O Instituto Datafolha divulgará a partir de domingo, 5 de julho, uma nova pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República em 2026 focada exclusivamente no eleitorado de São Paulo, o maior colégio eleitoral do país. As entrevistas serão realizadas entre os dias 1º e 3 de julho, com 1.608 eleitores paulistas, margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-06481/2026.
A cobertura de centro relatou que a amostra foi planejada para representar o eleitorado paulista por sexo, faixa etária, escolaridade e distribuição geográfica entre capital, região metropolitana e interior, com 53% de mulheres e 47% de homens. A pesquisa testará um cenário de primeiro turno e três simulações de segundo turno, todas com a presença de Lula (PT): contra Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). Segundo esses veículos, o objetivo é medir os primeiros reflexos de uma sequência de crises políticas recentes, como o episódio envolvendo Michelle e Flávio Bolsonaro, os desdobramentos do Caso Banco Master e a saída de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado.
Os números mais recentes servem de referência para a nova rodada. No último Datafolha de abrangência nacional, divulgado em 20 de junho, Lula liderava o primeiro turno com 41%, contra 31% de Flávio, e vencia um eventual segundo turno por 47% a 43%. Já a pesquisa Nexus/BTG, publicada em 29 de junho, mostrou um quadro mais apertado no segundo turno, com Lula em 47% e Flávio em 44%, dentro da margem de erro.
A cobertura divergiu no ângulo enfatizado. Veículos de esquerda destacaram que Lula mantém a liderança e que a chave da disputa está na mobilização do eleitorado: como observou o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, a maior probabilidade de abstenção recai sobre eleitores de baixa renda, justamente o segmento em que o presidente tem melhor desempenho. Nessa linha, o pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou que a eleição será apertada e defendeu que os indicadores econômicos e sociais do governo federal superam os do governo Bolsonaro, além de contrastar o que chamou de avanços do Brasil em educação e saúde com um suposto retrocesso na gestão paulista.
Veículos de direita enfatizaram o encolhimento da vantagem de Lula e a força de Flávio em São Paulo. Nessa leitura, o recorte por eleitores prováveis é revelador: entre quem efetivamente votou em 2018 e 2022, a diferença cai para apenas um ponto, 47% a 46%, o que sugere dependência da base petista de eleitores menos propensos a comparecer. Essa cobertura também ressaltou que Flávio lidera a rejeição, com 51% ante 49% de Lula, e que crises no entorno do presidente, como o Caso Banco Master e a investigação da Polícia Federal ligada a Jaques Wagner, expõem fragilidades do campo governista.
O que ainda não se sabe são os próprios resultados da pesquisa paulista, que só serão divulgados a partir de 5 de julho. Até lá, não há como afirmar se as crises recentes efetivamente moveram a intenção de voto em São Paulo, nem qual será o desempenho de nomes de terceira via como Caiado e Zema no estado. O questionário completo, incluindo indicadores de rejeição e potencial de voto, também só será conhecido após a publicação oficial.