Vídeo de Lula com Fachin e Moraes é de 2 de fevereiro, não da crise no STF
Relato de fonte única, atribuído a O Estado de S.Paulo. Esta cobertura não compara posições do espectro político.

Resumo da cobertura
Uma publicação com forte circulação nas redes sociais apresentou um vídeo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao lado de ministros do Supremo Tribunal Federal como o registro de uma reunião recente com o presidente da Corte, Edson Fachin, feita antes da sessão que julgaria Alexandre de Moraes. A verificação concluiu que a peça é enganosa: as imagens foram gravadas em 2 de fevereiro de 2026, nos bastidores da sessão solene de abertura do ano do Judiciário, e foram divulgadas originalmente por um portal jornalístico, não por um agente de inteligência infiltrado, como alegava o post. Não há registro de encontros recentes de Lula com integrantes do tribunal para tratar da crise institucional em curso.
A publicação que circula nas redes apresenta como flagrante recente um vídeo gravado em 2 de fevereiro de 2026, na abertura do ano do Judiciário. Nele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversa com Edson Fachin, Flávio Dino e Alexandre de Moraes. Não há registro de encontros recentes do presidente com ministros do Supremo Tribunal Federal para tratar da crise em curso na Corte.
Um vídeo em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece ao lado de ministros do Supremo Tribunal Federal voltou a circular nas redes sociais apresentado como o flagrante de uma reunião recente com o presidente da Corte, o ministro Edson Fachin, realizada antes da sessão que julgaria a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. Segundo a postagem, depois desse encontro Fachin teria retirado do ministro André Mendonça a relatoria da apuração sobre a relação de Moraes com Daniel Vorcaro, dono do banco Master. A verificação do material concluiu que a alegação é enganosa.
As imagens são autênticas, mas não são recentes. Foram gravadas em 2 de fevereiro de 2026, nos bastidores da sessão solene de abertura do ano do Judiciário, e o registro original foi publicado por um portal jornalístico, e não vazado por um suposto agente de inteligência infiltrado na cerimônia, como afirmava a publicação. No vídeo, Lula chega à antessala do plenário acompanhado de Fachin e conversa com os ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes, este ao lado da mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes. Até o momento, apenas um veículo cobriu essa checagem, de modo que a reconstituição do caso vem de uma cobertura de fonte única, que registra 573 mil visualizações e 12 mil interações da postagem analisada no Facebook e informa que o mesmo conteúdo foi checado por outras três organizações de verificação.
O que dá combustível à peça é a crise institucional em curso no Supremo. A escalada foi deflagrada em 31 de agosto, quando Mendonça retirou parcialmente o sigilo do caso do banco Master, então sob sua relatoria, e tornou públicas conversas entre Moraes e o banqueiro, parte delas já divulgada anteriormente. O material trouxe a perícia da Polícia Federal sobre um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de Viviane Barci de Moraes e o Master. Em 3 de setembro, Moraes pediu a Fachin a abertura de investigação sobre Mendonça por suposta parcialidade e seleção de provas no vazamento, acusando o colega de improbidade, abuso de autoridade e crime de responsabilidade.
A disputa reorganizou processos dentro do tribunal. Em 12 de setembro, Fachin decidiu assumir a relatoria do processo que apura a conduta de Moraes; dias antes, já havia retirado de Moraes e assumido a condução do inquérito das fake news, em tramitação há sete anos. A sessão plenária de 15 de setembro, convocada para decidir sobre a investigação contra Moraes, foi interrompida sem conclusão após pedido de vista de Flávio Dino. Os ministros Dias Toffoli, Luiz Fux e Nunes Marques também tiveram seus nomes envolvidos no caso Master. Vorcaro está preso por crimes financeiros à frente do banco.
Nesse cenário, a checagem registra que não existem registros de reuniões recentes de Lula com integrantes do Supremo para tratar da crise. O presidente manifestou-se publicamente sobre o tema para defender que a Corte julgue de forma conjunta as acusações contra Moraes e contra Mendonça, e afirmou que a crise no tribunal contamina tudo no processo eleitoral em andamento. São declarações públicas, não encontros fechados, e é justamente essa lacuna que a publicação enganosa preenche com um vídeo de sete meses antes.
Como a cobertura é de fonte única, não há, neste momento, enquadramentos concorrentes de veículos de esquerda, de centro ou de direita sobre a checagem em si para comparar: o que existe é a verificação factual do vídeo e a cronologia documentada da crise.
O que ainda não se sabe: quem produziu e quem impulsionou a publicação que recontextualizou o vídeo, e se houve pagamento para ampliar seu alcance. Também segue aberto o desfecho das acusações recíprocas entre Moraes e Mendonça, sem data definida para a retomada do julgamento interrompido pelo pedido de vista, e sem definição sobre o pedido de julgamento conjunto dos dois casos. Nenhuma fonte informou até aqui se as plataformas removeram, rotularam ou reduziram a distribuição do conteúdo depois das checagens.
Briefing
O que importa para você
- O vídeo que circula é real, mas foi gravado em 2 de fevereiro de 2026, na abertura do ano do Judiciário, e não mostra reunião sobre a crise atual.
- A postagem enganosa já somava 573 mil visualizações e 12 mil interações no Facebook quando foi checada.
- O processo que apura a conduta de Alexandre de Moraes está sob relatoria de Edson Fachin desde 12 de setembro, e o julgamento no plenário segue parado após pedido de vista de Flávio Dino.
O que ainda está incerto
- Quem produziu e quem impulsionou a publicação que recontextualizou o vídeo, e se houve impulsionamento pago.
- Quando o plenário do STF retoma o julgamento interrompido e se as acusações contra Alexandre de Moraes e André Mendonça serão julgadas em conjunto.
- Se as plataformas removeram, rotularam ou reduziram a distribuição do conteúdo após as checagens.
Fontes

Não há registro de reuniões recentes do presidente no Supremo em meio à crise no Tribunal



