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A segunda edição do estudo Futebol e Violência Contra a Mulher, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgada em 11 de agosto de 2026, estima alta de 27,4% nas ameaças e de cerca de 28,9% nas lesões corporais dolosas contra mulheres em dias de jogos profissionais. O levantamento analisou 308.315 registros entre 2023 e 2025 em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre, considerando partidas da Série A do Brasileiro, da Libertadores e da Sul-Americana. Os pesquisadores afirmam que a associação é robusta, mas não causal.
Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública analisou 308.315 registros de ocorrência entre 2023 e 2025 em cinco capitais e encontrou aumento de ameaças e agressões contra mulheres nos dias de jogos do Brasileiro, da Libertadores e da Sul-Americana. Os pesquisadores afirmam que a associação é robusta, mas não indica relação causal.
Dias de jogo de futebol profissional estão associados a um aumento nos registros de violência contra a mulher nas cinco maiores capitais do país. É o que estima a segunda edição do estudo Futebol e Violência Contra a Mulher, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, lançada em 11 de agosto de 2026 em São Paulo. Nas datas de partidas da Série A do Campeonato Brasileiro, da Libertadores e da Sul-Americana, o modelo aponta alta de 27,4% nas ameaças contra mulheres e de cerca de 28,9% nas lesões corporais dolosas.
O levantamento analisou 308.315 registros de ocorrência entre 2023 e 2025 em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre. A base de ameaças reúne 219.595 casos, e a de lesão corporal, 88.720. O grupo mais atingido é o de mulheres de 15 a 29 anos, com aumento estimado de 44,4% nas ameaças e de cerca de 44% nas lesões em dias de partida. Dentro de casa, o modelo estima elevação de 35,1% nas lesões e de 26,8% nas ameaças; entre as jovens, a ameaça no domicílio chega a 47,3%. As diferenças variam ao longo da semana, com o maior salto às quintas-feiras, quando a média de registros de ameaça passa de 28,67 para 41,51.
A comparação com a edição anterior é o ponto em que todas as versões da cobertura convergem. No estudo divulgado em 2022, com dados de 2015 a 2018, as ameaças subiam 23,7% e as lesões, 20,8%. O indicador de agressão física é o que mais avançou desde então. A coordenadora de Gênero e Raça do Fórum, Juliana Brandão, resume que os dias de jogo funcionam hoje como fator de risco comprovado e defende que o dado oriente o planejamento das forças de segurança, com reforço às Delegacias da Mulher e às patrulhas de fiscalização das medidas protetivas de urgência. Ela também afirma que o esporte não é a origem do problema: nas suas palavras, o futebol não gera a violência, mas a catalisa.
A cobertura de centro foi a que abriu a metodologia. Nela aparece o desenho econométrico descrito pelo coordenador do estudo, Daniel Cerqueira, com controle de dia da semana, mês, ano, cidade, feriados, temperatura e chuva, além do alerta explícito de que há associação robusta, e não relação causal, entre partidas e registros. É também nessa cobertura que entram o recorte racial, com mulheres negras somando 58,9% das vítimas de ameaça e 59,7% das de lesão corporal, e a fala do ex-jogador Raí sobre a responsabilidade de atletas e clubes diante das novas gerações. Veículos de direita publicaram uma versão mais curta, de despacho de agência, que preserva os percentuais e a recomendação de reforço ao policiamento especializado, mas deixa de fora as ressalvas metodológicas e o recorte racial, o que endurece a leitura dos números. Veículos de esquerda não registraram matéria própria no conjunto reunido até aqui; o eixo que esse campo costuma acionar, o de violência estrutural de gênero e de financiamento das políticas de proteção, aparece no material apenas pela voz das fontes do próprio estudo.
A divergência de fundo é sobre o que fazer com o dado. A leitura que enfatiza proteção social vê ali justificativa para ampliar rede de atendimento, orçamento e cobrança sobre clubes e patrocinadores. A leitura que enfatiza responsabilidade individual e cautela regulatória se apoia na própria ressalva dos pesquisadores para separar o esporte do agressor e defender uso mais eficiente do efetivo policial nas janelas já mapeadas, sem novas restrições ao futebol.
O que ainda não se sabe é considerável e está admitido pelos autores. Não houve acesso a dados de consumo de álcool nas capitais, de modo que o estudo não estima o efeito da bebida nem projeta o impacto do projeto de lei que discute a liberação de bebidas nos estádios de São Paulo. A mesma limitação vale para as apostas esportivas. O placar das partidas não entrou na análise, e por isso a hipótese internacional de frustração e agressão não foi testada. Também não há, no material publicado, resposta de clubes, de federações ou das secretarias de segurança das cinco capitais sobre as recomendações dirigidas a eles.
Toda a cobertura reproduz os mesmos percentuais do levantamento, atribui os dados ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aponta as mulheres de 15 a 29 anos como as mais atingidas e registra que os índices são maiores do que os da edição anterior do estudo, de 2015 a 2018.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
Veículos com viés ao centro
Cobertura factual detalhada, que explicita a base de registros analisados, o desenho econométrico com controle de dia da semana, feriados, temperatura e chuva, e registra de forma expressa que a associação encontrada não é causal. Apresenta o recorte racial com a hipótese dos próprios pesquisadores e inclui a limitação sobre álcool e apostas. Enquadramento neutro, sem vocabulário valorativo, ainda que o tema seja de forte apelo político.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial direita.
Texto de agência com estrutura factual, percentuais atribuídos ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública e citação direta da coordenadora do estudo. Não há vocabulário valorativo nem enquadramento ideológico, apesar do veículo ter perfil editorial de direita. O único desvio é a supressão das ressalvas metodológicas, o que endurece a leitura dos números sem editorializar.

Dados são do estudo Futebol e violência contra a mulher, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança

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Perspectivas omitidas



