
A nova tentativa de Flávio Bolsonaro de atrair o eleitorado feminino
2 veículos de esquerda · 2 veículos de centro · 1 veículo de direita
Toque num lado para ler o resumo dele.
Alguém precisa ver os dois lados disso?
Usamos identificadores pseudônimos para operar e melhorar o serviço. Aceitar habilita medições opcionais.Medimos audiência e uso com identificadores pseudônimos, em infraestrutura própria, para operar e melhorar o serviço (legítimo interesse). Aceitar habilita também analytics opcionais de terceiros, mapa de calor e medição de anúncios. Consulte nossa Política de Cookies.

2 veículos de esquerda · 2 veículos de centro · 1 veículo de direita
Toque num lado para ler o resumo dele.
Alguém precisa ver os dois lados disso?
Descubra seu lugar no espectro político brasileiro
Fazer o testeGrátis. Cerca de 5 minutos. Seu resultado fica salvo.
O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL, lançou na quinta-feira 16 o programa Brasil por Elas, voltado ao eleitorado feminino, e repetiu o aceno em evento partidário em Vitória no sábado 18 e na convenção de União Brasil e PP em São Paulo na segunda-feira 20. As propostas incluem uma plataforma chamada Central da Mulher, ampliação do acesso à internet, vouchers para creches e monitoramento tecnológico de agressores. A ofensiva ocorre depois do conflito público com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e da fala de um apoiador dizendo que mulheres votam mal. Pesquisas mostram desvantagem: no Datafolha divulgado em 20 de junho, o presidente Lula tinha 47% a 43% no eleitorado geral e 52% a 37% entre mulheres; no Genial/Quaest de julho, a diferença no segundo turno foi de 45% a 37%. No mesmo período, o senador criticou uma decisão do Supremo que o proibiu de visitar o pai por 90 dias e defendeu a viagem aos Estados Unidos como tentativa de evitar a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
Esquerda
Veículos de esquerda leem o programa Brasil por Elas como operação de marketing para conter o prejuízo causado por um campo político que trata as mulheres com desprezo. O pacote de promessas surge dias depois de um apoiador do pré-candidato dizer publicamente que mulheres votam mal, em termos vulgares, e em meio ao rompimento com a ex-primeira-dama, principal articuladora do conservadorismo entre eleitoras.
Centro
O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL, lançou na quinta-feira 16 o programa Brasil por Elas, voltado ao eleitorado feminino, e repetiu o aceno em evento partidário em Vitória no sábado 18 e na convenção de União Brasil e PP em São Paulo na segunda-feira 20.
Direita
Veículos de direita tratam a ofensiva sobre o eleitorado feminino como reação tardia a uma sequência de erros de campanha que afastou o pré-candidato do centro e do empresariado. A leitura é de que a candidatura arrancou forte, chegou a liderar simulações de segundo turno em abril e desperdiçou a vantagem ao se prender ao núcleo mais radical do movimento, ao acumular o desgaste do novo tarifaço americano e ao ser atingida pela revelação de um pedido de 134 milhões de reais ao dono de um banco envolvido em fraude, o que corrói justamente o discurso de combate à corrupção.
5 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
O enquadramento é de oposição ao pré-candidato: título afirma isolamento, o discurso dele é descrito como agressivo e sem novidades, e a promessa de segurança pública é apresentada como tentativa de associar a esquerda à leniência com o crime. Os fatos do evento são corretos, mas a leitura editorial é explicitamente crítica.
Perspectivas omitidas
Falácias identificadas
O texto usa enquadramento progressista explícito: chama o campo do pré-candidato de extrema-direita, abre espaço amplo para a citação misógina de um apoiador e organiza a matéria em torno da vulnerabilidade das mulheres e da rejeição feminina. Os dados do Datafolha são corretamente reportados, mas selecionados para reforçar a leitura de crise com o eleitorado feminino.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
Reportagem de cobertura: descreve o palanque, nomeia os presentes e transcreve as falas sem adjetivá-las. O título usa a frase mais forte do discurso, o que é agressivo, mas o corpo sustenta a citação e mantém distância editorial do que foi dito.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Apesar de crítica ao pré-candidato, a análise fala do ponto de vista da direita institucional e do mercado: lamenta o afastamento do centro, valoriza a interlocução com grandes empresários e com o chamado Posto Ipiranga, cobra accountability no discurso anticorrupção e trata a radicalização como erro estratégico. O vocabulário é o da eficiência e da responsabilidade institucional, não o da proteção social.
Perspectivas omitidas
