O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, marcou para o dia 1º de julho uma reunião destinada a destravar a proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala de trabalho 6x1, em que o empregado folga apenas um dia após seis de jornada. O encontro vai ocorrer na residência oficial da Casa, em Brasília, e deve reunir a nova líder do governo Lula no Senado, a senadora Teresa Leitão, os autores da PEC na Câmara e representantes das centrais sindicais. Será a primeira vez que Alcolumbre trata diretamente do tema desde que a proposta chegou ao Senado, onde está parada à espera de um despacho dele para começar a tramitar. Para o mesmo dia foi agendada uma audiência pública no plenário, por iniciativa do senador Dr. Hiran, para discutir os impactos sociais, econômicos e produtivos da redução da jornada de trabalho.
Veículos de esquerda destacaram que a proposta é uma das prioridades trabalhistas do Planalto, que deseja aprová-la antes do recesso, e que a reunião marcada por Alcolumbre tem sido interpretada pelo entorno do presidente Lula como um gesto positivo capaz de destravar a pauta e encaminhá-la à Comissão de Constituição e Justiça. Nesse enquadramento, o fim da escala 6x1 aparece como avanço de direitos sociais e alívio da sobrecarga sobre os trabalhadores, com a presença das centrais sindicais reforçando o peso da agenda. A cobertura de centro relatou os fatos de forma mais contida: registra que a proposta está travada, que depende do despacho do chefe da Casa e que o distanciamento entre Alcolumbre e Lula tem dificultado o avanço do tema, motivo pelo qual emissários do governo trabalham para promover um encontro entre os chefes dos Poderes e reduzir a tensão.
Veículos de direita tendem a enfatizar o outro lado da articulação: a pressa do Executivo em aprovar uma mudança de alto impacto sobre o setor produtivo antes do recesso é lida como pressão política sobre o Congresso, enquanto Alcolumbre, ao reter o despacho, preserva o controle da pauta. Nesse ângulo, a audiência pública sobre os impactos econômicos e produtivos ganha relevância por abrir espaço às preocupações de empregadores com o custo e a rigidez que a redução da jornada pode impor às empresas.
Na mesma semana, a montagem dos palanques do governo para 2026 ganhou destaque. Após uma reunião no Palácio da Alvorada, Lula bateu o martelo de que o PT terá candidatura própria ao governo de Minas Gerais, em vez de compor com outras legendas. A favorita ao posto, a ex-prefeita de Contagem Marília Campos, resiste: classificou a decisão como um equívoco estratégico que pode fragilizar o campo democrático e popular no estado e reafirmou que pretende disputar o Senado, onde lidera as pesquisas à frente de nomes como Aécio Neves e Marcelo Aro. A leitura de esquerda valoriza o argumento de Campos de fortalecer a base lulista e a representatividade feminina na Casa Alta; a de centro registra que o PT mineiro chegou a cogitar aliança com o pré-candidato do MDB, Gabriel Azevedo, antes de vencer a corrente pela candidatura própria.
O que ainda não se sabe é se a reunião de 1º de julho será suficiente para que Alcolumbre libere efetivamente a tramitação da PEC, qual será o texto final e o cronograma de votação, e se Lula conseguirá convencer Marília Campos a trocar a disputa pelo Senado pela candidatura ao governo de Minas. Também permanecem em aberto os números que sustentariam a competitividade de uma chapa petista própria no estado.