A menos de três meses do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro, apenas duas das treze pré-candidaturas à Presidência da República já definiram quem serão seus candidatos a vice. O quadro, comum a toda a cobertura, mostra que as coligações ainda estão em formação e que as definições devem se acelerar com a chegada das convenções partidárias.
Os dois nomes fechados são conhecidos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, confirmou ainda em março a manutenção de Geraldo Alckmin, do PSB, como companheiro de chapa na tentativa de reeleição. Já o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, do PSD, oficializou o presidente do partido, Gilberto Kassab, como seu vice, formando o que os veículos chamaram de dupla puro-sangue da sigla.
A cobertura de centro, como a do g1, relatou de forma factual o cenário das demais chapas. O senador Flávio Bolsonaro, do PL, mantém a preferência por uma mulher para compor a chapa, e a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, filiada ao Republicanos, aparece como favorita, embora a escolha dependa de negociação com o partido. Entre os nomes cotados também surgem as deputadas Júlia Zannatta, Bia Kicis e Simone Marquetto. O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, do Novo, negocia com o empresário Geraldo Rufino e mantém conversas com o Podemos, apesar de resistências internas. O ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, cotado pela Democracia Cristã, ainda busca alianças, segundo o presidente da legenda, João Caldas.
Há diferenças de ênfase entre os veículos. Veículos de direita, como o SpaceMoney, destacaram a força administrativa e partidária da dupla Caiado-Kassab e enquadraram a preferência de Flávio Bolsonaro por uma vice mulher como cálculo estratégico para ampliar a competitividade da candidatura. A leitura mais próxima da esquerda tende a enfatizar a estabilidade e a coesão da aliança Lula-Alckmin, definida com antecedência, em contraste com a fragmentação e a disputa por espaço no campo da direita, dividido entre treze pré-candidaturas sem projeto comum consolidado.
O calendário eleitoral é o mesmo para todos. As convenções partidárias ocorrem entre 20 de julho e 5 de agosto, com registro das candidaturas na Justiça Eleitoral até 15 de agosto. A campanha começa oficialmente em 16 de agosto, o horário eleitoral gratuito vai de 26 de agosto a 4 de outubro, e o eventual segundo turno está marcado para 25 de outubro.
O que ainda não se sabe é a composição final da maioria das chapas. As definições de vice de Flávio Bolsonaro, Zema, Joaquim Barbosa e dos demais pré-candidatos dependem de negociações partidárias que só devem se consolidar nas próximas semanas, à medida que as convenções se aproximam. Integrantes das pré-campanhas ouvidos pelas reportagens afirmam que as principais decisões devem ser tomadas nos próximos dias.