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O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou em 21 de julho de 2026 que o governo brasileiro não pretende retaliar os Estados Unidos pela tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, e que a Lei da Reciprocidade será preservada como instrumento a ser usado no momento adequado. A sobretaxa, anunciada em 16 de julho sob a Seção 301, entra em vigor em 22 de julho e atinge cerca de 18% das exportações brasileiras, o equivalente a US$ 7,4 bilhões. O governo abriu rodadas de conversa com os setores atingidos e estuda linhas de crédito, mudanças no drawback e abertura de novos mercados.
O vice-presidente Geraldo Alckmin descartou nesta terça-feira, 21 de julho de 2026, o uso da Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos em resposta à tarifa adicional de 25% imposta a produtos brasileiros. “A ideia não é retaliação. Olho por olho, o que pode acontecer é os dois ficarem cegos”, afirmou, ao lado do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Segundo o vice-presidente, o governo prefere manter a mesa de negociação aberta e preservar os instrumentos legais para usá-los, se necessário, no momento oportuno.
A declaração veio depois da primeira rodada de reuniões do governo com os setores produtivos atingidos pela sobretaxa, anunciada em 16 de julho e com entrada em vigor prevista para 22 de julho. A medida alcança cerca de 18% das exportações brasileiras, o equivalente a US$ 7,4 bilhões, dentro de um total de US$ 38 bilhões vendidos aos Estados Unidos em 2025. Ficaram fora da lista produtos como etanol, carne bovina e café. A sobretaxa foi aplicada com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, que apurou práticas brasileiras em comércio digital, propriedade intelectual, combate à corrupção e desmatamento.
A cobertura de centro detalhou o impacto setorial: os Estados Unidos são o segundo maior destino das exportações brasileiras de autopeças e o principal mercado de eletroeletrônicos, absorvem cerca de 24% das vendas externas do setor de máquinas e 20% das da indústria calçadista. Também registrou os argumentos do governo de que a decisão é injusta, já que os Estados Unidos têm superávit comercial com o Brasil, a tarifa média brasileira sobre produtos norte-americanos é de 3,1% e sete dos dez principais itens exportados pelos norte-americanos entram no país sem tarifa. Entre as respostas em estudo estão linhas de crédito para capital de giro, mudanças no regime de drawback e a busca de novos mercados, com os acordos do Mercosul com Singapura, EFTA e União Europeia e negociações de preferência tarifária com Japão, Índia e México.
Veículos de direita deram peso maior à justificativa norte-americana. Reproduziram a lista do representante de Comércio dos Estados Unidos, que cita ordens judiciais sigilosas para remoção de conteúdo político em plataformas, multas elevadas contra empresas de tecnologia, o tratamento do Pix como campeão nacional pelo Banco Central, concessões tarifárias a Índia e México sem reciprocidade, falhas no combate à corrupção e efeitos do desmatamento ilegal sobre produtores agrícolas. Nesse enquadramento, a origem do problema está no ambiente regulatório e judicial brasileiro e na demora do governo em fechar um acordo, depois de mais de um ano de tratativas descritas pelo lado norte-americano como excesso de declaração de intenção.
Veículos de esquerda ainda não aparecem neste conjunto de reportagens. A leitura desse campo tende a enfatizar o outro lado da mesma equação: a tarifa como pressão política e comercial sobre decisões soberanas do Judiciário brasileiro e sobre um meio de pagamento público, com risco direto de perda de postos de trabalho em cadeias industriais como autopeças, máquinas e calçados, o que justificaria apoio estatal imediato aos setores atingidos.
Os dois lados que cobriram o caso convergem em pontos concretos: a sobretaxa reduz a competitividade das empresas brasileiras, atinge quase um quinto das exportações ao mercado norte-americano e não foi respondida com retaliação imediata pelo governo.
Ainda não se sabe quando e como o governo usaria a Lei da Reciprocidade, qual será o desenho final das linhas de crédito e das mudanças no drawback, nem se existe nova rodada de negociação marcada com Washington. Também não está claro qual será a perda efetiva de mercado das empresas brasileiras nem se novos produtos podem entrar ou sair da lista de isenções.
Os dois lados que cobriram o caso registram que a tarifa adicional de 25% atinge cerca de 18% das exportações brasileiras aos Estados Unidos, entra em vigor em 22 de julho e que o governo brasileiro optou por negociar em vez de acionar de imediato a Lei da Reciprocidade.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
Veículos com viés ao centro
Texto de agência: reproduz a fala do vice-presidente entre aspas, ancora o impacto em dados (18% das exportações, US$ 7,4 bilhões, participação de autopeças, máquinas e calçados) e lista medidas em avaliação sem vocabulário valorativo. O adjetivo ‘injusta’ aparece atribuído às autoridades, não assumido pelo texto.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
A parte factual sobre Alckmin é neutra, mas metade do texto reproduz sem contraditório a lista de queixas do USTR (ordens judiciais sigilosas, multas a plataformas, favorecimento ao Pix, falhas no combate à corrupção), enquadrando a origem do problema no ambiente regulatório e judicial brasileiro. Esse recorte, somado à ausência dos dados que enfraqueceriam a tese norte-americana, caracteriza framing de direita.

O vice-presidente deu declaração após a primeira rodada de reunião com os setores produtivos que serão afetados pela tarifa adicional de 25%

Vice-presidente disse que a intenção não é adotar uma retaliação imediata; tarifa atinge 18% das exportações. Leia no Poder360.
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Perspectivas omitidas



