Pesquisas eleitorais divulgadas entre o fim de junho e a primeira semana de julho de 2026 mostram um cenário de desgaste crescente para a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém vantagem nas simulações de primeiro e segundo turno. Segundo a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada no início de julho, 48,4% dos eleitores dizem temer mais um eventual governo de Flávio Bolsonaro do que uma nova gestão de Lula, apontada por 42,4%. Até abril os dois nomes apareciam empatados nesse quesito; a partir de junho o senador passou à frente, com seis pontos percentuais de distância.
Os artigos do período convergem sobre as causas do desgaste. Em maio, veio à tona que Flávio Bolsonaro recebeu 61 milhões de reais de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, hoje preso por fraude financeira, para custear a produção de um documentário sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. No mesmo período, a candidatura enfrentou uma crise pública depois que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou, em 24 de junho, um vídeo em que relatou se sentir desrespeitada pelo enteado. A pesquisa Meio/Ideia, divulgada em 8 de julho, mostra que mais da metade dos entrevistados ficou sabendo do episódio e que a maioria considerou as falas de Michelle mais verdadeiras do que falsas.
Ainda segundo a Meio/Ideia, Lula lidera o primeiro turno com 40,4% das intenções de voto, contra 32% de Flávio Bolsonaro, e vence os dois principais cenários de segundo turno: 45% a 40% contra o senador e 45% a 36% contra Michelle Bolsonaro, caso ela seja a candidata do PL. A vantagem de Lula é puxada pelo eleitorado feminino, entre o qual o presidente tem mais de 16 pontos de vantagem, enquanto Flávio Bolsonaro lidera entre os homens.
Veículos de esquerda, como Revista Fórum e CartaCapital, destacaram a fala do ator Wagner Moura, feita em Lisboa, de que uma vitória de Flávio Bolsonaro seria "uma tragédia" para o Brasil, e deram ênfase ao alerta do ator sobre risco de interferência dos Estados Unidos no pleito, por meio do apoio do presidente Donald Trump ao senador. Esses veículos também classificaram a candidatura de Flávio e Michelle Bolsonaro como representante da "extrema-direita" ao descreverem o possível impacto eleitoral do vídeo de Michelle.
A cobertura de centro, como a da coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo, relatou de forma factual que 73% dos eleitores de Flávio Bolsonaro usam redes sociais como principal fonte de informação, ante 65% dos eleitores de Lula que preferem a televisão, sem atribuir juízo de valor às diferenças de comportamento.
Já a cobertura de direita, como a da coluna de José Casado na Veja e a da Crusoé, enfatizou os números internos do eleitorado bolsonarista: Flávio Bolsonaro é considerado o político mais leal ao pai por 79% desse público, à frente de Michelle Bolsonaro (54%), e é a escolha preferida de 81,9% dos eleitores de Bolsonaro para representar a direita na disputa presidencial, ante 14,7% que preferem Michelle.
O que ainda não se sabe é como a campanha de Flávio Bolsonaro pretende reverter a curva de queda registrada desde maio, nem qual será a resposta oficial do senador às acusações envolvendo o Banco Master. Também não há dados públicos sobre como Michelle Bolsonaro reagiu a aparecer atrás do enteado nos rankings de lealdade ao pai. Faltam três meses para o primeiro turno das eleições, previsto para outubro.