A Agência Nacional de Vigilância Sanitária pode aprovar até o fim de 2026 o registro de oito novas canetas de liraglutida e semaglutida, substâncias indicadas para o tratamento do diabetes tipo 2 e amplamente usadas fora de bula para perda de peso. Uma das análises está mais adiantada e deve ser concluída ainda neste mês. A informação foi apresentada pelo diretor-presidente da agência, Leandro Safatle, e por outros diretores, em encontro com jornalistas na terça-feira, 4 de agosto.
Os números apresentados são convergentes em toda a cobertura. O Brasil tem hoje 21 canetas autorizadas, com medicamentos à base de semaglutida, liraglutida e tirzepatida. Na semana anterior, a agência havia concedido registro a cinco novos análogos da semaglutida. Do edital de priorização publicado em agosto do ano passado, que reuniu 24 pedidos, seis já receberam registro, cinco foram negados e treze seguem em análise; outros cinco processos só devem entrar na fila nos próximos meses ou no início de 2027. Para acelerar as avaliações, a agência adotou um modelo em que equipes técnicas examinam pedidos simultaneamente, deslocou cerca de 138 servidores para atuar exclusivamente em registros e recebeu reforço de aproximadamente 114 aprovados em concurso público. O quadro total, segundo o diretor-presidente, é de cerca de 1.600 servidores, número que ele considera pequeno na comparação com reguladores de outros países.
Há também consenso sobre o argumento central do regulador. Segundo a agência, ampliar o número de fabricantes autorizados aumenta a concorrência, tende a reduzir o preço das canetas e ocupa o espaço hoje explorado pelo mercado irregular. Safatle afirmou que apenas produtos com eficácia, segurança e qualidade avaliadas recebem registro.
A diferença entre as coberturas está na ênfase. Veículos de direita deram peso ao ângulo econômico e competitivo: a promessa de queda de preço por efeito da concorrência e a afirmação de que o país tende a se tornar o mercado com maior número de opções regularizadas de agonistas de GLP-1 no mundo. A cobertura de centro foi mais longe no problema sanitário e criminal: detalhou o cerco ao mercado ilegal, com fiscalização de farmácias de manipulação, distribuidoras e importadores de insumo, relatou que apreensões desses medicamentos na fronteira de Foz do Iguaçu subiram cerca de 1.000% em um ano, e registrou que produtos contrabandeados chegam sem refrigeração, escondidos em pneus de veículos, com concentração incorreta do princípio ativo ou impurezas, havendo casos de pacientes internados em unidade de terapia intensiva. Essa cobertura também mostrou que influenciadores e artistas promoveram nas redes sociais laboratórios estrangeiros sem qualquer pedido de registro no Brasil, e detalhou o plano de 125 medidas para reduzir filas de análise, com painel de monitoramento diário e eliminação de passivos em radiofármacos, diagnóstico in vitro e equipamentos médicos. Veículos de esquerda não publicaram cobertura própria do encontro até o momento, de modo que o ângulo de acesso da população de menor renda ao tratamento aparece apenas de forma indireta, dentro das falas do próprio regulador.
Restam pontos em aberto. Não se sabe quais dos processos em análise serão efetivamente aprovados nem em que datas, e a agência não divulgou o número de novos pedidos protocolados, informação necessária para dimensionar o tamanho real da fila. Também não há prazo definido para a assinatura do memorando de entendimento com a autoridade sanitária do Paraguai, que prevê troca permanente de informações sobre medicamentos irregulares na região de fronteira. A nova regra para importação de ingrediente farmacêutico ativo e para farmácias de manipulação, que incluiria a exigência de certificado de boas práticas de fabricação e um sistema de notificação de eventos adversos, segue fora da pauta da diretoria colegiada desde um pedido de vista, sem data de retorno. E nenhuma das versões apresenta estimativa concreta de quanto o preço das canetas deve cair com a entrada dos novos concorrentes.