Ao lado de Trump no G7, Lula critica protecionismo e defende soberania
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Em sua primeira participação na Cúpula do G7, em Évian-les-Bains (França), o presidente Lula criticou o protecionismo, o unilateralismo e a concentração de riqueza, sem citar nominalmente os Estados Unidos ou Donald Trump, que estava na mesma sala. As falas foram lidas como respostas indiretas ao anúncio de novas tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros e à classificação unilateral do Comando Vermelho e do PCC como organizações terroristas.
Lula usou a tribuna do G7 para denunciar o neoliberalismo, a austeridade fiscal e a concentração de riqueza como causas do aumento da desigualdade entre países ricos e pobres. Diante de Trump, defendeu que a ajuda ao desenvolvimento é responsabilidade dos Estados, não do setor privado, e criticou tarifas e a classificação unilateral de grupos criminosos brasileiros como terroristas por ferir a soberania nacional.
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Os três lados concordam nos fatos: Lula discursou no G7 sem citar Trump nominalmente, criticou protecionismo e concentração de riqueza, citou Musk como primeiro trilionário e o Brasil recusou documentos do bloco.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou pela primeira vez de uma Cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França, e usou o discurso da reunião ampliada para criticar o protecionismo, o unilateralismo e a concentração de riqueza. As falas ocorreram com Donald Trump na mesma sala, sentado do lado oposto de uma grande mesa oval, mas Lula não citou nominalmente os Estados Unidos nem o presidente americano em nenhum momento.
A cobertura de centro relatou que as críticas foram lidas como respostas indiretas a duas decisões recentes do governo americano: o anúncio de novas tarifas sobre produtos brasileiros e a classificação unilateral do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. Lula chamou o protecionismo e o unilateralismo de 'respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas' e defendeu o respeito à soberania dos Estados no combate ao crime transnacional, propondo que esse esforço seja feito por cooperação internacional, inclusive com a Interpol.
Todos os lados convergem nos fatos centrais do discurso. Lula afirmou que o primeiro trilionário do mundo é mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial, numa referência a Elon Musk, que alcançou essa marca em 12 de junho. Cobrou dos países ricos maior participação no financiamento ao desenvolvimento, citando uma queda de 23% na Ajuda Oficial ao Desenvolvimento e a redução de 40% no orçamento do Programa Mundial de Alimentos. O Brasil também se recusou a aderir a pelo menos dois documentos negociados pelo bloco, um sobre parcerias internacionais e outro sobre o Ebola, por considerá-los desequilibrados.
É na ênfase que a cobertura se divide. Veículos de esquerda destacaram o ataque de Lula ao neoliberalismo, ao Estado mínimo e à austeridade fiscal, tratados como dogmas que agravaram a desigualdade, e enquadraram as posições do G7 como contrárias à defesa que o presidente faz da responsabilidade dos Estados no auxílio aos mais pobres. Veículos de direita, por sua vez, enfatizaram o tom mais comedido de Lula em comparação com seus discursos domésticos, nos quais acusa o governo Trump de mentir para taxar o Brasil, e ressaltaram que o país ficou isolado entre os convidados ao recusar os documentos, apoiados apenas por Quênia e Coreia do Sul. A cobertura de centro buscou o meio-termo factual, checando o que Lula citou e o que omitiu, e expôs as justificativas americanas para as medidas: desmatamento na Amazônia, crime organizado e práticas comerciais como o Pix.
O que ainda não se sabe é se haverá um encontro, mesmo que informal, entre Lula e Trump na cúpula. O Planalto negou pedido de reunião bilateral, mas não descartou uma conversa de corredor, como ocorreu na Assembleia Geral da ONU. Também permanece em aberto o desfecho das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, que o governo brasileiro ainda pretende distensionar, e os efeitos concretos do tarifaço de até 37,5% e da classificação de CV e PCC como terroristas sobre a relação entre os dois países.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou a reunião do G7 para criticar medidas protecionistas, o neoliberalismo e os gastos militares que estariam

Presidente brasileiro criticou unilateralismo e defendeu respeito à soberania dos países nas políticas de combate ao narcotráfico e crime transnacional

Presidente chama unilateralismo de “resposta falaciosa” e afirma que o 1º trilionário do mundo é mais rico do que os 46% mais pobres da população. Leia no Poder360.
