Relatório da PF aponta assimetria de prazos e rigor de Mendonça entre investigados
2 veículos de esquerda · 3 veículos de centro

Usamos identificadores pseudônimos para operar e melhorar o serviço. Aceitar habilita medições opcionais.Medimos audiência e uso com identificadores pseudônimos, em infraestrutura própria, para operar e melhorar o serviço (legítimo interesse). Aceitar habilita também analytics opcionais de terceiros, mapa de calor e medição de anúncios. Consulte nossa Política de Cookies.
2 veículos de esquerda · 3 veículos de centro

Relatórios de inteligência da Polícia Federal enviados ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, apontam indícios de tratamento desigual do ministro André Mendonça a investigados de campos políticos opostos no caso do Banco Master e na apuração de fraudes no INSS. O documento compara prazos de despacho: nove dias em medida envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA), 29 dias no caso do senador Ciro Nogueira (PP-PI) e 75 dias em procedimento relacionado a Cláudio Castro (PL), do Rio de Janeiro. A própria corporação registra que a série é reduzida e seletiva, com variáveis de confusão não controladas, que o material é de difusão restrita e que não tem valor probatório. Moraes usou o relatório para encaminhar ao presidente do Supremo, Edson Fachin, queixa contra Mendonça por suposto abuso de poder e crime de responsabilidade.
Para o enquadramento à esquerda, os números do relatório escancaram o que já se suspeitava sobre a atuação de André Mendonça no Supremo Tribunal Federal: rigor acelerado quando o investigado é do campo governista e lentidão quando o alvo é aliado da direita.
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.
5 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: falácia identificada.
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.
Toda a cobertura reproduz os mesmos números do relatório: 9 dias no caso de Jaques Wagner, 29 no de Ciro Nogueira e 75 no de Cláudio Castro. Também há convergência de que a Polícia Federal classificou a correlação entre prazo e perfil do investigado como indiciária e de baixa confiança, por amostra reduzida e variáveis de confusão não controladas, e de que Alexandre de Moraes usou o material para acionar André Mendonça junto à Presidência do Supremo Tribunal Federal.
Um relatório de inteligência da Polícia Federal entregue a Alexandre de Moraes compara o tempo que André Mendonça levou para despachar medidas contra investigados de campos políticos opostos. A diferença entre 9 e 75 dias virou peça de uma queixa formal no Supremo Tribunal Federal, enquanto a própria corporação classifica o dado como indiciário e sem valor probatório.
Um relatório de inteligência da Polícia Federal entregue ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, aponta indícios de que o ministro André Mendonça tratou de forma desigual investigados de campos políticos opostos. O documento veio a público depois de Moraes encaminhar ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, uma queixa contra Mendonça por suposto abuso de poder e crime de responsabilidade, e passou a ocupar o centro de uma crise aberta dentro do tribunal.
O núcleo da comparação é o tempo de apreciação. Segundo o relatório, Mendonça levou nove dias para despachar material relativo ao senador Jaques Wagner (PT-BA) no caso do Banco Master, 29 dias em medida envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e 75 dias em procedimento relacionado a Cláudio Castro (PL), do Rio de Janeiro. Um segundo pedido ligado a Castro levou 46 dias, e cautelares referentes ao Instituto de Previdência de Maceió passaram de 53 dias. Para os investigadores, a dispersão é expressiva e sugere correlação entre o tempo de apreciação e o perfil do investigado.
A própria corporação limita o alcance dessa conclusão, e o ponto aparece em toda a cobertura. O material é de difusão restrita, não tem valor probatório, não apura conduta e não imputa infração a magistrado. A amostra é descrita como reduzida e seletiva, com variáveis de confusão não controladas, e os intervalos incluem o tempo em que os casos ficaram na Procuradoria-Geral da República, além de recessos e fases de maior concentração de processos. O documento diz textualmente que o dado, no estado atual, é indiciário, e classifica a hipótese de motivação política como de baixa confiança.
Além dos prazos, o relatório levanta outros pontos. A Polícia Federal avalia que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), constituiria provável alvo estratégico, por sua força política e pelo controle da pauta de pedidos de impeachment de ministros do Supremo. Aponta variação no patamar de exigência probatória entre os casos dos senadores Weverton Rocha (PDT-MA) e Ciro Nogueira, com registro sobre a chamada emenda Master, proposta que elevaria de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite do Fundo Garantidor de Crédito. E registra que uma peça reuniu menções a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem lastro probatório, enquanto Mendonça teria manifestado, em reunião de 13 de agosto, percepção favorável sobre a atuação de ACM Neto (União), candidato ao governo da Bahia.
A cobertura de centro concentrou-se na descrição do documento e nas ressalvas formais da própria Polícia Federal, detalhando a tabela de prazos, a ausência de valor probatório e a decisão do presidente do Supremo de transferir os dois casos para a Presidência da Corte. Veículos de esquerda enfatizaram o resultado prático da comparação, tratando os prazos como benefício a aliados da direita e destacando as menções sem provas ao filho do presidente como sinal de orientação investigativa não declarada. Veículos de direita não aparecem no conjunto de matérias reunido até o momento, de modo que a leitura que costuma vir desse campo, a de que um documento de inteligência sem valor probatório não deveria servir de base para acusar um ministro, não está representada na cobertura analisada.
Segue sem resposta o que André Mendonça alega sobre cada um dos prazos comparados, já que as manifestações atribuídas a ele foram relatadas por servidores e ainda não foram reduzidas a termo. Também não se sabe qual será o encaminhamento da queixa apresentada por Alexandre de Moraes, se haverá abertura formal de procedimento contra o ministro, quem tornou acessível um relatório de difusão restrita, e se o quadro comparativo de condutas, provas e estágio de cada apuração recomendado pela própria Polícia Federal chegará a ser produzido.
Relatório da PF citado por Alexandre de Moraes aponta referências sem lastro a Lulinha em documentos ligados ao caso INSS.

Relatório compara atuação do ministro nos casos envolvendo filho do presidente Lula e ACM Neto

Relatório de inteligência da Polícia Federal aponta desigualdade entre os citados em relação ao tempo de apreciação e perfil do investigado

PF apontou diferença entre prazos de André Mendonça em materiais ligados a Jaques Wagner, Ciro Nogueira e Cláudio Castro.

Em relatório enviado a Moraes, PF aponta que houve uma variação no patamar de exigência entre os casos dos senadores Weverton Rocha (PDT-MA) e Ciro Nogueira (PP-PI).

Nesta matéria: perspectiva omitida.