Um vídeo que circula nas redes como prova de uma reunião recente entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, é antigo e não tem relação com a crise atual da Corte. A conclusão é de uma checagem de fatos que classificou a postagem como enganosa. Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, em duas versões do mesmo texto.
Segundo a postagem, Lula teria se encontrado com Fachin antes da sessão que julgaria o ministro Alexandre de Moraes. Depois do encontro, Fachin teria decidido tirar do ministro André Mendonça a relatoria da investigação sobre relações suspeitas de Moraes com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A publicação também dizia que as imagens teriam sido divulgadas por um agente de inteligência infiltrado.
A checagem apurou que as imagens foram registradas em 2 de fevereiro de 2026, nos bastidores da sessão solene de abertura do ano do Judiciário. O vídeo original foi publicado por um portal de notícias na época. Ele mostra Lula chegando à antessala do plenário ao lado de Fachin e conversando com os ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes, que estava acompanhado da esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes. No Facebook, a postagem enganosa somou 573 mil visualizações e 12 mil interações. Outras agências de checagem chegaram à mesma conclusão.
O vídeo ganhou força em meio a uma crise real no Supremo. Mendonça acusa Moraes de manter relações suspeitas com Vorcaro, preso por crimes financeiros. A tensão começou em 31 de agosto, quando Mendonça retirou parcialmente o sigilo do caso Master e tornou públicas conversas entre Moraes e o banqueiro. O material incluiu a perícia da Polícia Federal sobre um contrato de 131 milhões de reais entre o escritório de Viviane Barci de Moraes e o banco. Em 3 de setembro, Moraes pediu a Fachin uma investigação contra Mendonça por suposta parcialidade. Em 12 de setembro, Fachin assumiu a relatoria do processo que apura a conduta de Moraes. A sessão de 15 de setembro sobre o tema foi interrompida por um pedido de vista de Flávio Dino.
A reportagem registra que não existem registros de reuniões recentes de Lula com integrantes do Supremo para tratar da crise. Em manifestações públicas, o presidente defendeu que a Corte julgue em conjunto as acusações contra Moraes e Mendonça, e disse que a crise no tribunal contamina o processo eleitoral em andamento.
Como a cobertura veio de fonte única, não há contraste entre leituras de lados diferentes sobre este episódio específico. O texto trata o caso de forma factual, sem adjetivação, e se concentra em datar as imagens e reconstituir a cronologia da crise.
Ainda não se sabe quem produziu e impulsionou a postagem enganosa, nem se as plataformas tomaram alguma providência sobre o conteúdo. Também segue em aberto o desfecho do julgamento no Supremo sobre a conduta de Moraes, suspenso pelo pedido de vista.