O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reafirmou nesta terça-feira, 30 de junho de 2026, apoio ao senador Jaques Wagner (PT-BA), alvo da Operação Compliance Zero da Polícia Federal. Em pronunciamento no plenário, Alcolumbre anunciou que a Advocacia do Senado ingressará no Judiciário para tentar restabelecer prerrogativas que, segundo ele, foram afetadas por decisões judiciais contra o parlamentar.
Alcolumbre afirmou ter tido uma conversa franca com Wagner e disse que o senador poderia contar integralmente com sua presença, sua defesa e seu apoio. Declarou ainda acreditar que o petista terá oportunidade de demonstrar sua inocência ao longo do processo. O presidente da Casa também criticou o Judiciário brasileiro, ao dizer que o país estaria condenando pessoas antes de a investigação ser concluída, e classificou o cenário como criminalização da política.
A cobertura de centro, como a do Poder360, relatou os fatos de forma factual: Wagner foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero em 18 de junho, quando agentes cumpriram mandados de busca e apreensão. A operação apura supostos esquemas ilícitos envolvendo o Banco Master e seu fundador, Daniel Vorcaro. Dias depois, Wagner deixou a liderança do governo no Senado e foi substituído por Teresa Leitão (PT-PE), indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Alcolumbre saudou a nova líder e disse reconhecer sua capacidade de articulação.
Os pontos em que as coberturas convergem são claros. Alcolumbre colocou a estrutura da presidência do Senado à disposição de Wagner, a Advocacia da Casa prepara recursos, e o senador baiano nega as acusações e recorreu ao Supremo Tribunal Federal para tentar anular as buscas. As decisões questionadas incluem bloqueios de contas e de verbas ligadas ao exercício do mandato.
As divergências aparecem no enquadramento. Veículos de esquerda tendem a enfatizar a defesa do devido processo, do contraditório e da ampla defesa, apresentando a mobilização do Senado como salvaguarda do mandato diante de uma suposta condenação antecipada. Veículos de direita, como a Revista Oeste, enfatizaram o uso da estrutura institucional e de recursos públicos, incluindo a verba indenizatória do gabinete, para defender um senador do PT investigado, e sublinharam que a manobra confronta decisões do STF em plena apuração de favorecimento ao Banco Master. A cobertura de centro se ateve a reproduzir as falas e o contexto, sem aderir a nenhum dos enquadramentos.
O que ainda não se sabe é o desfecho jurídico da tentativa da Advocacia do Senado de reverter as restrições, se o STF acatará os recursos e como a Polícia Federal responderá às críticas feitas por Alcolumbre. Também permanece em aberto o alcance das acusações contra Wagner no âmbito da Operação Compliance Zero.