na ênfase. A cobertura de esquerda destacou as garantias constitucionais, o contraditório e o devido processo legal invocados pelo PT, além do compromisso do partido de encaminhar o caso à Comissão de Ética, que pode resultar em afastamento cautelar ou expulsão. Já uma leitura à direita tende a sublinhar a gravidade de um parlamentar que presidia justamente a comissão fiscalizadora do setor de transportes ser acusado de operar a lavagem de recursos do crime organizado por meio de uma empresa contratada pela cidade, e a ler o pedido de afastamento como tentativa de blindar a legenda. Todos os veículos convergem nos fatos centrais: a prisão, o cargo, a empresa investigada e o pedido de afastamento.
O vereador permanece preso. A defesa, pelo advogado Márcio Sayeg, afirma que está tomando providências para prestar os esclarecimentos à Justiça e sustenta a inocência. Ainda não se sabe o desfecho da investigação, eventuais novas fases da operação, nem quais medidas a Comissão de Ética do PT adotará. Também não há, até aqui, detalhamento público sobre o volume de recursos supostamente movimentados e o tempo de duração do suposto esquema.