Flávio Bolsonaro atribui à produtora repasse de R$ 8,5 milhões ao Dark Horse
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Os novos números reforçam a leitura de que o dinheiro de um banco sob suspeita irrigou um projeto ligado à família Bolsonaro enquanto o sistema financeiro já acendia alertas. O repasse de R$ 8,5 milhões saiu em 16 de setembro de 2025, poucos dias depois de o Banco Central negar a venda do Banco Master ao BRB, e apenas oito dias depois de o senador Flávio Bolsonaro cobrar parcelas atrasadas por mensagem. A delação premiada de Antonio Carlos Freixo Junior descreve movimentação de cerca de R$ 1,3 bilhão para Daniel Vorcaro, entregue em malas de dinheiro vivo, e aponta que a mesma estrutura enviou recursos ao fundo do filme. Para essa leitura, atribuir a resposta à produtora é fuga de prestação de contas por quem negociou pessoalmente os valores.
Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou um repasse adicional de US$ 1,6 milhão, cerca de R$ 8,5 milhões na cotação da época, feito pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao Havengate Development Fund, fundo que administra os recursos do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
A leitura à direita separa o financiamento privado de um filme das acusações que cercam o Banco Master e cobra rigor institucional de quem investiga. Flávio Bolsonaro afirma que sabia apenas que Daniel Vorcaro era investidor e que a prestação de contas cabe à Go Up Entertainment, produtora do longa-metragem, que já encomendou laudo pericial.
5 fontes políticas
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Todos os lados aceitam que houve um repasse adicional de US$ 1,6 milhão, cerca de R$ 8,5 milhões, ao Havengate Development Fund em 16 de setembro de 2025, elevando o total pago por Daniel Vorcaro ao projeto para US$ 12,3 milhões. Também há acordo de que o Supremo Tribunal Federal autorizou inquérito da Polícia Federal em julho e de que Flávio Bolsonaro negociou os repasses por mensagens.
Um relatório do Coaf identificou um repasse adicional de US$ 1,6 milhão, cerca de R$ 8,5 milhões, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao fundo que financia o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. O total pago chega a US$ 12,3 milhões. Flávio Bolsonaro afirma que a produtora deve responder, enquanto a Polícia Federal investiga o caso por autorização do Supremo Tribunal Federal.
Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf, identificou um repasse adicional de US$ 1,6 milhão, equivalente a cerca de R$ 8,5 milhões na cotação da época, feito pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao Havengate Development Fund, o fundo sediado nos Estados Unidos que administra os recursos do filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. A transferência foi feita em 16 de setembro de 2025 e eleva o total já pago ao projeto de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões, com indícios de mais um pagamento em outubro daquele ano.
O caso alcança diretamente a campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro, que já vinha desgastado pela divulgação de áudios em que pede R$ 61 milhões ao então dono do Banco Master para finalizar a obra. Questionado no Senado, onde presidiria sessão da Comissão de Segurança Pública, o senador afirmou que não trata do assunto e que a resposta cabe à Go Up Entertainment, produtora do longa-metragem. Disse saber apenas que o ex-banqueiro era investidor.
A cobertura de centro relatou os fatos com o mesmo eixo documental: origem no relatório do Coaf, data da transferência, conversão dos valores e o registro de que a assessoria do senador não respondeu até o fechamento das reportagens. Esses veículos também anotaram um dado factual incômodo para o parlamentar: foi ele quem negociou os repasses por mensagens trocadas diretamente com o ex-banqueiro, e a nova transferência contradiz sua declaração anterior de que o último pagamento havia ocorrido em maio de 2025.
Os três lados convergem em pontos centrais. Ninguém contesta a existência do repasse, o valor, a data ou o fato de o dinheiro ter ido para um fundo nos Estados Unidos. Também há acordo sobre o estágio judicial do caso: em julho, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a abertura de inquérito pela Polícia Federal para apurar os repasses, depois de parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet, provocado por solicitação do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. Uma das linhas da apuração é se os recursos bancaram despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde ele vive desde fevereiro de 2025, o que ele nega.
A divergência aparece no enquadramento. Veículos de esquerda deram peso à delação premiada firmada em 8 de agosto pelo empresário Antonio Carlos Freixo Junior, dono da Entre Investimentos, que afirmou à Procuradoria-Geral da República ter movimentado cerca de R$ 1,3 bilhão para o ex-banqueiro entre 2020 e 2025, com entregas em malas contendo de R$ 1 milhão a R$ 1,5 milhão. Segundo esse relato, a mesma empresa serviu de canal para repassar recursos ao fundo do filme, por ordem do ex-banqueiro e a pedido do senador. Para essa leitura, remeter as explicações à produtora é fuga de prestação de contas de quem negociou pessoalmente os valores, num período em que o Banco Central já havia negado a venda do banco ao BRB.
Veículos de direita enfatizaram a defesa do senador e a contra-agenda que ele abriu no mesmo dia. Além de sustentar que a produtora detém as respostas e já encomendou laudo pericial, o parlamentar cobrou a renúncia do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, citando relação profissional anterior com o ex-banqueiro e a revelação de mensagens em que o empresário pede ao ministro que interceda junto ao chefe da Polícia Federal e ao procurador-geral para travar as investigações sobre o banco. Nessa cobertura, o senador também criticou a decisão do ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral, que suspendeu a campanha de um adversário por irregularidade cadastral, dizendo ser contra a censura, e anunciou visita ao ex-assessor Filipe Martins, preso por envolvimento na trama golpista.
O que ainda não se sabe é o essencial. Não há detalhamento público sobre o destino final do dinheiro depois de chegar ao fundo administrado pelo advogado Paulo Calixto, e o laudo pericial encomendado pela produtora não esclarece pontos relevantes do caminho dos recursos. O próprio delator afirmou não saber se os valores enviados aos Estados Unidos financiaram alguém especificamente. A delação ainda depende de homologação: o ministro André Mendonça marcou audiência para 8 de setembro para avaliar a voluntariedade do acordo, que prevê multa de cerca de R$ 2 bilhões. Nem a produtora nem as defesas dos principais citados apresentaram versão detalhada até agora.
Go Up Entertainment entrega 25 mil páginas à PF e diz que material comprovará destino correto dos recursos de “Dark Horse”.

O empresário Antonio Carlos Freixo Junior, o "Mineiro", dono da Entre Investimentos, firmou delação premiada com a Procuradoria-Geral da República em 8 de


Revista piauí publicou que um relatório do Coaf indica umum novo pagamento do banqueiro para o filme ‘Dark Horse’ em setembro de 2025, após cobranças do senador

Informações constam de reportagem da revista Piauí publicada nesta terça-feira (1°)
