Em 3 de julho de 2026, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que o ex-presidente Jair Bolsonaro entregasse à Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, em até 48 horas, todas as dez armas de fogo registradas em seu nome. Na mesma decisão, Moraes revogou o Certificado de Registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador e o porte de arma do ex-presidente, mas manteve a prisão domiciliar humanitária concedida em março, agora por tempo indeterminado, em razão da melhora no quadro de saúde de Bolsonaro.
A decisão veio depois de uma pistola registrada em nome de Bolsonaro ter sido apreendida em 15 de junho, durante uma blitz em Brasília, no carro de um militar responsável por sua segurança. A Polícia Civil do Distrito Federal concluiu que o ex-presidente não teve responsabilidade direta no episódio, mas indiciou o militar.
A cobertura de centro, publicada por CNN Brasil, Poder360 e Metrópoles, relatou em detalhe o trâmite posterior: a defesa de Bolsonaro informou ao STF que oito das dez armas estavam sob custódia do Batalhão de Polícia do Exército em Brasília e duas já com a Polícia Federal. Em 6 de julho, Moraes determinou que o próprio Exército entregasse o armamento à PF em 48 horas, dispensando a defesa dessa tarefa. Ainda naquele dia, o comando do batalhão informou ter localizado apenas seis das oito armas — faltavam uma pistola Glock e uma espingarda Maestro Arms Company, que a defesa afirma ter sido presenteada a Bolsonaro mas nunca retirada, permanecendo sob guarda de uma importadora de artigos bélicos em Caxias do Sul. Em 8 de julho, a Polícia Federal realizou nova busca na residência onde Bolsonaro cumpre a domiciliar e não encontrou nenhuma arma no local.
Veículos de esquerda, como a CartaCapital, situaram o episódio dentro de um enquadramento mais amplo sobre a 'ameaça bolsonarista', lembrando que o ex-presidente cumpre pena de 27 anos e três meses por liderar a tentativa de golpe de Estado, e destacando que o desaparecimento temporário de parte do arsenal expõe fragilidades no controle institucional sobre armamentos ligados a figuras políticas.
Já veículos de direita, como a VEJA, trataram o caso de forma técnica e processual, detalhando calibres e números de série das armas revogadas e destacando que Moraes concluiu não ter havido irregularidade por parte de Bolsonaro no episódio da blitz — isentando-o de falta grave e mantendo o benefício da domiciliar por razões humanitárias.
O que ainda não se sabe é o paradeiro exato da pistola Glock e da espingarda que não foram localizadas nem pelo Exército nem pela Polícia Federal, e se essa pendência trará consequências adicionais para Bolsonaro ou para os responsáveis por sua custódia. Moraes também não estabeleceu novo prazo para reavaliar a prisão domiciliar humanitária, mantendo em aberto os próximos passos do caso.