A nova tentativa de Flávio Bolsonaro de atrair o eleitorado feminino
2 veículos de esquerda · 2 veículos de centro · 1 veículo de direita

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Veículos de esquerda leem o programa Brasil por Elas como operação de marketing para conter o prejuízo causado por um campo político que trata as mulheres com desprezo. O pacote de promessas surge dias depois de um apoiador do pré-candidato dizer publicamente que mulheres votam mal, em termos vulgares, e em meio ao rompimento com a ex-primeira-dama, principal articuladora do conservadorismo entre eleitoras. Para esse enquadramento, propostas de acesso à internet e de aplicativos de emergência não enfrentam as causas estruturais da violência de gênero nem repõem políticas públicas de proteção, e a agenda de segurança apresentada aposta em punitivismo. A viagem aos Estados Unidos em meio ao tarifaço é apresentada como subordinação do interesse nacional ao projeto de poder da família, e o palanque paulista, como sinal de que o pré-candidato depende de apoios locais porque não consegue costurar alianças nacionais.
O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL, lançou na quinta-feira 16 o programa Brasil por Elas, voltado ao eleitorado feminino, e repetiu o aceno em evento partidário em Vitória no sábado 18 e na convenção de União Brasil e PP em São Paulo na segunda-feira 20.
Veículos de direita tratam a ofensiva sobre o eleitorado feminino como reação tardia a uma sequência de erros de campanha que afastou o pré-candidato do centro e do empresariado. A leitura é de que a candidatura arrancou forte, chegou a liderar simulações de segundo turno em abril e desperdiçou a vantagem ao se prender ao núcleo mais radical do movimento, ao acumular o desgaste do novo tarifaço americano e ao ser atingida pela revelação de um pedido de 134 milhões de reais ao dono de um banco envolvido em fraude, o que corrói justamente o discurso de combate à corrupção.
5 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
Nesta matéria: falácia identificada.
Nesta matéria: falácia identificada.
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL, dedicou a última semana a uma ofensiva sobre o eleitorado feminino, o bloco de votos em que a sua campanha registra a maior desvantagem. Em transmissão ao vivo na quinta-feira 16, ao lado de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica e cotada para a vaga de vice, ele apresentou o programa Brasil por Elas. O pacote prevê ampliar o acesso das mulheres à internet, criar uma plataforma chamada Central da Mulher, com atendimento físico e digital, e desenvolver uma inteligência artificial de apoio em situações cotidianas e de emergência.
O aceno se repetiu nos dias seguintes. No sábado 18, em Vitória, durante encontro do partido no Espírito Santo, o senador prometeu vouchers para creches e defendeu um sistema de monitoramento eletrônico de agressores capaz de acionar viaturas quando o suspeito se aproxima da vítima. Na mesma ocasião, afirmou que a pauta de defesa das mulheres é da direita e elevou o tom contra o ministro do Supremo Tribunal Federal responsável pela decisão que, um dia antes, o proibiu de visitar o pai por 90 dias, voltando a defender o impeachment do magistrado. Na segunda-feira 20, participou da convenção estadual da federação União Brasil e PP em São Paulo, onde recebeu apoio de lideranças paulistas e do governador do estado, sem que as direções nacionais das duas legendas tenham fechado posição.
Toda a cobertura converge em três pontos. Primeiro, que a ofensiva ocorre depois do conflito público com a ex-primeira-dama, apontada como a principal articuladora do campo conservador junto às eleitoras, e da repercussão da fala de um apoiador que disse que mulheres votam mal. Segundo, que o pré-candidato está atrás nas pesquisas: no levantamento Datafolha divulgado em 20 de junho, o presidente Lula aparecia com 47% contra 43% no segundo turno, distância que subia para 52% a 37% entre as mulheres. No Genial/Quaest de julho, a diferença no eleitorado geral chegou a 45% a 37%, depois de o senador ter liderado por 42% a 40% em abril. Terceiro, que o tarifaço americano de 25% sobre produtos brasileiros contaminou a disputa: em entrevista a um podcast, o senador disse que sua ida aos Estados Unidos, no dia 7 de julho, foi uma tentativa de sensibilizar o presidente americano e negou motivação eleitoral.
As divergências aparecem na leitura desses mesmos fatos. Veículos de esquerda destacaram que o programa voltado às mulheres funciona como contenção de danos de um campo político que trata eleitoras com desprezo, ressaltaram que elas são 52,83% do eleitorado e apresentaram a viagem aos Estados Unidos como subordinação do interesse nacional ao projeto da família. Nessa leitura, o palanque paulista revela dependência de apoios regionais diante do vazio nacional, e a promessa de que marginais vão apanhar a partir de 2027 é punitivismo eleitoral. A cobertura de centro relatou os anúncios, as falas e o calendário sem adjetivá-los, registrando as propostas entre aspas, os apoios anunciados no evento capixaba e o contexto da decisão judicial que restringiu as visitas ao ex-presidente. Veículos de direita enfatizaram o custo estratégico dos últimos episódios: a aproximação com o tarifaço, a revelação de um pedido de 134 milhões de reais ao dono de um banco envolvido em fraude bancária, que atinge o discurso anticorrupção, e o recuo do Centrão para a neutralidade. Para esse enquadramento, o problema não é o conteúdo das propostas, tidas como medidas de eficiência e de escolha para as famílias, mas o encapsulamento da campanha no nicho mais radical, longe do centro e do empresariado.
Ainda não se sabe se as direções nacionais de União Brasil e PP vão formalizar apoio, manter a neutralidade ou apresentar nome próprio, nem quem será a candidata a vice, com pelo menos três nomes femininos citados pelo próprio senador. Também não há detalhamento de custo, fonte de recursos ou prazo para a Central da Mulher, para os vouchers de creche e para o sistema de monitoramento de agressores, e a afirmação de que os índices de feminicídio despencaram onde a tecnologia foi aplicada não foi verificada de forma independente. Falta ainda saber qual será o desfecho da apuração envolvendo o pedido de recursos ao banqueiro e se a tarifa americana será revertida antes da eleição de outubro.
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