A Ucrânia lançou mais de 430 drones contra a região de Moscou entre a noite de 6 e a madrugada de 7 de julho de 2026, numa das maiores ofensivas aéreas do país contra a capital russa desde o início da guerra. O anúncio foi feito pelo prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, que afirmou que a maioria dos aparelhos foi neutralizada pela defesa aérea a longa distância e que 36 drones foram destruídos ao se aproximarem da cidade. O ataque ocorreu na véspera da cúpula da Otan, marcada para Ancara, na Turquia, com a presença de Volodymyr Zelensky e do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A cobertura de centro, representada pela agência RFI, relatou que a ofensiva a Moscou aconteceu um dia após a Ucrânia atingir a maior refinaria de petróleo da Rússia, localizada em Omsk, na Sibéria. Segundo o Estado-Maior ucraniano, os drones causaram incêndio na instalação, que pertence à empresa Gazpromneft e processava cerca de 460 mil barris de petróleo por dia. A mesma cobertura registrou que ataques ucranianos também mataram ao menos uma pessoa na região russa de Belgorod, e que bombardeios russos anteriores contra a Ucrânia haviam matado ao menos 28 pessoas, sendo 26 em Kiev e região metropolitana.
Veículos de direita, como O Antagonista, enfatizaram o ataque russo à capital ucraniana, ocorrido na madrugada de 6 de julho. A publicação destacou que Zelensky informou ao menos 12 mortes e 64 feridos, incluindo duas crianças, e citou o lançamento de 68 mísseis e 351 drones russos, dos quais nenhum dos 23 mísseis balísticos foi interceptado. Essa cobertura chamou Vladimir Putin de ditador e enquadrou a expansão da Otan como pretexto usado por Moscou para justificar a invasão, ressaltando ainda o protagonismo de Donald Trump, que teria conversado recentemente com Zelensky e com Putin.
Os dois lados da cobertura convergem ao descrever a mudança de estratégia da guerra: enquanto a Rússia recorre a bombardeios massivos com mísseis e drones sobre centros urbanos ucranianos, a Ucrânia passou a mirar refinarias e instalações de energia russas para provocar escassez de combustível e levar o impacto do conflito à população russa. Ambos também situam a escalada no contexto imediato da cúpula da Otan em Ancara, na qual os aliados europeus pretendem reafirmar o apoio a Kiev, com Zelensky convidado para o jantar inaugural oferecido pelo presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.
As divergências de cobertura aparecem no enfoque: a agência de centro equilibra as baixas dos dois países e detalha o alcance dos ataques ucranianos, enquanto o veículo de direita concentra-se nas vítimas do bombardeio russo a Kiev e no vocabulário crítico ao Kremlin. O que ainda não se sabe é a extensão real dos danos à refinaria de Omsk, o número final de vítimas nos ataques mais recentes e quais decisões concretas sairão da cúpula da Otan sobre os rumos do conflito.