O pré-candidato à Presidência da República Renan Santos, do Partido Missão e ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), anunciou o tenente-coronel da reserva Aroldo Medina como seu companheiro de chapa para a eleição de 2026. O anúncio foi feito em um evento do partido em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, onde Medina, até então pré-candidato ao Senado, ofereceu uma medalha ao candidato e aceitou o convite. À cobertura de centro coube o registro factual do perfil do novo vice: Medina tem 62 anos, é natural de Sant'Ana do Livramento (RS), é jornalista e já disputou seis eleições sem nunca ter se elegido, passando por partidos como PL, PFL, PRP, PSD e PV. Em 2024, candidatou-se a vereador de Porto Alegre pelo PL e declarou patrimônio de R$ 1,3 milhão à Justiça Eleitoral.
Os três campos de cobertura convergem em pontos básicos. Renan Santos aparece distante nos primeiros lugares das pesquisas e tenta viabilizar uma candidatura que se apresenta como alternativa à dicotomia entre Lula e Jair Bolsonaro. A um mês das convenções partidárias, dos cinco nomes mais bem posicionados, Lula e Ronaldo Caiado já haviam definido seus vices, enquanto Flávio Bolsonaro e Romeu Zema ainda negociavam.
É no significado da escolha que a cobertura diverge. Veículos de esquerda destacaram que Medina participou de atos antidemocráticos após as eleições de 2022 e visitou o acampamento golpista montado em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, de onde partiram os autores dos ataques de 8 de Janeiro. Segundo essa cobertura, vídeos gravados em dezembro daquele ano mostram o militar enaltecendo os chamados 'patriotas', registrando pedidos de intervenção das Forças Armadas e tratando como legítimos os apelos por revisão do processo eleitoral e pelo acionamento do chamado 'poder moderador' da caserna. Essa cobertura também lembra que, após o 8 de Janeiro, Medina publicou uma nota condenando os atos, mas sem detalhar quem teriam sido os autores.
Veículos de direita, por sua vez, enfatizaram a narrativa de renovação apresentada pela própria campanha. Nesse enquadramento, Medina é um ex-filiado ao PL que rompeu com Bolsonaro por 'vários erros estratégicos', sobretudo na condução da saúde pública, e passou a defender uma nova via conservadora fora dos dois principais nomes. Renan o descreveu como um 'paciente zero' de uma migração consciente do eleitorado, uma figura do universo militar do sul do país capaz de mostrar que os eleitores não precisam ficar presos à polarização. Ao final do encontro, o militar propôs dar status ministerial aos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica e extinguir o Ministério da Defesa, defendendo interlocução direta do presidente com os comandantes para combater o crime organizado.
A cobertura de centro relatou o anúncio sem aderir a nenhum dos enquadramentos, situando Medina no tabuleiro das chapas presidenciais e reconstruindo seu longo histórico eleitoral. O que ainda não se sabe é como o passado do vice repercutirá sobre a candidatura de Renan ao longo da pré-campanha, se a chapa será de fato homologada na convenção do Missão e se o anúncio alterará a posição do candidato nas pesquisas de intenção de voto, nas quais ele ainda aparece distante dos primeiros colocados.