A Alemanha registrou 2.150 mortes relacionadas ao consumo de drogas em 2025, mantendo o país em patamar recorde de óbitos ligados a entorpecentes, segundo dados divulgados em Berlim pelo encarregado federal para drogas, Hendrik Streeck. O dado que mais chamou a atenção das autoridades foi o avanço entre os mais jovens: quase uma em cada quatro vítimas tinha menos de 30 anos, com 528 casos nessa faixa, o dobro do observado em 2021. Entre os menores de 20 anos, foram 106 mortes, número que praticamente dobrou no mesmo período.
A cobertura de centro, da Folha de S.Paulo com material da emissora alemã DW, relatou os números de forma factual: 1.777 das vítimas eram homens, 81,5% das mortes ocorreram após o uso simultâneo de várias substâncias e os óbitos ligados a cocaína e crack chegaram a 769, mais que o dobro de 2021. O texto destacou ainda a fala de Streeck de que 'o mercado de drogas mudou profundamente' e que medicamentos falsificados e misturas de alto risco estão 'a apenas alguns cliques de distância'.
Veículos de direita, como O Antagonista, enfatizaram o enquadramento moral da declaração do encarregado federal, colocando em relevo a frase 'a banalização do consumo tem um preço'. Nessa leitura, o foco recai sobre a responsabilidade individual e as consequências da normalização do uso de drogas entre jovens que, segundo Streeck, muitas vezes desconhecem os riscos fatais de combinar medicamentos, álcool e outras substâncias.
Não houve, até o momento, cobertura de veículos de esquerda sobre o levantamento. Sob esse prisma, o enfoque provável recairia sobre a resposta do Estado: o próprio Streeck defendeu o reforço das ações de prevenção, a ampliação do acesso precoce ao tratamento e a criação de um sistema de apoio capaz de alcançar as pessoas antes que seja tarde demais, medidas que dialogam com políticas de saúde pública e de redução de danos.
O que ainda não se sabe é o que explica, em concreto, a aceleração das mortes entre os mais jovens, nem se o governo alemão destinará novos recursos às medidas de prevenção e tratamento defendidas pelo encarregado federal. Também não há detalhamento sobre como a mudança no mercado de drogas, com maior circulação de cocaína, crack e substâncias falsificadas, será enfrentada pelas autoridades.