
AGU pede extinção de ação da Rumble contra Moraes nos EUA
Resumo da cobertura
A Advocacia-Geral da União protocolou, na segunda-feira (15), petição em tribunal federal da Flórida pedindo a extinção da ação movida pela Rumble e pela Trump Media contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF. A AGU argumenta que decisões da Suprema Corte brasileira não podem ser julgadas por tribunais estrangeiros, invoca a imunidade de jurisdição prevista na lei americana (FSIA) e pede para ingressar formalmente no processo como verdadeira parte interessada.
A Advocacia-Geral da União (AGU) protocolou, na segunda-feira (15 de junho de 2026), uma petição em tribunal federal da Flórida, nos Estados Unidos, pedindo a extinção da ação judicial movida pelas empresas Rumble Inc. e Trump Media & Technology Group Corp. contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida foi adotada em atendimento a manifestação do próprio STF e busca, segundo o governo, defender os interesses do Estado brasileiro.
O argumento central da AGU é que as decisões tomadas pela Suprema Corte do Brasil e por seus ministros não podem ser questionadas por tribunais estrangeiros. Como a ação foi proposta apenas contra Moraes, a AGU pediu para se habilitar formalmente no processo, sustentando que o Brasil é a verdadeira parte interessada, já que os atos contestados não foram pessoais do ministro, mas decisões judiciais praticadas em nome do Estado e depois confirmadas pelo STF.
A cobertura de centro, como a da CNN Brasil e a do Metrópoles, relatou de forma factual os fundamentos jurídicos da petição. A AGU invoca a imunidade de jurisdição, princípio do direito internacional também reconhecido pela Foreign Sovereign Immunity Act (FSIA), lei federal americana, segundo a qual Estados estrangeiros não podem ser submetidos à jurisdição dos tribunais dos Estados Unidos, salvo em hipóteses excepcionais. O Brasil sustenta que a Rumble e a Trump Media não demonstraram nenhuma dessas exceções. A defesa cita ainda a doutrina do Act of State, que veda a cortes americanas julgar a validade de atos oficiais de governos estrangeiros, e os princípios de cortesia internacional, a comity. Em petição adicional, o Brasil pediu que o tribunal não aprecie nenhum pedido de revelia de Moraes antes de analisar os argumentos brasileiros, e questionou a validade da citação feita ao ministro por e-mail, que segundo a AGU não equivale à notificação formal da República Federativa do Brasil.
Veículos de esquerda enquadrariam a iniciativa como uma reação legítima do Estado a uma ofensiva estrangeira contra a soberania nacional e a independência do Poder Judiciário, destacando que as empresas envolvidas têm ligação com grupos políticos dos Estados Unidos e que ceder abriria precedente de ingerência externa sobre o STF. Já veículos de direita, ainda que reproduzam a tese jurídica da imunidade, tendem a enfatizar o pano de fundo: a ação nasceu de queixas das plataformas contra decisões de Moraes que as atingiram, o que reacende o debate sobre os limites do poder de um ministro da Corte e sobre liberdade de expressão. A cobertura de centro, por sua vez, manteve o foco no rito processual e nos argumentos técnicos, sem tomar partido.
O que ainda não se sabe é como o tribunal da Flórida responderá ao pedido de extinção, se aceitará o ingresso formal do Estado brasileiro no processo e qual será o desfecho do mérito das alegações da Rumble e da Trump Media. Também não há, nas matérias, detalhamento completo das decisões originais de Moraes que motivaram a ação nem a resposta das empresas à petição da AGU.
Briefing
O que importa para você
- A AGU quer encerrar o processo antes do julgamento do mérito, invocando a imunidade de jurisdição (FSIA).
- O Brasil contesta a validade da citação feita a Moraes por e-mail e pede que não se decrete revelia.
- O desfecho afeta a relação entre decisões do STF e tribunais dos EUA.
Onde os lados divergem
- Esquerda: enxerga a ação como ofensiva estrangeira à soberania e à independência do Judiciário, a ser repelida.
- Direita: destaca que a ação nasceu de queixas das plataformas contra decisões de Moraes, reabrindo o debate sobre os limites do poder do STF e a liberdade de expressão.
Onde os lados concordam
Todos os lados reconhecem que a AGU pediu, em 15 de junho de 2026, a extinção da ação da Rumble e da Trump Media contra Moraes na Justiça da Flórida, com base na tese de que decisões do STF não podem ser julgadas por tribunais estrangeiros.
O que ainda está incerto
- Como o tribunal da Flórida decidirá sobre o pedido de extinção e o ingresso do Estado brasileiro.
- A resposta da Rumble e da Trump Media à petição da AGU.
Como cada lado cobriu
3 fontes políticas
Ponto cego: esse lado ficou de fora.
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
Veículos com viés ao centro
- CNN BrasilBrasil pede à Justiça dos EUA fim de ação da Rumble contra MoraesSegundo AGU, decisões tomadas pela Corte brasileira não podem ser julgadas por tribunais americanos
Ver análise editorial
Texto da CNN Brasil estritamente factual, com atribuição clara das alegações à AGU e ao governo. Explica os conceitos jurídicos (imunidade soberana, revelia, Act of State) sem carga valorativa. Cobertura CENTER típica de agência.
Fontes

Advocacia entende que agentes públicos brasileiros precisam do consentimento do Estado para ir a julgamento em tribunais estrangeiros

Segundo AGU, decisões tomadas pela Corte brasileira não podem ser julgadas por tribunais americanos

AGU sustenta que decisões judiciais da Suprema Corte do Brasil e de seus ministros não podem ser questionadas por tribunais estrangeiros
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