A pesquisa Quaest em Minas Gerais mostrou, pela primeira vez, o senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, numa simulação de segundo turno no estado. Flávio aparece com 40% das intenções de voto, contra 37% de Lula. A diferença está dentro da margem de erro, de três pontos percentuais, o que configura empate técnico.
Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso sob esse recorte, relatando que o resultado acendeu um alerta entre estrategistas da campanha de Lula à reeleição. Segundo esse relato, um integrante importante da campanha afirmou que o resultado de Minas é o que mais preocupa neste momento. O estado é tratado pelos petistas como estratégico, por ser um dos maiores colégios eleitorais do país e por concentrar boa parte dos eleitores independentes.
A série histórica da Quaest ajuda a entender o movimento. Em agosto do ano passado, Lula tinha 42% das intenções de voto no estado, e Flávio Bolsonaro aparecia com 33%. Depois, o presidente registrou 39% em abril e 38% em julho deste ano, até chegar aos 37% do levantamento atual. O diretor da Quaest, Felipe Nunes, disse que este é o pior desempenho de Lula já mensurado pelo instituto em Minas. As entrevistas foram feitas entre 4 e 7 de setembro.
A reportagem associa a queda ao agravamento da crise institucional no Supremo Tribunal Federal, depois da revelação de mais detalhes sobre os vínculos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com ministros da Corte, em especial Alexandre de Moraes. De acordo com o relato, os próprios petistas identificaram que as suspeitas sobre a relação entre Moraes e o ex-banqueiro passaram a respingar no presidente, por causa da proximidade entre os dois desde os eventos de 8 de janeiro. Essa ligação é uma leitura atribuída à campanha, e não uma conclusão medida pela pesquisa.
Como a cobertura veio de uma única fonte, ainda não há contraste entre enquadramentos diferentes sobre este levantamento. A reportagem ouve a campanha de Lula e o diretor do instituto, mas não traz a reação da campanha de Flávio Bolsonaro nem a do ministro Alexandre de Moraes.
Ainda não se sabe se a tendência de queda de Lula em Minas Gerais vai se confirmar nas próximas rodadas, nem qual peso a crise no Supremo teve de fato sobre o eleitor mineiro. O relato também não detalha os números de primeiro turno do mesmo levantamento, o tamanho da amostra nem as medidas que a campanha petista pretende adotar para reagir no estado.