O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, abriu sua campanha eleitoral no domingo, 16 de agosto de 2026, e terminou o dia em São Januário, no Rio de Janeiro, onde o atacante Neymar autografou a camisa da Seleção Brasileira que ele vestia. O encontro ocorreu antes da partida entre Vasco e Santos pelo Campeonato Brasileiro e reuniu, além do candidato e do jogador, o presidente do Vasco, Pedrinho, e Douglas Ruas (PL-RJ), candidato ao governo do estado. Vascaíno declarado, o senador acompanhou a derrota do time da casa por três a zero, com gols de Luan Peres, Willian Arão e Gabigol.
Horas antes, o candidato havia feito o ato de abertura da campanha na orla de Copacabana. O evento começou às dez horas e reuniu cerca de 8,9 mil pessoas, segundo levantamento do Monitor do Debate Político da USP em parceria com o Cebrap e com a organização More in Common. Do carro de som, o senador exaltou o legado do pai, Jair Bolsonaro, mas evitou se igualar a ele, ao dizer que é difícil comparar o filho com o Pelé. Afirmou ainda que o pai nunca foi uma ameaça à democracia, criticou a corrosão do poder de compra e o endividamento das famílias sob o governo Lula, prometeu classificar facções criminosas como narcoterroristas caso seja eleito e defendeu o vice de sua chapa, Alfredo Gaspar, de acusação de estupro apresentada pelo deputado federal Lindbergh Farias e pela senadora Soraya Thronicke.
Os dois relatos disponíveis convergem no essencial: a data, o local, o autógrafo na camisa verde e amarela, a presença dos dois candidatos do PL no estádio e o histórico de aproximação entre o atacante e a família Bolsonaro, que veio a público na campanha de 2022, quando o jogador divulgou vídeo com coreografia de música da campanha à reeleição.
A diferença está no recorte. A cobertura de centro tratou o episódio como registro de agenda: descreveu o encontro no estádio, nomeou quem estava presente e ancorou o fato no antecedente de 2022, sem avaliar o peso eleitoral do gesto nem detalhar o conteúdo do discurso da manhã. Já os veículos de direita ampliaram o dia inteiro, encadeando o comício, o número de público aferido por levantamento acadêmico, as promessas de segurança pública, a crítica à economia e a defesa do vice, com as falas do candidato reproduzidas sem contraditório no mesmo texto. Veículos de esquerda não cobriram o episódio no conjunto analisado até o fechamento desta edição, e o ângulo que esse campo costuma acionar, o uso publicitário da imagem de um atleta e a gravidade da acusação que pesa sobre o vice da chapa, ficou fora do noticiário disponível.
O que ainda não se sabe é se Neymar pretende declarar apoio formal a alguma candidatura em 2026 ou se o autógrafo foi apenas cortesia de vestiário: nenhuma das coberturas traz manifestação do jogador, do Santos ou do Vasco sobre o uso eleitoral da cena dentro do estádio. Também não há resposta de Alfredo Gaspar nem réplica dos parlamentares que fizeram a acusação, nem qualquer indicação de que a Justiça Eleitoral tenha sido acionada a respeito do episódio. Por fim, não há dado que permita medir efeito da estreia sobre a intenção de voto. A campanha seguiria para Juiz de Fora, em Minas Gerais, com motociata e comício previstos no local onde Jair Bolsonaro foi atacado a faca em 2018.