Uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada em 2 de julho de 2026 colocou o senador Flávio Bolsonaro (PL) no centro do debate eleitoral a três meses do primeiro turno. O levantamento aponta que 48,4% dos eleitores temem uma eventual vitória do senador na disputa presidencial de outubro, ante 42,4% que temem a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Outros 8,9% dizem temer igualmente os dois resultados, e apenas 0,3% não souberam opinar. A pesquisa ouviu 4.999 eleitores entre 26 e 30 de junho, com margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%, e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04582/2026.
A cobertura de centro relatou os números de forma direta: pela primeira vez o senador aparece à frente de Lula como o candidato mais temido, movimento que até abril não existia — os dois estavam empatados nesse quesito. O mesmo levantamento traz recortes sobre o universo bolsonarista, como a preferência por Flávio em relação à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e um ranking de lealdade a Jair Bolsonaro.
Veículos de direita enfatizaram justamente esse ângulo interno do campo bolsonarista. Destacaram que 81,9% dos eleitores de Bolsonaro preferem Flávio como candidato da direita, contra apenas 14,7% que apontam Michelle, e que o senador é visto por 79% desses eleitores como o político de maior lealdade ao pai, à frente de Eduardo Bolsonaro, Nikolas Ferreira e do governador Tarcísio de Freitas. Nesse enquadramento, a maioria dos bolsonaristas discorda da decisão de Michelle de expor uma crise familiar nas redes sociais, e o núcleo do movimento se mantém coeso em torno do sobrenome.
Parte da cobertura de direita, no entanto, adotou tom analítico e crítico à candidatura. Colunas falaram em 'desidratação eleitoral' de Flávio, associando a queda à revelação, em maio, de que o candidato teria pedido e recebido 61 milhões de reais de Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master, preso por fraudes financeiras, e à crise pública com Michelle Bolsonaro, que afirmou se sentir humilhada e desrespeitada pelo senador. Nesse recorte, a rejeição a Flávio cresceu sobretudo entre o eleitorado feminino.
Veículos de esquerda ampliaram a dimensão política do momento a partir de uma declaração do ator Wagner Moura, feita em Lisboa em 1 de julho. Moura afirmou que uma vitória de Flávio seria 'uma tragédia' para o Brasil, declarou apoio a Lula e pediu mobilização da sociedade civil. Criticou a aparente impermeabilidade do senador às denúncias de corrupção e alertou para o risco de interferência dos Estados Unidos no pleito, tendo como vetor o apoio de Donald Trump ao candidato do PL. Para essa cobertura, os dados da pesquisa confirmam uma rejeição consolidada à extrema-direita.
As interpretações divergem, portanto, no significado dos mesmos números. Enquanto a esquerda lê a pesquisa como recado antibolsonarista e alerta democrático, a direita se divide entre reforçar a coesão do eleitorado fiel a Flávio e reconhecer, em tom de accountability, o desgaste provocado pelos casos de corrupção e pela crise familiar. O que ainda não se sabe é se essa tendência se consolidará até outubro, qual será a resposta de Flávio e do PL às acusações do caso Banco Master, e se Michelle Bolsonaro seguirá como alternativa dentro do próprio campo.