A lobista Roberta Luchsinger declarou que votaria no senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, no segundo turno da eleição presidencial. O anúncio foi feito em publicação nas redes sociais no domingo, 25 de outubro, dia da votação. Ela afirmou que, em sua avaliação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, já não reúne as condições necessárias para conduzir o país, e defendeu a renovação política.
Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, em duas matérias. Segundo esse relato, Luchsinger votou nulo no primeiro turno e decidiu apoiar Flávio no segundo. Ela disse que a escolha busca contribuir para um novo ciclo político e para a redução da polarização no Brasil.
O nome da lobista entrou na reta final da campanha dois dias antes. No último debate entre os candidatos, na sexta-feira, 23 de outubro, Flávio Bolsonaro perguntou quem custeia a permanência de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente conhecido como Lulinha, na Espanha. O senador citou Luchsinger diretamente e afirmou que Lulinha vive numa região de alto padrão. Ele também questionou o sigilo sobre os registros de entrada no Palácio da Alvorada, a residência oficial, e perguntou por que as visitas da lobista não eram divulgadas, já que, segundo ele, Lula teria dito que não a conhecia.
A própria cobertura registrou que, no trecho do debate, Flávio não apresentou documentos que comprovassem as suspeitas sobre o custeio da vida de Lulinha ou sobre a relação da lobista com essas despesas. No mesmo confronto, o senador cobrou a divulgação de gastos com cartões corporativos e com viagens no avião presidencial. Lula, por sua vez, questionou a relação de Flávio com o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, e lembrou que o empresário foi preso durante o atual governo.
O pano de fundo é uma investigação da Polícia Federal. Luchsinger e Lulinha são investigados na Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social, o INSS. A lobista foi alvo de busca e apreensão no fim de 2025, e a Polícia Federal apura possíveis relações dela com empresários e eventuais intermediações junto a órgãos do governo federal.
A matéria sobre a declaração de voto apresentou Luchsinger como amiga de Lulinha e reproduziu sua crítica a Lula, sem ouvir a campanha do presidente nem a defesa dos investigados. A matéria sobre o debate foi mais cautelosa e advertiu que as declarações dos candidatos devem ser diferenciadas de fatos comprovados.
Ainda não se sabe se Lula, Lulinha ou a defesa de Luchsinger responderam às acusações feitas no debate. Também não há informação pública sobre quem custeia a permanência de Lulinha na Espanha, sobre o conteúdo dos registros de visitas ao Palácio da Alvorada nem sobre o estágio atual da investigação da Polícia Federal.