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A Anvisa pode aprovar até o fim de 2026 o registro de oito novas canetas à base de liraglutida e semaglutida para o tratamento do diabetes tipo 2, segundo o diretor-presidente da agência, Leandro Safatle. Uma das análises está mais adiantada e deve ser concluída ainda em agosto. O Brasil tem hoje 21 canetas autorizadas, e na semana anterior a agência registrou outras cinco versões de semaglutida. A agência também prepara um acordo com o regulador do Paraguai e uma nova regra para importação e manipulação desses medicamentos.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pode aprovar até o fim de 2026 o registro de oito novas canetas à base de liraglutida e de semaglutida para o tratamento do diabetes tipo 2. A informação foi dada pelo diretor-presidente da agência, Leandro Safatle, em conversa com jornalistas na terça-feira, 4 de agosto. Segundo ele, uma das análises está mais adiantada e deve ser concluída ainda neste mês. A agência afirma ter intensificado o ritmo de avaliação desses medicamentos com o objetivo de ampliar a oferta no mercado, facilitar o acesso e, com isso, reduzir a procura por substâncias irregulares.
Os números ajudam a dimensionar o movimento. O Brasil tem hoje 21 canetas autorizadas, incluindo produtos à base de semaglutida, liraglutida e tirzepatida. Na semana anterior ao anúncio, a agência havia registrado outras cinco versões de semaglutida, princípio ativo do Ozempic, produzidas por laboratórios diferentes. Agora tramitam quatro processos de liraglutida e quatro de semaglutida, além de outros cinco cuja análise só deve começar em 2027. Embora o registro seja concedido para diabetes tipo 2, o entendimento é de que os novos produtos poderão ser prescritos de forma off-label para obesidade, como já aconteceu com o próprio Ozempic.
A cobertura de centro relatou o fato de maneira direta, restrita ao anúncio e à atribuição da informação ao dirigente da agência, sem contexto de mercado. Já veículos de direita deram relevo ao argumento econômico: reproduziram a avaliação de que o preço alto era o principal problema e que a entrada de novos concorrentes regularizados tende a derrubar valores e ampliar o acesso, além de destacar a projeção de que o país pode se tornar o mercado com maior concorrência do mundo no segmento de agonistas de GLP-1 no segundo semestre. Até o momento não houve cobertura de veículos de esquerda sobre o anúncio; pela chave de leitura habitual desse campo, o eixo seria outro: acesso pelo sistema público, poder de compra do Estado e vigilância sobre a prescrição off-label, já que a queda de preço no mercado privado, sozinha, não alcança quem não pode pagar.
Os três enquadramentos convergem num ponto factual incômodo: o mercado irregular cresceu. Dados da alfândega da Receita Federal em Foz do Iguaçu apontam alta de cerca de 1.000% em um ano nas apreensões de medicamentos dessa classe. Para conter o contrabando, a Anvisa vai assinar um acordo com a agência reguladora do Paraguai que permitirá aos dois países compartilhar informações sobre esses produtos. Em paralelo, a agência formata uma nova regra para importação e manipulação das canetas, com exigência de critérios de qualidade para o ingrediente farmacêutico ativo, apresentação do certificado de boas práticas de fabricação de onde o insumo foi produzido e criação de um sistema para que farmácias de manipulação notifiquem eventos adversos.
Essa regra, porém, está parada. Em maio, um diretor da agência pediu vista do processo, o que retirou a discussão da pauta da diretoria colegiada. Safatle afirmou que a Anvisa está colhendo novas informações antes de deliberar.
O que ainda não se sabe é boa parte do que interessa ao paciente. Não há prazo anunciado para a votação da nova regra de manipulação nem data para a assinatura do acordo com o Paraguai. Também não foram divulgados os preços atuais, nem qualquer estimativa de quanto a concorrência efetivamente reduziria o custo de um tratamento contínuo. Nenhuma das reportagens informa se esses medicamentos serão oferecidos pelo sistema público ou se permanecerão restritos ao mercado privado, e não há manifestação de especialistas independentes sobre os riscos do uso off-label para obesidade fora de acompanhamento médico.
Há convergência sobre os fatos: a Anvisa acelerou a análise de registros, oito processos podem ser concluídos até o fim do ano e o país já tem 21 canetas autorizadas. Todos os enquadramentos reconhecem que o preço alto e o crescimento do mercado irregular são o problema a ser enfrentado, e que apenas produtos com eficácia e segurança comprovadas devem obter registro.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
Veículos com viés ao centro
Texto de duas frases, puramente informativo: enuncia o fato regulatório e atribui a informação ao diretor-presidente da agência, sem adjetivo valorativo, sem contexto de mercado e sem qualquer moldura ideológica. Neutro por construção, ainda que a brevidade reduza a confiança do julgamento.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial direita.
Reportagem de agência, essencialmente factual: relata declarações do diretor-presidente da Anvisa, lista produtos registrados e descreve a tramitação regulatória sem adjetivação. O único vetor de enquadramento é a ênfase na cadeia 'mais concorrência gera queda de preço e ampliação de acesso', reproduzida em citação direta da autoridade e reforçada pelo destaque ao Brasil como 'mercado com maior concorrência do mundo' — sinal de leitura de mercado, mas insuficiente para caracterizar viés editorial de direita, já que o texto não defende posição nem critica regulação estatal.

Atualmente, o Brasil tem 21 canetas autorizadas
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pode aprovar até o fim do ano o registro de oito novas canetas de liraglutida e semaglutida para tratamento do diabetes tipo 2. Uma das análises já está mais avançada e deve ser concluída ainda neste mês, segundo o diretor-presidente da agência, Leandro Safatle.
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Perspectivas omitidas


