AGU pede à Justiça dos EUA que encerre ação movida pela Rumble e Trump Media contra Moraes
Resumo da cobertura
A Advocacia-Geral da União (AGU) protocolou na Justiça federal da Flórida um pedido para que seja encerrado o processo movido pela Trump Media e pela plataforma Rumble contra o ministro do STF Alexandre de Moraes. A AGU sustenta que decisões da Suprema Corte brasileira não podem ser questionadas por tribunais estrangeiros e que agentes públicos só podem ser alvo com consentimento do Estado. As plataformas acusam Moraes de ordenar a suspensão de perfis de brasileiros nos EUA, entre eles o blogueiro Allan dos Santos, e alegam violação da liberdade de expressão prevista na Constituição americana.
A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu à Justiça federal dos Estados Unidos que encerre o processo movido pelo grupo Trump Media e pela plataforma Rumble contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. A petição foi protocolada na segunda-feira, 15 de junho, em um tribunal federal da Flórida, e divulgada pelo órgão na terça-feira, 16. O argumento central da AGU é que decisões da Suprema Corte brasileira não podem ser questionadas perante tribunais de Estados estrangeiros.
Na nota à imprensa, a AGU afirmou que o pedido de habilitação no processo permitirá ao Estado brasileiro defender sua soberania na Justiça da Flórida, onde o caso tramita. Segundo o órgão, agentes públicos brasileiros não podem ser alvo direto do Judiciário de outros países sem o consentimento do Estado. "O Brasil não consentiu e não consentirá com a apreciação de decisões de nossa Suprema Corte por juízes de outro país", declarou a AGU, acrescentando que decisões judiciais brasileiras devem ser cumpridas ou questionadas perante os próprios tribunais do país.
O processo que corre nos Estados Unidos foi aberto por Trump Media e Rumble, que acusam Moraes de determinar a suspensão de perfis de brasileiros residentes em território americano, entre eles o blogueiro Allan dos Santos. As plataformas sustentam que a Constituição dos Estados Unidos garante a liberdade de expressão irrestrita e que as medidas para retirar postagens configurariam censura. De acordo com a apuração, as suspensões foram determinadas porque os alvos são acusados de ataques antidemocráticos contra o Supremo.
A cobertura de centro, como a do g1, relatou os fatos de forma descritiva: registrou o protocolo da petição, reproduziu a nota oficial da AGU e explicou ao leitor o papel do órgão, que funciona como a advocacia do Estado brasileiro. Já veículos de esquerda enfatizaram a chave da soberania nacional, enquadrando a ação como defesa do país diante de uma ofensiva de plataformas ligadas a Donald Trump sobre o Judiciário brasileiro, e destacaram que as suspensões respondem a ataques antidemocráticos contra as instituições.
O ângulo trazido pelas próprias plataformas, e ecoado por quem cobre o caso a partir da direita, é o oposto: a tese de que as suspensões de perfis representam censura e violam a liberdade de expressão de cidadãos e residentes nos Estados Unidos. Sob essa ótica, a iniciativa da AGU aparece como tentativa de afastar o ministro do escrutínio de um tribunal estrangeiro. Os dois enquadramentos convergem, porém, nos fatos processuais: a ação existe, a AGU pediu para encerrá-la e a disputa gira em torno dos limites de jurisdição entre Brasil e Estados Unidos.
O caso ganhou novo capítulo no mês anterior, quando a Justiça norte-americana determinou que Moraes fosse intimado por e-mail para se defender. A medida foi tomada depois que o Superior Tribunal de Justiça negou um pedido do Rumble para notificar o ministro por carta rogatória, instrumento usado para comunicar quem mora no exterior e cuja autorização cabe ao STJ.
Briefing
O que importa para você
Define se um tribunal estrangeiro pode apreciar decisões do STF e se um ministro brasileiro pode ser réu nos EUA. Afeta perfis de brasileiros suspensos por ordem de Moraes, entre eles o de Allan dos Santos.
Onde os lados divergem
- Esquerda enquadra a ação como defesa da soberania nacional contra interferência de plataformas ligadas a Trump.
- Direita e as plataformas enquadram as suspensões de perfis como censura e violação da liberdade de expressão.
Onde os lados concordam
Todos os lados reconhecem que a AGU pediu o encerramento do processo na Flórida, que Trump Media e Rumble movem a ação contra Moraes e que o cerne da disputa é o limite de jurisdição entre Brasil e Estados Unidos.
O que ainda está incerto
- Como o tribunal da Flórida vai decidir sobre o pedido de encerramento.
- Se a AGU terá a habilitação aceita no processo.
- Qual o efeito prático das decisões americanas sobre um ministro do STF.
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
- Revista FórumEntenda por que a AGU quer atuar na ação das redes de Trump e Rumble contra Moraes nos EUAA Advocacia-Geral da União (AGU) informou nesta segunda-feira (15) que vai pedir à Justiça dos Estados Unidos para atuar no processo movido pelas redes
Ver análise editorial
Republica matéria factual da Agência Brasil, mas o veículo enquadra sob a chave 'SOBERANIA' e dá centralidade à defesa do Estado brasileiro e das decisões do STF. Caracteriza as suspensões como resposta a 'ataques antidemocráticos', adotando o vocabulário institucional da AGU/STF, o que inclina o enquadramento à esquerda.
- Qualidade argumentativa
- 60/100
- Manipulação emocional
Fontes
Petição foi apresentada a um tribunal da Flórida. Empresas questionam decisões do ministro Alexandre de Moraes relacionadas à atuação de plataformas digitais.

A Advocacia-Geral da União (AGU) informou nesta segunda-feira (15) que vai pedir à Justiça dos Estados Unidos para atuar no processo movido pelas redes
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