O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL, dedicou a última semana a uma ofensiva sobre o eleitorado feminino, o bloco de votos em que a sua campanha registra a maior desvantagem. Em transmissão ao vivo na quinta-feira 16, ao lado de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica e cotada para a vaga de vice, ele apresentou o programa Brasil por Elas. O pacote prevê ampliar o acesso das mulheres à internet, criar uma plataforma chamada Central da Mulher, com atendimento físico e digital, e desenvolver uma inteligência artificial de apoio em situações cotidianas e de emergência.
O aceno se repetiu nos dias seguintes. No sábado 18, em Vitória, durante encontro do partido no Espírito Santo, o senador prometeu vouchers para creches e defendeu um sistema de monitoramento eletrônico de agressores capaz de acionar viaturas quando o suspeito se aproxima da vítima. Na mesma ocasião, afirmou que a pauta de defesa das mulheres é da direita e elevou o tom contra o ministro do Supremo Tribunal Federal responsável pela decisão que, um dia antes, o proibiu de visitar o pai por 90 dias, voltando a defender o impeachment do magistrado. Na segunda-feira 20, participou da convenção estadual da federação União Brasil e PP em São Paulo, onde recebeu apoio de lideranças paulistas e do governador do estado, sem que as direções nacionais das duas legendas tenham fechado posição.
Toda a cobertura converge em três pontos. Primeiro, que a ofensiva ocorre depois do conflito público com a ex-primeira-dama, apontada como a principal articuladora do campo conservador junto às eleitoras, e da repercussão da fala de um apoiador que disse que mulheres votam mal. Segundo, que o pré-candidato está atrás nas pesquisas: no levantamento Datafolha divulgado em 20 de junho, o presidente Lula aparecia com 47% contra 43% no segundo turno, distância que subia para 52% a 37% entre as mulheres. No Genial/Quaest de julho, a diferença no eleitorado geral chegou a 45% a 37%, depois de o senador ter liderado por 42% a 40% em abril. Terceiro, que o tarifaço americano de 25% sobre produtos brasileiros contaminou a disputa: em entrevista a um podcast, o senador disse que sua ida aos Estados Unidos, no dia 7 de julho, foi uma tentativa de sensibilizar o presidente americano e negou motivação eleitoral.
As divergências aparecem na leitura desses mesmos fatos. Veículos de esquerda destacaram que o programa voltado às mulheres funciona como contenção de danos de um campo político que trata eleitoras com desprezo, ressaltaram que elas são 52,83% do eleitorado e apresentaram a viagem aos Estados Unidos como subordinação do interesse nacional ao projeto da família. Nessa leitura, o palanque paulista revela dependência de apoios regionais diante do vazio nacional, e a promessa de que marginais vão apanhar a partir de 2027 é punitivismo eleitoral. A cobertura de centro relatou os anúncios, as falas e o calendário sem adjetivá-los, registrando as propostas entre aspas, os apoios anunciados no evento capixaba e o contexto da decisão judicial que restringiu as visitas ao ex-presidente. Veículos de direita enfatizaram o custo estratégico dos últimos episódios: a aproximação com o tarifaço, a revelação de um pedido de 134 milhões de reais ao dono de um banco envolvido em fraude bancária, que atinge o discurso anticorrupção, e o recuo do Centrão para a neutralidade. Para esse enquadramento, o problema não é o conteúdo das propostas, tidas como medidas de eficiência e de escolha para as famílias, mas o encapsulamento da campanha no nicho mais radical, longe do centro e do empresariado.
Ainda não se sabe se as direções nacionais de União Brasil e PP vão formalizar apoio, manter a neutralidade ou apresentar nome próprio, nem quem será a candidata a vice, com pelo menos três nomes femininos citados pelo próprio senador. Também não há detalhamento de custo, fonte de recursos ou prazo para a Central da Mulher, para os vouchers de creche e para o sistema de monitoramento de agressores, e a afirmação de que os índices de feminicídio despencaram onde a tecnologia foi aplicada não foi verificada de forma independente. Falta ainda saber qual será o desfecho da apuração envolvendo o pedido de recursos ao banqueiro e se a tarifa americana será revertida antes da eleição de outubro.

Sem a presença de dirigentes nacionais, senador apela para palanque paulista e adota discurso agressivo para tentar forjar aliança à Presidência

Depois de uma arrancada inicial, senador coleciona problemas, se afasta do centro e fica cada vez mais isolado

Em evento do PL em Vitória, pré-candidato à Presidência reforça propostas voltadas às mulheres, oficializa apoio a aliados capixabas e reage à decisão que o impede de visitar Jair Bolsonaro por 90 dias

Em uma transmissão ao vivo ao lado de Daniella Marques, o senador apresentou o programa 'Brasil por Elas'

Termina nesta quarta-feira o prazo para que o governo americano divulgue a decisão sobre a investigação comercial e uma eventual aplicação de medidas contra produtos brasileiros.
Falácias identificadas
Reportagem de registro: reproduz a declaração entre aspas, informa a data e o local da audiência e a fala feita em inglês, sem adjetivação nem enquadramento valorativo. O título é uma citação direta sustentada pelo corpo.
Perspectivas omitidas
Falácias identificadas
Leia em seguida




